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Língua Afiada

O véu de Marine Le Pen

Há muito que quero falar sobre da líder da Frente Nacional, o partido de extrema-direita francês, teria muito a dizer sobre as propostas de Marine Le Pen.

Mas hoje, e apesar de não concordar em nada com a sua ideologia, tenho de dizer que fez muito bem em recusar-se a usar véu no encontro com o mufti de Beirute.

Aplaudiria de pé a atitude, caso não percebesse o perigo da disseminação desta atitude, este tipo de comportamentos aplaudidos colocam-na mais perto da vitória.

Esta ilusão que ela defende os valores da República, das mulheres e outros similares é perigosa, ela até pode defender, a verdade é que todos os candidatos defendem sempre o melhor para o seu país, mas é um melhor à sua imagem, de acordo com os seus valores.

Queremos um país, uma Europa forte, mas a que custo?

Valerá a pena sacrificar décadas de liberdade, igualdade e fraternidade para conseguir um país mais forte?

E será realmente um país mais forte? Ou será um país mais fechado? Culturalmente mais pobre? Mais triste?

Há muito que falo do poder de contaminação da eleição de Donald Trump e do Brexit, se esta ideologia se propagar à França esperam-se tempos tumultuosos na União Europeia, a França sempre teve um papel determinante na defesa da liberdade e da igualdade, será que a Europa estará preparada para assistir a uma inversão de papéis?

Passará a ser a Alemanha a defensora da igualdade? Resistirá Angela Merkel?

Estas questões parecem estar longe do mundo dos portugueses, mas estão muito próximas, estão mesmo aqui no nosso quintal, e não, não é porque temos muitos portugueses espalhados pelo mundo, é mesmo porque Portugal faz parte da Europa e do Mundo e se o Mundo ficar doente nós sofreremos as consequências, se não formos contagiados pelo vírus do protecionismo, seremos afetados pelas sequelas dos outros países, especialmente da Europa.

Estaremos a regressar às fronteiras? Ao protecionismo? À concorrência? À exclusão? À discriminação? À segregação? À desunião de nacionalidades, credos e raças?

Esperemos que este tempo de incerteza sirva para reforçar os valores que uniram a Europa e não para a dividir e separar.

Que este véu negro que cobre a Europa se rasgue e voe para bem longe.

3 comentários

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    Psicogata 22.02.2017 15:00

    Por causa disso é que ela está a ganhar terreno, porque as pessoas estão com receio, a juntar à insegurança dos atentados, temos a crise dos refugiados, tudo junto é assustador.
    Mas tal como dizes, não é um problema de França, é um problema da Europa e a Europa não pode assobiar para o lado quando há tantos locais no Mundo onde são mortos inocentes sem motivo.
    No fundo estamos a pagar por vivermos alheados do mundo.
    Alguém achou que poderia viver à grande à francesa enquanto metade do mundo passa fome e guerra?
    Era uma questão de tempo até as duas realidades se misturarem.
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    Mula 22.02.2017 15:04

    Verdade!
    Mas pronto, não consigo julgar as pessoas não quererem aquele cenário, eu também não gostaria, e no fundo vivemos num país privilegiado porque ninguém quer vir para cá, não temos uma segurança social suficientemente interessante, a verdade também é essa, e claro que França e Alemanha são as mais interessantes, e em breve Luxemburgo, imagino eu. Agora Espanha, Portugal e Itália ninguém quer... somos pobres...

    Mas que é tudo demasiado assustador é, porque por muito que venham ali muitos inocentes, desesperados, que vêm, e eu no lugar deles também gostaria que me ajudassem, a verdade é que também lá devem vir misturados terroristas e.... isso assusta-me tanto...
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