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Língua Afiada

Começa o Mundial e a Dormência

Hoje começa o Mundial de Futebol e isso são boas notícias para quem manda em Portugal e para Bruno de Carvalho, porque a partir de hoje o tema dominante será a participação de Portugal nesta competição, a sermos corretos o tema já é quente há algum tempo, mas agora que a competição começa haverá muito mais assunto, já que para além de sabermos o que Cristiano Ronaldo comeu durante o dia, também teremos estratégias, lances, golos, faltas para analisar e muitos prognósticos e contas de cabeça para fazer.

 

O Mundial chega na companhia dos Santos Populares e precisamente ao mesmo tempo que o calor. Haverá combinação mais fantástica que esta? Não. Estão lançados todos os ingredientes para a festa, a alegria e para a celebração da magia do futebol.

Nada contra, também farei parte da festa, irei torcer, pular e gritar pela Seleção Nacional e quem sabe até chorar, espero mesmo chorar porque ao contrário do que possa parecer, no meu caso, chorar no futebol é sinónimo de vitória.

A festa é bonita, mas confesso sinto um certo receio do que possa acontecer durante este período de euforia e distração, altura ideal para se lançarem bombas que ao contrário de um grande estrondo, fazem apenas um pequeno estalido inofensivo e imediatamente esquecido.

 

Há pouco lia um artigo de opinião sobre a infantilização do povo português e embora não concorde em todos os pontos com Helena Garrido, não posso deixar de concordar com o essencial, o povo português nunca se sente responsável por nada, a culpa é sempre dos outros, até os sucessivos Governos (escrevo demasiadas vezes esta conjugação de palavras) atribuem as culpas aos outros, passando mais tempo a culpar tudo e todos em vez de pensarem em estratégias que façam realmente a diferença.

 

O artigo fala da desresponsabilização quando algo corre mal, mas há outra face da moeda, as mesmas pessoas que responsabilizam os outros pelos seus erros, mesmo que sejam os mais grosseiros e absurdos, são as mesmas que se acomodam e não reivindicam nada, mais uma vez culpam os outros, o Governo, a conjuntura, a cultura e mais o que se lembrarem para encontrar desculpas para a sua miséria de valores.

Sim, a maior miséria é a de não querer fazer o que é certo, seja estender a mão a quem precisa, seja recusar-se a participar no esquema corrupto que corrompe a nossa economia, em Portugal também existe um “Mecanismo” forte e poderoso, uma máquina que nos mantém reféns e nos infantiliza fazendo-nos crer que nada podemos fazer para mudar.

Essa máquina aproveitará agora a festa do futebol para nos ludibriar mais um bocadinho, faz parte do funcionamento do mecanismo.

 

Bruno de Carvalho continuará agarrado ao poder, inventado se for preciso estatutos, acredito mesmo que por mais narcisista que uma pessoa possa ser, não haveriam muitos países onde isto pudesse acontecer, alguém manter-se no poder só porque simplesmente quer contra tudo e contra todos, Bruno de Carvalho está para o futebol como Nicolás Maduro está para a política.

 

No mundo da ilusão e da fantasia tudo corre bem e conforme o esperado, o sol trouxe o calor e a vontade de beber cervejas e comer umas sardinhas assadas ou umas fêveras grelhadas, tudo vai bem neste cantinho à beira-mar plantado, o povo está contente e seguro que a crise acabou, o que vinha mesmo, mesmo a calhar era Portugal ser campeão do mundo, tenho a certeza que aí nem um incêndio de grandes proporções extinguiria a felicidade, a honra, a audácia, o feito da vitória.

 

Uma pena que esta dedicação, garra, fome de vencer que os portugueses sentem no futebol não se estenda a outras áreas da sua vida, podiam tomar como exemplo o Melhor do Mundo que até é português, mas é mais fácil culpar a pequenez do país, o Governo, a cultura, os outros, muito mais fácil do que tentar fazer a diferença.

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