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Língua Afiada

Desafios de mente de grávida

Sou a pessoa coerente mais incoerente ou ilógica que conheço, sou muito coerente no que respeita a opiniões e a valores, não mudo conforme muda o vento ou pessoas ou situação em questão, no que acredito e defendo, acredito e defendo sempre e se com o tempo e com a maturidade as minhas prioridades mudaram, a minha essência manteve-se.

Isso não quer dizer que nas situações do dia-a-dia essa coerência se mantenha, ou melhor não quer dizer que siga sempre pela lógica, é nessas situações que o meu lado rebelde e contraditório se revela e que me leva a fazer precisamente o que ninguém espera que eu faça.

Na gravidez não é exceção e é por isso que dou por mim a planear coisas que em nada se coadunam com o futuro próximo, ou então a minha lógica é diferente das outras pessoas, talvez possa ser isso.

 

Viajar, nos últimos tempos estou sempre a procurar oportunidades para viajar o que implica dispensar dinheiro, quando todas as pessoas me dizem que se avizinha uma época de gastos elevados eu penso que também se aproxima uma época de prisão e de condicionamento, ter um bebé é maravilhoso, mas a nossa vida mudará muito e a nossa disponibilidade para pegar numa mala e viajar para qualquer lugar não será com certeza a mesma por todas as razões e mais algumas.

Comprar roupa, aqui acho que as pessoas às vezes não pensam muito bem antes de falar, quando se fala em comprar roupa para usar durante a gravidez quase todas as pessoas respondem da mesma forma: - não compres muita roupa porque depois não a vais usar; - não gastes muito dinheiro contigo porque vais gastar muito dinheiro com o bebé, mas depois são as mesmas pessoas que te veem com umas calças de ganga normais e dizem – devias comprar calças de grávida para não apertares a barriga.

Outro conselho que quase todas as mamãs que conheço dão é para tirar muitas fotos porque tiraram poucas e arrependem-se, está bem, devemos tirar fotos, eu comparativamente aos exemplos que tenho, até já tirei muitas, mas agora digam-me lá uma coisa, como querem que uma grávida tenha vontade de tirar fotos se anda sempre com a mesma roupa? Vamos ter fotos todas iguais? Já me aconteceu este verão, estava sempre com os mesmos vestidos, tenho fotos em vários dias com a mesma roupa. Não, não é giro porque parece que foram tiradas todas no mesmo dia, já que a diferenças na barriga não eram percetíveis ainda.

 

Estes são apenas dois exemplos, poderia dar muitos mais, mas expliquem-me uma coisa, nós a partir do momento em que sabemos que estamos grávidas passámos a carregar uma responsabilidade connosco a tempo inteiro, 24h sob 24h, o bebé é da nossa inteira responsabilidade, a par desta responsabilidade temos plena consciência, ou pelo menos deveríamos ter, que quando o bebé nascer será a nossa prioridade, pelo menos nos primeiros meses será depende de nós para tudo, especialmente da mãe no caso de quem amamenta, é suposto anteciparmos isso e passarmos a viver em função do bebé ainda antes de ele nascer? É suposto anularmos as nossas vontades de desejos só porque no futuro iremos ter essa responsabilidade?

E pergunto novamente é suposto tirarmos fotos em casa? Não sei como é com vocês, mas eu gosto de tirar fotos em locais bonitos e quando estou bem-disposta, esteja grávida ou não grávida.

Não será antes nossa responsabilidade mimar-nos para o receber na nossa melhor condição? Sinceramente estou um pouco cansada da lengalenga dos gastos, parece que ter um filho gira sobretudo à volta de dinheiro, quando deveria girar à volta de amor, carinho e felicidade.

Acredito que para os casais que não tenham planeado a vinda de um bebé a situação possa ser mais complicada, mas quem planeou a gravidez, pensou, fez contas, poupou e antecipou os gastos, se não o fez deveria ter feito, qual é o problema de ter gastos? Não estão já planeados? Ou serão nos 9 meses de gestação o momento em que farão a poupança? Boa sorte com isso.

Se me apetece ir passar um fim-de-semana fora porque não? Primeiro vou porque quero e segundo se vou é porque posso, a vida passa demasiado depressa para colocarmos algemas imaginárias.

 

O que menos quero é lamentar-me de não ter aproveitado enquanto podia – Ah se sabia tinha viajado mais. – Se soubesse tinha aproveitado melhor os fins-de-semana.

A vida não para, nem por um segundo, por isso, grávidas ou não, aproveitem muito, mimem-se e cuidem de vocês, até porque não estamos grávidas muitas vezes e por muito tempo e se não nos sentirmos giras e confiantes não aproveitaremos o nosso estado de graça que muitas vezes parece de desgraça.