Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Língua Afiada

Donas Brancas no Facebook

Em diversos grupos de vendas e trocas da rede social Facebook têm aparecido ofertas de empréstimos de entidades não financeiras e de particulares.

Este tipo de oferta é uma fraude, não é legal, é uma burla, uma forma de enriquecimento ilícito à custa de pessoas que atravessam dificuldades e recorrem a estes créditos quando não os conseguem em entidades financeiras.

 

Em primeiro lugar é de estranhar que se divulgue um negócio ilegal online, mas eles são amplamente disseminados em sites de venda, nas redes sociais e pagam mesmo anúncios para aparecem nos primeiros resultados das pesquisas, com tanta divulgação é lamentável que não exista uma fiscalização e um maior controlo destas situações.

Em segundo lugar é espantosa a quantidade de pessoas que responde às propostas, se em outros locais não é possível verificar se os burlões estão ou não a ter sucesso, no Facebook pela quantidade de comentários é possível ter uma ideia do quão mal informadas e/ou desesperadas estão as pessoas.

 

A lei, e a prudência, avisam que um empréstimo entre particulares deve ser celebrado por meio de um contrato para que ambos os intervenientes vejam salvaguardados os seus interesses, não faltam também notícias e avisos que avisam dos problemas causados por empréstimos sem contrato, mas ainda há quem acredite que é boa ideia aceitar um empréstimo de uma “empresa” ou “pessoa” que anuncia o serviço no Facebook e que ainda específica:

“sem burocracias, liquidez imediata, sem recurso a crédito”

O facilitismo e a rapidez são as supostas vantagens destas ofertas, mas são apenas um ardil para incentivar o endividamento.

 

Agiota até pode parecer uma palavra bonita, lembra uma gaivota, mas nunca se esqueçam que as gaivotas que embelezam os céus das praias são as mesmas que espalham o lixo nas ruas, sujam carros e pessoas, são carnívoras e quando encontram um alvo não o largam, são assim tão bem os agiotas bem vestidos, bem-falantes, cheios de confiança e boas intenções, mas que só querem explorar as vossas fraquezas e quando encontram o vosso ponto fraco nunca mais vos largam.

 

O sucesso deste negócio ilícito só pode ser explicado pela ignorância e pela falta de atenção das pessoas, com tanta informação disponível uma simples pesquisa demoveria quem quer que fosse a recorrer a estas situações.

As pessoas que se sentem tentadas a recorrer a dinheiro fácil para satisfazer um pequeno luxo ou desejo não têm desculpa, estão a ser apenas irresponsáveis, as que se encontram com dificuldades financeiras e perante um aperto antes de se colocarem numa posição ainda mais frágil deveriam procurar ajuda, há empresas especializadas no assunto que ajudam a gerir as finanças, a negociar créditos, é tudo uma questão de procurar informação.

 

Infelizmente as pessoas não conseguem distinguir o que é correto do que não é, tal como não distinguem uma notícia falsa de uma verdadeira, antigamente o que diziam na televisão era lei, hoje, infelizmente, é o que dizem nas redes sociais e é por isso que se disseminam mentiras, calúnias a par de negócios ilegais e diversos esquemas que escapam ao controle das autoridades.

O que se passa nas redes sociais é o espelho da nossa sociedade, se na sociedade existe corrupção, mentira, falta de ética, esquemas financeiros, contrafação, as redes socais só vieram alargar a rede de contactos e potenciais clientes para os corruptos, burlões e ladrões, abrindo um sem fim de possibilidades com a proximidade ilusória de quem está ali sempre contactável, mas que no dia seguinte se esfuma sem deixar rastro.

 

É urgente que as autoridades fiscalizem páginas de negócios ilícitos e que se infiltrem nestes grupos, que são na maioria fechados, para que os autores dos crimes sejam punidos e impedidos de ludibriar as pessoas, é uma forma também de combater a economia paralela que como todos sabemos é um problema gravíssimo para a saúde financeira do país.

 

 

 

5 comentários

  • Imagem de perfil

    Psicogata 20.07.2018 11:20

    Verdade, denunciamos e ainda ficamos com a conta bloqueada.
    As redes sociais, nomeadamente o Facebook não tem interesse em terminar com estas páginas e anúncios porque eles fazem um investimento considerável em post patrocinados e eles não estão interessados em perder dinheiro.
    Infelizmente as pessoas não conseguem distinguir um negócio de uma burla e também não estão interessadas em saber, porque do alto do seu ego lá conseguem admitir que não têm essa capacidade.
    São as pessoas mais velhas a terem mais cautela com as transações online, são mais desconfiadas, mais prudentes, com tanta informação as pessoas mais novas são incultas e despreparadas, acreditam em tudo e não se protegem minimamente.
    Sinceramente nunca pensei que na era da informação a sociedade fosse tão desinformada.
  • Imagem de perfil

    Andy Bloig 20.07.2018 11:37

    Os cartões da primark, lidl, continente... continuam a aparecer nos posts patrocinados, alguns com centenas de comentários. Reportar como burla/fraude, vai para análise. Tenho ali mais de 10 páginas em que as denúncias foram recusadas porque "não violam o TOS", o mesmo se passa com agressões verbais e ameaças que são considerados "comentários normais e que a sua denúncia, repetidamente, poderá originar a punição do denunciante".
    É por causa disto que muita gente acredita... então nesta altura das férias, é ver os comentários a aparecer que nem cogumelos, dando um site, que nos devolve para um post na rede social. Não é só no fb, é em todos. No passarinho então é um exagero, pois o pessoal, no telemóvel, não controla a preview dos links. Mesmo que não vão lá, já estão a fornecer dados.
  • Imagem de perfil

    Psicogata 20.07.2018 11:48

    Não faltam mensagens até pelo whatsapp com burlas em nome de entidades conhecidas e as pessoas não tem capacidade de verificar se são ou não verdadeiras e o pior é que quando recebem a informação de alguém que consideram credível nem pensam simplesmente replicam e a mensagem.
    Entendo que as redes sociais não tenham interesse em travar o assunto, mas e as autoridades? Através do Facebook já apreenderam redes de contrafação porque não repetem o sucesso em outras áreas, é preciso que existam interesses de empresas a defender para que o façam? O maior interesse não é a defesa da lei e a proteção dos cidadãos? Será que não entendem que estas burlas são um saque de dinheiro livre de impostos?
    É preciso uma intervenção, já existem milhares de queixas deste tipo de burlas e também de vendas, pessoas que vendem produtos por 1/3 do preço que ficam o dinheiro e depois desaparecem.
  • Imagem de perfil

    Andy Bloig 20.07.2018 12:12

    Quando existem operações (e queixas!!!) são apanhados. Já tive uma situação no OLX que se limitaram a bloquear a conta do burlão, a polícia identificou-o, por causa das transferências. Terá burlado centenas de pessoas com a venda de vários produtos. Poucas semanas depois, o dinheiro foi devolvido à minha conta, pelo banco. (Tinha feito queixa no banco e na polícia, o descritivo é "Reembolso de TB".)
    A maioria das pessoas não se queixa... fazem queixinhas em portais da internet ou nas redes sociais. Sem queixosos (nalguns casos, mesmo com eles), continuam a fazer disso vida. A única forma era as empresas de internet começarem a eliminar as contas que fazem disso vida, só que, voltamos aquele ponto inicial: são essas que pagam, bem pago, a publicidade individual. Cabe ás pessoas terem 1 neurónio para perceber que "nem tudo o que luz é ouro" e ignorarem as coisas, mesmo que estejam desesperados por dinheiro.
  • Comentar:

    CorretorEmoji

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.