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Língua Afiada

O desequilíbrio das Relações Sociais

Não se pede desculpa pela ausência, está-se presente a partir da falha.

Não se pede desculpa pelo esquecimento, mantém-se na memória para sempre.

 

Na correria da vida, entre os desaires, os desgostos, os percalços, as surpresas os momentos felizes sobressaem só para logo se desvanecerem, dando lugar ao que poderia ter sido, ao que poderá ser, sem espaço para o que é.

As relações sociais não são simples, não são preto no branco, são uma enorme área cinzenta com imenso espaço para serem coloridas, mas é preciso querer colorir, não basta dar espaço é preciso ceder a tinta e os pincéis.

O resultado nem sempre é justo, muitas vezes colorimos a vida dos outros sem tinta ou pincéis e mesmo colocando à sua disposição todos os materiais a nossa tela continua cinzenta sem cor.

 

Não há uma ciência exata para colorir e deixarmo-nos colorir, não há sequer uma tendência ou coerência, as nossas telas são fruto do que fazemos, mas acima de tudo do que os outros estão dispostos a fazer por nós e é precisamente aqui que a balança não é justa, existindo profundos desequilíbrios.

 

De um lado os que fazem tudo para colorir a vida dos outros, do outro os que se deixam colorir, ambos o fazem por natureza, inconscientemente, ocasionalmente os primeiros percebem que de volta só recebem quadros em branco, enquanto os segundos raramente notam que nada fazem para merecer os seus quadros faustosos de cores vivas e alegres.

Tentar corrigir esta equação só a torna mais negativa, pois quem sempre recebeu em vez de perceber que para não receber é porque deve mudar, limita-se a afastar-se e a procurar novos pintores, quem deixa de pintar irá eventualmente direcionar a sua atenção para uma tela diferente.

 

Esta é apenas mais uma injustiça da vida, uma injustiça que já percebi não se corrige com o tempo, não se equilibra, uns parecem fadados a dar, outros a receber.

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