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Língua Afiada

Este país é para graxas!

Eu ando com muita coisa na minha carteira XL mas se há coisa com que nunca andei foi com um estojo de graxa e escova, não presto vassalagem a ninguém e o tempo em que as pessoas facilmente subjugam outras vai longe.

Mas há pessoas que se tornaram tão peritas na arte de engraxar que nem precisam de estojo, com a boca mandam a graxa gosmenta e nojenta e com ambas mãos tratam de escovar, polir e lustrar o ego de quem lhes pode dar acesso a vias rápidas e autoestradas sem portagens.

E uma pessoa pensa, tanta gosma um dia vão ficar colados na própria nojice, pessoas que sobem à custa do trabalho dos outros sem mérito algum um dia serão descobertos e acaba-se a festa. Ou então serão ultrapassados por uma lábia nova, uma graxa mais elástica, com atributos novos, irão provar do próprio veneno.

Mas não lhes acontece nada, sobem e seguem as suas vidas contentes ora dando graxa, ora sendo ratos a acusar os colegas, pois são duas características mesquinhas que costumam andar de mãos dadas, a adulação e a maledicência.

Um elogio aqui, um relato maldoso dali, assentam todo o seu percurso profissional nestes dois pilares, e os patrões e os chefes são iludidos como uma criança a quem se dá um novo brinquedo todos os dias. Entre elogios e denúncias não enxergam que têm uma ratazana à frente a encaminha-los para a ratoeira enquanto lhes tentam roubar a fatia de queijo maior.

Caro jovem não sabes que profissão seguir? Nada temas. Engraxador profissional deverás ser e mesmo que não prestes para nada, nada tens a temer.

Haverá sempre alguém a dar mais valor a um elogio do que à eficiência.

Engraxador profissional uma profissão com futuro.

6 comentários

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    Psicogata 09.03.2016 18:18

    Tenho exactamente essa opinião, mas é muito complicado mudar mentalidades, isto está de tal forma enraizado que é muito complicado.
    Basta olharmos para a gestão das empresas aqui e lá, nos EUA ser filho do patrão não significa que se vá gerir a empresa, aliás ser dono de uma empresa não significa que seja gestor da mesma.
    Basta isso para perceber que não estamos a ir pelo caminho certo.
    Para nem falar das cunhas, dos meninos bonitos, das licenciaturas tiradas à pressão.
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    Maria Araújo 09.03.2016 23:23

    Por acaso, a família do meu pai tinha uma "grande" empresa.
    O meu pai e os meus tios tiveram os filhos a trabalhar lá, eu fui uma delas mas porque um dos tios me "seduziu". O meu pai não interveio em nada.
    Na empresa havia os filhos dos patrões e os filhos empregados dos patrões, em que eu e os meus irmãos pertencíamos a estes.
    Actualmente, a empresa existe mas não é nossa.
    Os filhos empregados do meu pai, formados em engenharia, seguiram os seus caminhos, têm uma vida razoável noutras empresas, desenrascaram-se. Eu era trabalhadora estudante, acabei o curso, saí uns anos antes de a empresa ser vendida.
    Os filhos dos patrões, sei lá, uns safaram-se a trabalhar por conta própria, mas não sei nada deles, os outros andam por aí.
    Na verdada, Psicogata, tem razão.
    Antigamente, as famílias constituíam empresas, heranças dos antepassados, que empregavam autênticas famílias, também.
    Conversas que tenho com os meus irmãos, as coisas não mudaram muito, eu sei.


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    Psicogata 10.03.2016 10:26

    Em Portugal 50% das empresas passa para a 2ª geração mas apenas 20% chegam à 3ª.
    Segundo os estudos isto é causado por dois motivos:
    1 -Má preparação da sucessão, dificuldade dos pais darem autoridade aos filhos, choque de gerações e visões diferentes.
    2 - Confundir a noção de empresa com a de família, na família somos vistos como iguais, mas nem todos têm as mesmas competências no que toca à gestão.
    A sucessão numa empresa é um factor crucial, mas em Portugal acredita-se que é tão natural como a herança que passa para os filhos, a empresa não deixa de ser deles mas daí a serem eles a geri-la há uma diferença grande.
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    Maria Araújo 10.03.2016 13:14

    Inteiramente de acordo.
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    Psicogata 10.03.2016 14:12

    Lentamente, mais lentamente do que devia estamos a mudar mentalidades, havemos de lá chegar.
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