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Língua Afiada

Lucrar com a morte

Tanta indignação e ninguém se indigna com…

… O cangalheiro.

Haverá coisa pior do que lucrar com a morte de alguém?

Eu sempre me perguntei como é que os cangalheiros, agora chamados de agentes funerários, pensam no seu negócio.

 

O que será que lhes passa pela cabeça quando o negócio está mau?

- Hoje não morreu ninguém, ontem também não, isto está mau para o negócio.

- Antigamente é que era, não precisava de esperar pelos velhos, agora com os avanços da medicina ninguém morre novo, graças a Deus pelos acidentes.

 

E quando pensam em expandir?

- Acho que vou alargar a minha área de atuação para a freguesia vizinha, tem um índice de acidentes mais alto.

- Será que posso fazer um contrato com um hospital para me darem preferência? Poderia dar um incentivo aos funcionários da morgue?

 

E que tipo de anúncios fazem?

- Caixão espaçoso e confortável, acabamentos de primeira, madeira de carvalho de alta qualidade, forrado a cetim e devidamente acolchoado.

- Caixão com renda estampada, guarnições tremidas e castelos. (verdadeira esta)

- Garantimos uma passagem confortável para o outro lado.

 

Teria imensos slogans para vos presentear mas nada supera os verdadeiros.

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6 comentários

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    Psicogata 02.05.2016 20:34

    É complicado, porque para terem trabalho as pessoas têm de morrer
    É uma situação estranha.
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    LadyVih 02.05.2016 21:30

    sim.. é um bocado ingrato. Mas, as pessoas com quem trabalhei, foram talhadas para aquilo. São pessoas delicadas e atenciosas. Se é para alguém ter esse trabalho, que sejam eles!
    A besta da minha colega (nas Juntas temos de tratar de legalizações de campas e de enterramentos), quando alguém falece pergunta TUDO sobre o falecido (coisas desnecessárias). Até mete nojo... Sensibilidade zero!
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    Psicogata 03.05.2016 09:09

    Tinhas uma colega parvinha de todo.
    Uma das características importantes dos agentes funerários é a descrição.
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    LadyVih 03.05.2016 11:34

    Parvinha não, parvalhona mesmo.
    Depois ouvia mas respostas e com razão...O que me partia o coração ver aquelas coisas. Falei com ela montes de vezes mas de nada adiantou. Até que fui falar com a minha chefe e expliquei a situação. Fui queixinhas? Fui. Mas é um momento tão delicado que acho que ninguém merece ter uma pessoa estúpida a perguntar coisas como "Onde morreu? Como morreu? a que horas? A que horas é o enterro? Quem eram os herdeiros? Onde estava a morar" quando depois os senhores da agência funerária trazem toda a documentação necessária. Há pessoas que não são talhadas para lidar com pessoas.
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    Psicogata 03.05.2016 11:38

    Não acho que tenhas feito queixinhas, acho que tomaste a atitude correcta , especialmente se o comportamento dela afectava as pessoas, se fosse uma parvoíce inofensiva até se releva mas quando afecta pessoas especialmente numa situação tão frágil acho que tomaste a atitude certa.
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