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Língua Afiada

Com papas e bolos se enganam os tolos – Retrato da Nação

Tudo vai bem em Portugal, pelo menos é essa a mensagem que se passa, em tempo de tragédia até se divulgam boas notícias, o desemprego em Portugal no segundo trimestre de 2018 desceu para 6,7%.

Hasteiam-se bandeiras, deitam-se foguetes, a descida da taxa de desemprego é uma excelente notícia, mas falta perceber de onde veem estes números, que não estão corrigidos, por exemplo, de fatores sazonais, falta também perceber quantas são as pessoas que não se encontram inscritas no Centro de Emprego e quantas saíram do país deixando de contar para as estatísticas.

 

Falta perceber ainda quantas se encontram em cursos e formações e acima de tudo perceber que tipo de empregos se estão a criar. Portugal parece florescer mas à minha volta só ouço queixas de empregos mal remunerados, com condições precárias e imposições ridículas, onde à contestação a resposta é sempre a mesma – “Se não aceitares há quem aceite!”.

Uma negociação injusta com quem não tem outra solução se não sujeitar-se para conseguir ter dinheiro para comer e pagar as contas.

 

Há um pouco de tudo empresas que não pagam subsídios de férias, empresas que dão apenas 10 dias de férias, empresas que não pagam horas extras, não adianta denunciar, por três motivos, primeiro porque o ACT dá um prazo para apresentar a documentação que entretanto é falseada, segundo porque muitas empresas já se previnem em termos de papelada tendo ficticiamente tudo em ordem, terceiro os próprios trabalhadores não são capazes de anuir com a queixa com medo de represálias.

A solução? Sair do país, embora a crise tenha supostamente terminado a verdade é que os portugueses continuam a procurar trabalho fora de Portugal, só que agora já não é porque não há trabalho, mas porque não há trabalho condigno e as histórias de ordenados chorudos propagam-se rapidamente, pais levam os filhos, filhos levam irmãos, sobrinhos e primos que levam os amigos e uns atrás dos outros vão saindo.

 

Num país governado por uma Geringonça não é de estranhar que se façam manobras, passes de mágica e malabarismos para se apresentarem números, ah o défice esse número qual bicho papão que tem de descer a todo custo, não importa que a dívida seja mais alta, desde que o défice seja mais baixo, não importa que se destruam os serviços públicos desde que o défice desça.

O nosso Primeiro-ministro não mentiu quando disse que não há dinheiro, não há, quer dizer não há para todos, há só para quem ele quer agradar, os professores foram a classe da função pública ostracizada, talvez porque não há interesse em educar o povo, nunca fiando, mas para os portugueses defendidos ferozmente pelos comparsas da Esquerda tem de existir dinheiro, para esses tudo, para garantir estabilidade e a reeleição, para os outros damos-lhes umas migalhas, que retiramos de outra forma, mas enquanto eles pensarem que têm mais dinheiro não se queixam.

 

Entretanto, vão surgindo notícias das chamadas Cativações que mantêm o povo cativo na ilusão e privado das situações mais básicas, as cativações na Saúde são sem sombra de dúvida as mais graves, seguidas pelas cativações na Educação, mas estas não se ficam por dois Ministérios, são transversais, chegando-nos agora notícias das cativações nos Transportes que explicam os aumentos de queixas e problemas, não se pode fazer pão só com água, é preciso farinha, mas o Governo guardou a farinha toda e está como Maria Antonieta – “Se não têm pão que comam brioches”

 

Os Ministérios deste Governo mais parecem Mistérios, supostamente o Mistério da Multiplicação que vai-se a ver é o Mistério da Cativação.

E o povo segue alegre e contente, confiante e otimista, gastador, mas mau pagador, o consumo aumenta, também o crédito, é um doce poder satisfazer novamente os desejos de consumo, muito melhor do que o açúcar, porque dá mais likes e importância.

Já diz o ditado com papas e bolos se enganam os tolos e em tempo de férias a cobertura extra é grátis só para dourar ainda mais a pílula.

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