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Língua Afiada

Diário do meu caminho

Abro uma folha em branco porque quero escrever algo neste recanto da minha memória, algo que daqui a uns anos informe o que hoje penso, sinto, espero, mas os pensamentos são um emaranho disforme de ideias impossíveis de transpor num discurso coerente.

Ah coerência! A coerência que sempre almejei encontrar para colocar ordem na minha inconstância, na mutação decorrente das experiências que me moldam, transfiguram e inquietam, a aprendizagem da vida ensinou-me que o que desconheço é infinitamente maior que as certezas que tenho.

Não há nada digno de registo e, no entanto, existem tantos pensamentos a registar, incongruências caraterísticas do penoso crescimento, do orgulho ferido, do sonho que dá lugar à realidade.

O processo é importante, potencialmente mais importante que o resultado, mas a ânsia de chegar ao fim enevoa o trajeto, torna-o perigoso, escorregadio, cheio de percalços e armadilhas, rasteiras criadas pelo desejo incontrolável de querer ter, fazer, chegar.

É no caminho que reside o segredo, quem caminha calmamente sem anseios aprecia a paisagem, os verdes campos, o inebriante aroma das flores, o delicioso ruído de um riacho, na pressa de chegar ao fim descuramos a travessia, incapazes de perceber que o caminho encerra em si toda a beleza e essência da vida.

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