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Língua Afiada

Motards não são todos Hells Angels

Os preconceitos fazem parte de qualquer cultura, são-nos incutidos pela educação, pelas palavras, pelas atitudes, pelas histórias, até pelas piadas, crescemos e vivemos com eles, muitas vezes sem termos noção que somos preconceituosos. Não pensamos muito sobre o assunto, raramente fazemos esse exercício de pensar se realmente aceitamos e tratamos todas as pessoas da mesma forma e mesmo pensando e descobrindo que não, serão poucos os que o admitirão sem atirar um não tenho nada contra, só não quero nada com eles, o “eles” podem ser pessoas de cor, ciganos, polícias e motards.

 

Não quero de forma nenhuma defender o comportamento criminoso e totalmente condenável do grupo Hells Angels, mas não podemos tomar a parte pelo todo, em Portugal existem centenas, se não milhares, de moto clubes, há quase um por cada freguesia, são coletividades que funcionam como os ranchos folclóricos ou clubes de corrida, têm uma sede, um local onde se encontram para confraternizar, organizam rides e diversas atividades, as motos não são nada mais do que uma desculpa para o convívio saudável de amigos e respetivas famílias. Existem ainda diversos clubes sem sede e órgãos sociais, amigos e conhecidos unidos por um gosto comum, as suas motos.

 

Infelizmente existe preconceito para com os motards especialmente os que são o estereótipo de motard mauzão, cabelo comprido, barba, tatuagens, casaco de cabedal, acredito que este preconceito não tem por base as más experiencias com eles, mas os filmes que comumente os retratam como feios, porcos e maus, mas essa não é de todo a realidade de Portugal e da maioria dos países da Europa, embora os gangues tivessem sido importados eles não representam nem por sombras a maioria.

Curiosamente do outro lado existe o estereótipo do bom rebelde, o rapaz cool que tem uma moto e leva a namora da passear por um cenário edílico, voltamos novamente aos filmes e é por causa deles que estes estereótipos complemente antagónicos coabitam na nossa mente e sociedade.

 

Como em todos os locais existem pessoas boas e pessoas más nos moto clubes, mas a maioria mobiliza-se pelo bem, ajudam causas sociais e pessoas necessitadas, o espírito de grupo e de interajuda é uma parte importante nas associações e coletividades e nos moto clubes não é diferente. Por isso que fico triste com o preconceito e pela forma como alguns são tratados, tomar a parte pelo todo nunca é certo, o pior preconceito é nas estradas, os condutores de automóveis não têm qualquer respeito pelos motociclistas, esquecendo-se que eles estão muito mais expostos do que alguém que viaja protegido numa caixa de metal.

É claro que existem motociclistas imprudentes que se colocam em situações de perigo, como existem automobilistas que o fazem diariamente, isso não significa que devemos despreza-los e maltrata-los a todos e muito menos dificultar-lhes a vida.

Acredito que muitos automobilistas fiquem frustrados quando estão parados nas filas de trânsito e são ultrapassados por motociclistas, mas quem conduz moto muitas vezes tomou essa opção precisamente pela comodidade de andar na cidade, de estacionar e claro pela poupança em combustível.

 

As motos na sua maioria são amigas do ambiente, usam gasolina em vez de gasóleo, consumem menos, logo poluem menos, facilitam o trânsito e o estacionamento nas cidades, é por isso que são o meio de transporte privilegiado em diversas cidades europeias a par com bicicletas elétricas ou não e outros veículos mais amigos do ambiente e do trânsito.

Infelizmente em Portugal pouco se faz para fomentar esta tendência, a obrigação das motos 125 serem presentes a inspeção é precisamente uma medida contrária à tendência, esperemos que este caso dos Hells Angels não contribua para que os portugueses olhem ainda com mais desconfiança para este meio de transporte, estar em Paris, Barcelona ou Roma e ver passar centenas de motos e vespas é um colorido para os olhos.

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