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Língua Afiada

Corana vírus sabe a cerveja para Portugal

O mundo está em alerta, a China está sob escrutínio, os hipocondríacos estão fechados em casa, os que acreditam em teorias da conspiração dividem-se entre culpar Trump ou os opositores de Trump, a Europa, as farmacêuticas e claro os suspeitos do costume os Judeus, mas em Portugal aguarda-se pacientemente que a China fique caótica para aumentarmos a exportação de carne suína.

Na minha opinião para além de suínos podíamos exportar os otimistas com elevado sentido de oportunidade, mas sem qualquer bom senso, eles ganhavam uns quantos especialistas a manipular a opinião do povo e nós ficávamos mais sãos, era um favor que nos faziam.

Há uma grande diferença entre retirar o melhor de uma tragédia, como aprender lições, e aproveitar-se da tragédia, em Portugal somos peritos em aproveitamento de tragédias, seja para lucrar ou para brilhar, conscientes do importante papel da exportação, estamos agora a internacionalizar esta grande competência de aproveitamento de tragédias, brilhante.

Este Corona vírus veio mesmo a calhar para Portugal, é como beber uma cerveja na esplanada da praia enquanto vemos um banhista a afogar-se e pensamos menos um para ocupar espaço, os chineses até são tantos, se morrerem uns quantos é um favor que nos fazem.

Fábricas fechadas, produções agrícolas encerradas, só exportações e captação de investimento, tudo a curtíssimo prazo, mas há que aproveitar as consequências positivas da desgraça dos outros.

Sinceramente não sei o que é pior, a frieza com que se analisa uma situação caótica destas ou o desplante de o dizer alto e bom som ao público.

Noutro país, as redes socias, a comunicação social, a oposição já teriam montado um circo, uma onda de indignação que levaria à demissão ou no mínimo à retratação da Ministra, aqui encara-se tudo com normalidade, afinal políticos a dizerem barbaridades é o nosso dia-a-dia e segue a caravana.

Livre-nos Deus Nosso Senhor, Alá, Buda, Zeus e Odin e todas as entidades divinas que um vírus destes tenha origem em Portugal, porque primeiro a pessoa que o detetar não será ouvida, depois andarão a discutir de quem é a responsabilidade de não a terem ouvido e depois quando tudo estiver caótico os políticos recolher-se-ão ao silêncio esperando pacientemente recolher as dádivas da tragédia.

Entretanto o melhor é beber uma Corona e esperar que o vírus não chegue a Portugal.

 

 

5 comentários

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    Psicogata 07.02.2020 14:10

    Isto vai de mal a pior Maria, agora com esta notícia da PGR... enfim nem sei se escrevo sobre o assunto, isto está tão mal, mas tão mal.
    Temo pela nossa democracia.
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    Maria Araújo 07.02.2020 14:36

    Porquê o PGR?
    Acho que não ando a ler nada actual.
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    Psicogata 07.02.2020 14:42

    Basicamente a PGR. Lucília Gago emitiu um comunicado que pode existir intervenção da hierarquia em processos judiciais, podendo modificar ou revogar decisões tomadas anteriormente, assim superiores hierárquicos, por exemplo, têm o poder de decidir terminar uma investigação que isso seja visível, uma vez que o seu nome não fica associado ao processo.
    Pode ler mais aqui:
    https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/sindicato-dos-magistrados-vai-exigir-a-pgr-revogacao-de-diretiva-lesiva-da-autonomia
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    Andy Bloig 07.02.2020 16:39

    Não foi um comunicado... foi um directiva.
    Não notaste que, nos últimos 6 meses, as apreensões de droga, armas e detenção de criminosos, disparou para 15 vezes mais do que aconteceu nos 11 anos anteriores?
    A única diferença é que deixaram de ser os procuradores a organizar as rusgas, passando a receber os dados, nalguns casos, 10 minutos antes de arrancarem para o local, mesmo quando é das próprias investigações que estão a realizar. Pior que isso, as fugas de informação para os jornalistas, só tem acontecido, já depois das operações terem atingido os principais alvos.
    Ainda esta semana foram recolhidos dados do ex-BES, de um escritório de advogados, que não teve publicidade, pois os 3 procuradores do ministério público nem sabiam ao que iam, até chegarem aos locais designados pelo superior.
    O mesmo se passa com os custos. No caso Marquês, há procuradores que gastaram 1 milhão de euros em refeições e viagens... mesmo estando a tempo parcial, sem terem apresentado relatórios, para anexar ao processo. Quem é que decidiu essas investigações? Os mesmos procuradores que as fizeram. É esta parte que o sindicato não quer que aconteça. Se um procurador achar que aquele ponto é suspeito, terá de pedir um processo em separado e não ir "investigar por conta própria sem dar cavaco a ninguém, ao abrigo da outra informação".
    Já bastam os milhares de milhões que se perdem anualmente, por surgirem acusações que não tem pernas para andar, chegam aos tribunais, os procuradores levam nas orelhas, os superiores é que sofrem os cortes, quem o fez assobia para o lado e continua a fazer o mesmo. Ainda ontem aconteceu isso aí em cima... 4 procuradores não conseguiram apresentar provas sobre um homicídio, mesmo assim chegaram a tribunal e foi tudo para o lixo. Tem sido centenas de coisas destas que fazem perder a noção do que é justiça e do que é publicidade.
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