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Língua Afiada

Indecisões, condicionalismos, burocracias e aborrecimentos vários – Simplex? Nem vê-lo.

Nunca gostei do nome Simplex, parece a cópia pobre do ”Clix custa nix”, nestas coisas sou antiquada, acho que as denominações escolhidas para organizações, entidades, programas, medidas estatais devem ser em bom português de Portugal.

E se verificarmos bem o topónimo o que parece anunciar é a junção do simples com o ex, ou seja, o simples que deixou de ser, será que ninguém fez esta interpretação? O nosso cérebro, sempre atento, assimila os termos em separado e processa-os inconscientemente, talvez por isso nunca tenha apreciado o termo.

 

Goste-se ou não da palavra, o Simplex surgiu para nos facilitar a vida ou para facilitar a vida aos fáceis, pelo menos é isso que se passa no caso da abertura de uma empresa, pois quem se preocupar com todos os detalhes, como por exemplo, quem desejar criar o nome da empresa depara-se de imediato com o primeiro condicionalismo, escolher um nome da lista que, sejamos meigos, são anedóticos ou ter o dobro do trabalho e registar o nome que pretende.

E aqui começa a saga da burocracia, dos processos, dos atrasos, houve um em particularmente interessante, necessitarmos de um documento para abrir uma conta bancária e necessitarmos de conta bancária para termos esse documento.

 

Ultrapassados todos os constrangimentos iniciais passa-se à etapa seguinte que implica abrir um estabelecimento e aqui é que as coisas se complicam, com opiniões distintas dentro do mesmo gabinete, com inspetores mal-intencionados e com as ofertas mais absurdas de serviços que não lembram ao diabo.

Não é de admirar que a maioria das empresas e estabelecimentos não cumpram a legislação porque é quase impossível, especialmente se os recursos forem limitados, cumprir com todos os requisitos e abrir em tempo útil.

 

Para além de todos estes entraves burocráticos, existem depois os nossos próprios entraves, quando nos dedicamos muito a um projeto queremos que tudo esteja perfeito e nem sempre é possível, mas para quem pensa tudo ao detalhe não conseguir esse detalhe é uma frustração e um stress.

É preciso abdicar, optar e tomar decisões que não nos agradam para que o projeto possa avançar, custa muito, morremos um bocadinho sempre que abdicamos daquela ideia espetacular por falta de tempo ou orçamento, mas não temos outro remédio.

 

Neste momento estou entre a mentalização que não é possível esperar que tudo esteja perfeito e entre a negação, ainda quero acreditar e convencer os meus sócios que é possível que tudo fique tal como imaginamos, mas começo a aperceber-me que terei de abdicar de alguns pormenores e modificar outros para que se encontre um meio-termo que não prejudique o conceito nem o prazo de execução.

Montar um negócio pode ser simples, se formos pelo caminho mais fácil ou se não tivermos constrangimentos financeiros, trilhar o próprio caminho com um orçamento restrito não é fácil.

 

Tudo que nos realiza de alguma forma é trabalhoso e envolve esforço, só assim as conquistas têm um valor especial, se voltava atrás? Nunca, não há nada mais gratificante do que ver um sonho materializar-se, nem que seja com pequenos ajustes dados pela realidade.

3 comentários

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    Psicogata 26.10.2017 15:21

    A primeira parte foi mais ou menos como disseste, deu-se a volta à questão e resolveu-se, só tivemos mais trabalho porque não quisemos nenhum nome disponível na lista deles e complica logo.

    Mas quando chegamos à Câmara é que é para esquecer! Que filme!
    É impossível cumprir tudo porque tal como dizes as coisas não são coerentes, é preciso muita paciência e disponibilidade, é preciso estar sempre a correr para o gabinete do munícipe.
    Isso ou contra-se uma empresa pomposa que resolve tudo sabe-se lá bem como, mas que custa uma fortuna.
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    Andy Bloig 26.10.2017 15:32

    Já tive de resolver um problema por causa da porcaria de uma dúzia de degraus que davam acesso ao espaço superior... o dono da loja tratou de tudo e o fiscal mandou mudar o corrimão, instalar outro no meio e mudar a superfície de mármore para algo mais áspero. Depois de fazer tudo, o corrimão do meio não cumpria a distância mínima que outra alínea pedia. Salta fora. O homem já andava pelos cabelos com aquilo. Tinha tudo de acordo com o que era pedido e faltava sempre alguma coisa para lhe darem autorização para abrir. Já depois de ter o restaurante aberto, ainda o queriam multar, porque um extintor estava virado para a entrada do estabelecimento quando devia estar virado para a cozinha... que ficava uns graus ao lado da porta de entrada.
    Essas empresas já tem desenhos que sabem que as câmaras aceitam ( levando o envelope por baixo do projecto). Já conheci um que usou essa forma e em menos de 2 semanas tinha a porta aberta.
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