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Língua Afiada

E a Língua não diz nada sobre o Festival da Canção?

Diz, claro que diz que a Língua é Afiada e tem sempre alguma coisa a dizer.

Em primeiro lugar quero esclarecer que não vi o Festival, não tive paciência, vontade e nem sequer tempo, mas isso não me impede de ter opinião?

E porquê? Porque já ninguém neste país acredita no Festival da Canção, mas isso não impede que uma grande parte das pessoas fale dele.

Os meus agradecimentos porque assim fiquei a saber tudo o que necessitava sem perder horas preciosas, horas, porque a final teve uma duração exageradamente grande.

E para variar foi enfadonha. Novidades?

 

A RTP já provou há anos que não tem competência para produzir um Festival da Canção, independentemente das músicas a concurso, as galas desde que me lembro são pobres, qualquer programa de música até da própria RTP dá 10 a 0 ao Festival da Canção.

Este ano até existiu a participação de artistas mais ou menos consagrados, um ponto a favor para a qualidade do programa, mas que não foi suficiente para o alavancar.

Longe vão os tempos do glamour, da expetativa, de todo o envolvimento do público no evento, fazendo dele um grande acontecimento.

Como é que restauram os tempos de glória? A fórmula não é secreta, é mais do que conhecida, com uma excelente estratégia de marketing, é levar as pessoas certas a falar do Festival mas muito antes de ele acontecer, é criar expetativa, envolvimento.

Como é que se faz um grande acontecimento? Levando as pessoas a acreditar que será um grande acontecimento.

Convém que depois a montanha não dê à luz um rato, por isso é importante apresentar uma gala digna da expetativa.

A expetativa e o envolvimento serão também essenciais para que as participações sejam de qualidade, este ano deram-se passos importantes nesse sentido.

 

Vozes competentes não faltam, intérpretes com capacidades vocais extraordinárias em Portugal são mais do que o mercado absorve, só precisam de encontrar os compositores certos, que também existem em Portugal, só precisam de os cativar.

Quanto à música vencedora deste ano, é bonita, emotiva, mas será que tem o que é preciso para chegar longe?

Na minha opinião não, porque é uma música demasiado simples, falta-lhe corpo, intensidade, mas às vezes o menos é mais e quem sabe não poderá ganhar pontos por ser tão singela.

Aqui caberá à produção criar envolvimento com a música, uma coregrafia, uma história de fundo, algo que capte a atenção das pessoas e que permita aos expectadores estrangeiros perceberem a música sem perceberem a letra.

Penso que é também aqui que pecam as participações portuguesas, centram-se demasiado na música quando têm à disposição um palco gigante para comunicar.

De recordar que em 2008 o patinador mundialmente famoso Evgeni Plushenko ajudou a Rússia a conseguir a vitória no festival, poucos se recordam da música, mas muitos devem recordar a beleza da atuação de Plushenko.

Não há propriamente um tipo de canção para o festival, mas há técnicas para conquistar o público, o Festival é mais do que música, é um espetáculo é pena que durante anos e anos os portugueses se tenham esquecido disso.

Posto isto, boa sorte para a canção vencedora de Salvador Sobral e sejam criativos na hora de apresentar o tema.

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