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Língua Afiada

Eu, em modo professora

Parece mentira, até a mim parece mentira, eu que nunca tive paciência para isso, e na verdade não é bem isso que irá acontecer, mas não anda muito longe.

Daqui a 30m mais coisa menos coisa terei 30 alunos de uma escola profissional a tentarem perceber como funciona o departamento de marketing da empresa.

Estou a rezar para que sejam alunos desinteressados e com poucas perguntas, pois apesar de a visita estar marcada há um mês, eu e a responsável de qualidade tínhamo-nos esquecido completamente dela.

Não há qualquer problema eu safo-me com o improviso, só que digamos que o meu humor hoje está, elétrico, talvez seja essa a palavra, é que quando estava a tentar esquematizar que perguntas poderiam fazer, as respostas que me surgiram são no mínimo estranhas.

 

- O que é o marketing?

É tudo o que patrão não souber tratar sozinho.

- Como é que é trabalhar em marketing?

É como fazer omeletes sem ovos.

- Qual o orçamento da empresa para o marketing?

São as migalhas que sobram dos outros departamentos, especialmente do de vendas.

- O que é mais interessante no marketing?

É quando realmente alguém te deixa fazer marketing.

- Quais os objetivos de marketing para 2017?

Tentar que não estraguem o que fizemos em 2015 e 2016.

- Ser gestor de marketing é uma profissão interessante?

Só nos livros e nos filmes.

 

E depois dir-lhes-ia de forma muita séria e assertiva:

 

Meus caros, esqueçam o marketing e o departamento de marketing, nunca serão levados a sério, o mais certo é estarem debaixo do departamento comercial, quando supostamente deveria acontecer o contrário.

Serão constantemente vistos como potenciais bons comerciais, mesmo que não tenham a mínima apetência para vender um parafuso.

No máximo irão ter sorte de tratar da comunicação da empresa.

Boa sorte para não serem confundidos com designers gráficos e webdesigners.

Preparem-se para conhecerem o verdadeiro significado da polivalência e não serem recompensados por isso.

Preparem-se para ver a milhas erros de gestão e ninguém vos dar ouvidos, preparem-se para vos usurparem ideias e para estarem sempre nos bastidores.

A sério sigam o meu conselho, optem por outra área, qualquer uma, depois de terem um canudo se disserem que gostam de marketing, podem fazer marketing, até podem ser engenheiros ou advogados, não interessa nada.

O marketing é uma coisa abstrata na cabeça das pessoas e por isso pode ser desempenhado por qualquer um que tenha gosto, perdão, competência, para o fazer.

Por isso dedicam-se a outra coisa, ouçam quem só quer o vosso bem.

9 comentários

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    Psicogata 21.04.2017 10:55

    Correu bem, mas não estavam muito interessados, aliás não acho que estejam verdadeiramente interessados em nada.
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    Chic'Ana 21.04.2017 10:56

    Humm pois, é o normal das novas gerações infelizmente!
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    Psicogata 21.04.2017 11:43

    Não consigo entender isso, na nossa geração existiam barreiras à informação, a Internet não era acessível,não sabíamos como o mundo funcionava, quando queríamos saber sobre uma profissão tínhamos de perguntar a alguém, agora com tanta informação disponível ainda acham que conseguem chegar a algum lado sem estudarem!?
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    Chic'Ana 21.04.2017 11:47

    Esqueçe, a educação precisa de uma reestruturação profunda! Precisa do apoio dos pais essencialmente, estes não se podem demarcar...
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    Psicogata 21.04.2017 11:49

    Verdade, é necessário que os pais participem mais na vida dos filhos, mas com a vida que levamos hoje em dia também é difícil para os pais acompanharem os filhos, não têm tempo :(
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    Chic'Ana 21.04.2017 11:50

    É difícil mas não impossível, basta uma transmissão de valores de forma correcta: jantarem todos juntos deveria ser obrigatório e depois bastava 30min para o acompanhar nos estudos (tirar dúvidas, verificar trabalhos) e mais 30 de diversão!
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    Psicogata 21.04.2017 11:54

    Em minha casa fazíamos as refeições todos juntos, pequeno-almoço e almoço nem sempre dava, mas o jantar era sagrado, depois de mais velha conhecer algumas rotinas de novos colegas e amigos fiquei surpreendida com a quantidade de famílias que nunca se reuniam à mesa.
    Para não falar que muitas mães eram completamente sobrecarregadas pela completa ausência do pai.
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    Chic'Ana 21.04.2017 11:55

    Sim, é precisamente isso. Tem de existir uma boa dinâmica familiar: responsabilizar ambos pelas tarefas, pelos filhos. O jantar deve ser sagrado, pelo menos é a refeição mais "fácil" para estarem todos juntos, e com estes pequenos gestos se formatam pensamentos... se trocam conversas e experiências à mesa.. se demonstra o interesse..
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