Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Língua Afiada

O véu de Marine Le Pen

Há muito que quero falar sobre da líder da Frente Nacional, o partido de extrema-direita francês, teria muito a dizer sobre as propostas de Marine Le Pen.

Mas hoje, e apesar de não concordar em nada com a sua ideologia, tenho de dizer que fez muito bem em recusar-se a usar véu no encontro com o mufti de Beirute.

Aplaudiria de pé a atitude, caso não percebesse o perigo da disseminação desta atitude, este tipo de comportamentos aplaudidos colocam-na mais perto da vitória.

Esta ilusão que ela defende os valores da República, das mulheres e outros similares é perigosa, ela até pode defender, a verdade é que todos os candidatos defendem sempre o melhor para o seu país, mas é um melhor à sua imagem, de acordo com os seus valores.

Queremos um país, uma Europa forte, mas a que custo?

Valerá a pena sacrificar décadas de liberdade, igualdade e fraternidade para conseguir um país mais forte?

E será realmente um país mais forte? Ou será um país mais fechado? Culturalmente mais pobre? Mais triste?

Há muito que falo do poder de contaminação da eleição de Donald Trump e do Brexit, se esta ideologia se propagar à França esperam-se tempos tumultuosos na União Europeia, a França sempre teve um papel determinante na defesa da liberdade e da igualdade, será que a Europa estará preparada para assistir a uma inversão de papéis?

Passará a ser a Alemanha a defensora da igualdade? Resistirá Angela Merkel?

Estas questões parecem estar longe do mundo dos portugueses, mas estão muito próximas, estão mesmo aqui no nosso quintal, e não, não é porque temos muitos portugueses espalhados pelo mundo, é mesmo porque Portugal faz parte da Europa e do Mundo e se o Mundo ficar doente nós sofreremos as consequências, se não formos contagiados pelo vírus do protecionismo, seremos afetados pelas sequelas dos outros países, especialmente da Europa.

Estaremos a regressar às fronteiras? Ao protecionismo? À concorrência? À exclusão? À discriminação? À segregação? À desunião de nacionalidades, credos e raças?

Esperemos que este tempo de incerteza sirva para reforçar os valores que uniram a Europa e não para a dividir e separar.

Que este véu negro que cobre a Europa se rasgue e voe para bem longe.

10 comentários

  • Imagem de perfil

    Psicogata 22.02.2017 11:24

    Eu não vejo mal em ela recusar usar véu, acho que fez bem, tendo dado essa justificação mais do que válida ou não tendo dado.
    Não é aqui essa a questão.
    O problema é sempre o dinheiro e a próxima crise financeira será ainda pior do que a anterior... Nem quero pensar nas consequências.
    Mas se pelo caminho perdemos valores, o que nos restará?
    É um caminho perigoso este da divisão da Europa.
  • Imagem de perfil

    Andy Bloig 22.02.2017 11:29

    Os valores tem mudado muito ao longo do tempo.
    Nestes 25 anos, viveu-se muito acima da capacidade do mundo, graças ao dinheiro ter aumentado (brutalmente...) em disponibilidade. Uma das maneiras foi centrar a produção onde os custos são mais baratos. É por isso que podes comprar um telemóvel por 500 euros, quando as peças para ele podem custar 5000 euros. Melhorou a capacidade de vida, centrando as coisas. Num sistema perfeito, está certo mas, o mundo nunca foi nem nunca será assim. A igualdade de cá é diferente da do Irão que é diferente da de França e que é diferente da Indonésia. Quando removes as formas de gerir essas ligações, já perdeste os teus valores e não os podes reclamar de volta.
  • Imagem de perfil

    Psicogata 22.02.2017 11:36

    Há realmente uma disparidade entre o que se compra e o valor para produzir determinados produtos.
    Já se sabia que esta economia frágil não duraria muito tempo, com o aumento da classe média da China aumenta o consumo interno e os preços para os produtos exportados aumentam.
    Há tendência para voltarmos a privilegiar a economia local e os produtos nacionais, mas isso é uma questão de mentalidades, não é pelo fecho de fronteiras que se consegue, o que acontecerá quando as pessoas perceberem que não terão acesso a um sem fim de produtos que tinham como garantidos?
  • Imagem de perfil

    Andy Bloig 22.02.2017 11:43

    Essa é a parte que ainda está escondida e que pouca gente se importa.
    É por isso que estamos num limbo, que qualquer lado para onde te vires, os problemas são maiores que as virtudes. É nisso que as eleições vão pesando. Dantes, tinhas os instrumentos de fronteiras para aumentar o preço das coisas externas, beneficiando as internas.
    Ainda ontem revelaram um inquérito onde 74,6% das pessoas não se importavam de comer 1 carcaça por dia como refeição durante 2 semanas, em troca de terem um telemóvel topo de gama. No entanto, só 35% fariam o mesmo por um carro topo de gama.
    É nisto que o extremismo vai ganhando pontos e no momento de votar, pesando um e outro, escolhem aquele que puxa pela parte pessoal, já que os outros é habitual prometerem tudo e espetar-lhes uma faca nas costas.
  • Imagem de perfil

    Psicogata 22.02.2017 11:48

    As pessoas não se importam porque não pensam...
    Será que ninguém pensa como é possível comprarmos uma peça de roupa 70% mais barata que há 30 anos atrás?
    As pessoas estão descontentes, à deriva, se alguém chegar com uma tábua de salvação e lhes der esperança, elas agarram-se muitas vezes sem pensar nas consequências.
    É como vender a alma ao diabo pela vida eterna, só que esquecem-se de perguntar se essa vida é realmente boa.
  • Imagem de perfil

    Andy Bloig 22.02.2017 11:52

    É isso mesmo que está a acontecer. Enquanto era tudo bonito e "livre" ninguém se importava com essas coisas. Agora, aquilo que prometeram como o "mundo unido", já não chama a atenção. Quando te tiram o pouco em que acreditas, até votas no diabo para te vingares daqueles que te usaram para proveito próprio durante tanto tempo. Nem que seja porque sabes que o diabo te irá trair e não será supresa nenhuma.
  • Imagem de perfil

    Psicogata 22.02.2017 11:56

    É mesmo isso querem-se vingar dos políticos e das políticas que conduziram o mundo a este ponto, mas não param para pensar que não estão a vingar nada, só a fazerem a sua própria vida mais difícil, porque os responsáveis por isto nunca serão verdadeiramente afectados.
  • Imagem de perfil

    Andy Bloig 22.02.2017 12:02

    O que a maioria das pessoas ignorava é que os políticos não passam de fantoches nas mãos de outros que não se mostram. E para se vingarem disso, vota-se no que diz as coisas que se dizem em "conversas de café".
  • Imagem de perfil

    Psicogata 22.02.2017 12:10

    Claro, mas também aqui não sabem porque não querem, há muita coisa que já foi desmascarada, mas as pessoas preferem não saber, vivem melhor assim.
    Só que depois não votam com consciência e estamos assim, com políticos que são fantoches das grandes corporações.
  • Comentar:

    CorretorEmoji

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.