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Língua Afiada

Do ódio ao desprezo

Na escala dos sentimentos de um lado está o amor e do outro está o ódio, assim como de um lado está a inveja e do outro está a empatia.

O ódio é o contrário do amor, mas é do amor que nasce, é impossível odiar alguém por quem não sentimos amor, amizade, admiração, à exceção dos ódios fundamentalistas incutidos por lavagem cerebral e herança cultural só somos capazes de odiar quem conhecemos.

O ódio é o pior sentimento que podemos sentir porque quem sente ódio faz mal a si próprio, é um sentimento danoso, que corrói todos os outros sentimentos, mesmo que amor, empatia, generosidade, amizade, compaixão nos preencham o coração o ódio far-nos-á mal.

É um sentimento que nos assola nos momentos solitários, que nos invade os pensamentos, que nos incomoda e que nos faz desejar mal ou fazer mal, porque o ódio incita à maldade como o amor incita à bondade.

Há feridas que se abrem que nunca cicatrizam, sabemos disso quanto o tempo em vez de as mitigar, as atiça como num fogo impossível de extinguir, nestes casos o ódio nunca poderá dar lugar a um sentimento bom, percebemos que não haverá tempo suficiente numa vida para perdoar, nem sequer existirá tempo para esquecer.

O que nos resta então quando não queremos odiar?

O desprezo, o desprezo e a indiferença são a solução, mas há todo um processo para lá chegarmos, é preciso aceitar que não podemos mudar a situação, é preciso aceitar que não queremos perdoar e assumir esse fardo, viver com mágoas e ressentimentos não faz bem, é preciso que estes sentimentos sejam arrumados devidamente e relegados para segundo plano, desvaloriza-los até que um dia toda a mágoa se converta em nada.

Asco, nojo, repudia, ódio não se convertem magicamente em indiferença, mas quando isso acontece é libertador e compensador, é um peso que deixámos para trás, só dessa forma conseguiremos viver leves.

Há situações que simplesmente não se podem resolver, resta-nos esperar que o tempo nos ensine a não dar importância, pouco a pouco o incómodo deixa de existir, o desejo de vingança cessa e o esgar dá origem ao menosprezo, esse liberta-nos e é retemperador, no fim de contas não há melhor vingança que o absoluto e certeiro desprezo.

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