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Língua Afiada

Eu, as casas dos outros e as casas à venda

Nunca entrei numa casa em que não mudasse alguma coisa, curiosamente quanto mais gosto e me identifico com o espaço maior a minha vontade de o mudar, não houve até hoje uma única casa que não despertasse em mim a vontade de a personalizar.

Não estamos a falar de detalhes, mas de grandes mudanças que quase sempre envolvem partir paredes, abrir janelas, mudar divisões, mudanças que podem em alguns casos não ser exequíveis por questões arquitetónicas e há situações que me partem o coração como ver uma casa de sonho num local que a deprecia em todos os aspetos, quer estéticos, quer monetários.

 

Dizia-me um amigo arquiteto que a casa tem de ser adaptada a quem a habita, que é preciso adequar a casa ao estilo de vida e hábitos dos donos, não poderia estar mais de acordo e talvez seja por isso que sinto sempre vontade de mudar a organização do espaço e as divisões para uma disposição que faça mais sentido para mim.

O meu ideal de casa mudou ao longo dos anos, não porque os meus gostos mudaram, apenas porque me tornei mais realista e uma casa prática, só de um andar, ampla e com muita arrumação faz muito mais sentido do que uma mansão ou uma quinta rústica, os sonhos não deixam de ser sonhos, mas há uma altura na vida em que a realidade fala mais alto e as prioridades mudam.

 

No fim de contas ainda estou indecisa se ter casa própria é ou não prioridade, com tanto mundo para ver e viver fará sentido fixar-nos num território? Por outro lado, a estabilidade de ter um sítio meu onde me sinta em casa, um porto de abrigo, parece-me boa ideia.

Nos últimos tempos tenho olhado com mais atenção não só para as casas que frequento, mas para diversas opções disponíveis no mercado imobiliário, devo dizer que os preços são obscenos, completamente desenquadrados com o nível de vida dos portugueses e a ideia de sacrificar tudo para ter uma casa para passar a vida a pagá-la desagrada-me completamente, mas dentro dos limites do que acho aceitável tenho visto algumas opções, mas são sempre tiros ao lado.

 

Basicamente dentro das moradias temos as seguintes opções:

Moradias geminadas ou em banda

Modernas, muitíssimo caras, socorrem-se do chave-na-mão, sem obras, sem alterações, tudo novo e pedem uma pequena exorbitância pelos imóveis.

 

Moradias usadas

Pavorosas, a maioria são pavorosas e a precisar de imensas obras para serem habitáveis, mas nem isso impede o mercado de as vender a preços proibitivos, porque a privacidade tem valor e qualquer imóvel independente parece ter um filão de ouro escondido algures.

 

Moradias novas

Aqui estamos a falar de preços loucos, completamente, em alguns casos os preços até se encontram sob consulta para não assustar possíveis compradores, já que muitas pessoas quando se identificam com a casa cometem verdadeiras loucuras e endividam-se até aos 90 anos.

 

Para além dos preços elevadíssimos, o que é que todas têm em comum? Todas necessitam de alterações, mesmo as novas, primeiro porque se cometem erros crassos na construção, claramente porque ainda não se valoriza o trabalho de um arquiteto e porque todos achamos que somos as melhores pessoas para planearmos a nossa casa, segundo porque a maioria é pavorosa, a decoração muda-se com facilidade mas a carpintaria e as louças de WC’s que metem medo são detalhes importantes que custam os olhos da cara para alterar.

 

Não me parece boa ideia pagar por uma moradia geminada ou em banda o mesmo valor que custaria construir uma casa individual, parece-me ainda menos viável pagar por uma casa que necessita de obras, em alguns casos a fundo, o mesmo que pagaria por uma moradia individual de luxo, o preço das moradias novas é mesmo para esquecer a menos que ganhe a lotaria.

Ficámos com a opção do apartamento ou de construção.

Os apartamentos começam a parecer-me a opção mais óbvia, embora claramente inflacionados, paga-se por um apartamento o que se deveria pagar por uma casa geminada, ainda aparecem algumas opções interessantes zero quilómetros, alguns até com a possibilidade de escolha de acabamentos, um bónus.

O problema? A falta de espaço ao ar livre, a falta de privacidade e o barulho dos vizinhos.

 

Porque não construir?

Porque não conheço uma única pessoa que passe por este processo sem doses fatais de stress e que mesmo assim não chegue ao final e não tenha vontade de recomeçar do zero, eliminando uma quantidade gigantesca de erros.

A maioria arrepende-se da decisão ainda na parte burocrática, todo o processo é moroso e dispendioso, taxas, taxinhas e papéis que dão vontade de mandar todo o projeto pela janela.

Após a burocracia vem a dor de cabeça de controlar o que não é possível controlar, corre sempre alguma coisa mal, há sempre imprevistos, há sempre derrapagens financeiras, é uma dor de cabeça diária.

 

Resumindo a menos que se tenha uma disponibilidade financeira enorme que permita comprar, construir, vender, remodelar e se não satisfeito mudar, não há solução ideal.

Eu que ando sempre à procura da solução ideal para tudo vejo-me perante um dilema, que não me tirando o sono, longe disso, me deixa a pensar mais uma vez, vale a pena pensar em casa própria?

8 comentários

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    Psicogata 26.06.2018 16:05

    Começo a pensar que é mesmo a única solução, devem ter ouro as casas, vai-se a ver e as paredes escondem tesouros!
    Mas os terrenos também estão caros, é muito complicado.
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    Just_Smile 26.06.2018 17:21

    Têm surgido empresas com visões muito boas e com materiais muito bons baseadas em construções rápidas, de qualidade e cómodas, como já há muito existia pelo resto da Europa. Espero conseguir isso para mim, é a única esperança que tenho para não panicar com a construção da casa, além de serem acessíveis e não ter de penhorar a minha vida. Os terrenos andam caros, sem dúvida, facilmente aqui na terra pediam 60.000€ a 90.000€ por 600m2, nós tivemos imensa sorte. Por 20.000€ compramos quase 800m2, não é o terreno ideal, não é plano, tem dois socalcos, mas espero conseguir encontrar uma solução adaptada ao terreno, até porque não quero uma casa com mais de 200m2 :)
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    Psicogata 26.06.2018 17:24

    Já vi algumas opções dessas também, mas há ainda poucas referências.
    Os terrenos é a loucura total, chegam a custar 200€ o m2.
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    Just_Smile 26.06.2018 17:30

    Ele já andou a investigar materiais e tem-se rendido às evidências. Ai os terrenos, a nós foi mesmo sorte, acho que pessoas que percebiam pouco do mercado, juntamente com a vontade de vender rápido :P Valeu a pena o investimento, mesmo se acontecer alguma coisa e não construirmos ainda conseguiremos obter lucro daquilo...
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    Psicogata 26.06.2018 17:34

    Foi um excelente negócio, se quiseres vender ganhas dinheiro de certeza.
    Preciso de um negócio desses :) Acho que se arranjasse um bom terreno a bom preço optava por construir e resolvia a questão.
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    Just_Smile 26.06.2018 17:49

    Acredito realmente que em meios mais urbanos seja assim... Aliás, aqui é uma terrinha com 2000€ habitantes e havendo um bom negócio um rico atira-se logo a ele para fazer moradias germinadas...
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    Psicogata 26.06.2018 18:08

    Para não falar da especulação, estão a vender acima do preço real, o que complica muito as coisas.
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