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Língua Afiada

Existem cancros mais famosos do que outros ou apenas doentes mais famosos?

Eu não tencionava falar sobre este assunto, apesar de ter uma opinião bastante vincada não estava com vontade de a expor. No entanto, com o aumento de publicações que se referem a este assunto tive vontade de escrever.

A responsável por esta polémica é a Sofia Ribeiro que decidiu fazer um vídeo onde rapa o cabelo, não é um vídeo qualquer, é um vídeo carregado de significado para ela e para os amigos que aceitaram participar e confiar nela. O vídeo de seu nome “Confia” tem uma beleza crua e mostra-nos que uma mulher pode continuar bonita e completa sem cabelo.

A Sofia tem sido muito atacada pela divulgação do vídeo, atacam-na sobretudo por querer ter visibilidade, fama à custa da doença. Na minha opinião ela tem o direito de fazer o quer e bem entende com a doença desde que respeite a lei e o bom senso, o que até agora tem feito.

Existem ainda muitos tabus em relação ao cancro, as pessoas têm medo da palavra e daquilo que significa, mudam-lhe o nome, floreiam a questão por isso tudo o que se faça para divulgar a doença e promover a aceitação dos doentes eu vejo com bons olhos.

Cada um encara a doença de forma diferente, somos todos diferentes e por isso as nossas reações são diferentes.

Encarar uma doença maldita e castradora como uma missão é melhor do que baixar os braços ou fechar-se sob si próprio na minha opinião, mas todos temos formas de reagir diferentes e todas elas são válidas.

Se ela está a tirar partido da doença para se promover, não sei, sinceramente não quero saber, acho difícil que alguém consiga pensar assim:

Tenho cancro, nada a temer, vou aproveitar e ganhar mais mediatismo, fama, fãs e quem sabe até mais dinheiro com isto.

Se foi isto que pensou, parabéns! Se ser inteligente é a capacidade de adaptação a uma situação nova, esta reação é o exponente máximo da inteligência, pegar numa situação adversa e tirar partido dela da melhor forma.

Se por outro lado ela apenas o fez por querer contribuir para que existam menos tabus, para que cada vez menos mulheres escondam a cabeça rapada e menos pessoas as olhem como coitadinhas melhor ainda.

Sinceramente os motivos para mim são irrelevantes, afinal de contas os motivos para fazermos algo bom nunca são os mais altruístas, até quando ajudamos alguém fazemo-lo para nos sentirmos melhor connosco próprios. No fim de contas tudo o que fazemos é por nós, mesmo que às vezes pensemos ou queiramos pensar que não.

O que me irrita é que se fosse uma personalidade estrangeira ou até alguém desconhecido, possivelmente não haveria este desdém, é um mal dos portugueses, somos pequeninos e como tal relegamos para a pequenez qualquer um que queira ser grande, este desdém entranhado limita-nos em tudo.

Este desdém e a capacidade de vermos sempre algo de mal em tudo, conseguimos sempre adivinhar um motivo, um meio, um fim perverso em tudo o que vemos e achamos que temos dever moral de escrutinar.

E esta mania de generalizar, eu sei que nem todos pensamos assim, mas está-nos um pouco no ADN e embora muitos de nós já nos consigamos desviar desse caminho, existem ainda muitos outros que continuam a ver o mundo pelo lado negativo.

8 comentários

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    Psicogata 18.01.2016 14:11

    Exatamente serve para lembrar que a doença não escolhe cor, credo, idade ou estrato social e por isso é preciso estamos atentos e não olhar para o lado.
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    Moralez 18.01.2016 14:16

    E não podemos descurar nos rastreios, para o cancro e para outros males, um conhecido num rastreio básicos que fazem nas empresas descobriu que o coração dele tava muito danificado e se não fosse operado de urgência podia não acordar… um simples rastreio… o coração dele estava por um fio de seda!
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    Psicogata 18.01.2016 14:26

    É muito importante o rastreio e a prevenção. Infelizmente em Portugal ainda se deixam muitos exames de diagnóstico precoce por fazer devido a custos, esquecem-se que é muito mais caro tratar as doenças depois.
  • não só mas também. O sobre-diagnóstico também tem os seus problemas. Na fatia da população à qual a Sofia e tantas mais mulheres pertencem, não está indicado rastreio, e não faz sentido que esteja. O crescimento do tumor não é previsível, e no mesmo ano duma mamografia ou eco mamária aparece. Um tumor de até 15 mm pode crescer em meio ano. A palpação é fulcral e deve ser fomentada e as mulheres não podem desvalorizar, não faltam casos em que o tumor tem 5 ou 8 cm até se ir ao médico. 80 a 90% dos tumores até 15 mm têm tratamento com sucesso.
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    Psicogata 18.01.2016 14:45

    Penso que o Moralez se estava a referir a todos os rastreios e exames de todas as doenças.
    No caso do cancro da mama, a palpação é essencial e não é prejudicial ao organismo nem aos cofres do estado.
    Mas existem várias situações detetadas tarde demais por falta de exames.
    As ecografias não emitem radiação e as ressonâncias magnéticas também não, conheço dois casos de doenças que poderiam ter sido detetadas atempadamente se os médicos tivessem autorizado uma ressonância magnética. Mas não autorizaram, porque é sempre em último recurso.
    Eu, há cerca de 2 anos apanhei um susto, felizmente o médico que me pediu as análises ao sangue disse-me para não aguardar disse-me que se no hospital público me pedissem primeiro raio-x ou ecografia que não perdesse tempo e que avançasse particularmente para ressonância magnética o único exame que me daria a certeza dos resultados. A médica do hospital felizmente concordou com ele e pediu de imediato a ressonância, não passou de um susto mas em menos de uma semana fiquei descansada.
  • pois, infelizmente o erro humano é impossível de retirar da equação, deviamos estar mais habituados a fazer parte do tratamento e a pedir segundas opiniões. Estava a referir-me mais ao ca de mama.
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    Psicogata 18.01.2016 16:08

    Eu acho que o problema agrava-se quando se juntam cortes orçamentais e ignorância, os médicos não podem passar os exames, as pessoas confiam e deixam andar.
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