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Língua Afiada

Ofendidinhos e feministas radicais

Não sei o que é pior os ofendidos de serviço que se sentem convocados a intervir sempre que acham que a moral, os bons costumes e o decoro estão em falta ou se as feministas que veem em tudo machismo e sexismo.

Primeiro foi a mama no jogo do Benfica, um escândalo filmarem uma mulher bonita no meio de um estádio, o problema? Foi o cameraman achar que não devia mostrar-lhe a cara, se tivesse filmado o rosto como é habitual não haveria este escândalo.

Porque se é para existir escândalo há que os fazer em todos os jogos, pois não há um em que os operadores de câmara não foquem mulheres bonitas, eu acho este comportamento altamente sexista, mas não é por mostrarem mulheres, é mesmo porque não nos mostram também homens bonitos.

E isto não se passa só em Portugal é um flagelo global, em todos os desportos, todos sem exceção os operadores de câmara com os seus olhos treinados e experientes descobrem as mais perfeitas beldades seja na Volta à Portugal, seja no Open Estoril.

O mesmo se passa na atribuição de prémios, acho que deviam contratar modelos masculinos para se passearem pelos pódios, já estamos fartas de ver sempre esbeltas mulheres de trajes reduzidos a levar banhos de champanhe.

 

 

Em Espanha as nadadoras-salvadoras foram aconselhadas a vestir calções ou calças por cima dos biquínis, tudo porque os broncos do costume se lembraram de fazer piadas sexistas nas redes sociais com fotos dos seus rabos.

Ora aqui há um problema e é grave, porque em vez de penalizarem os agressores estão a culpar as vítimas, a típica conversa do “ela estava a pedi-las”.

 

Mas agora voltamos à pré-história?

As nadadoras-salvadoras até podiam estar nuas, não é por isso que alguém tem o direito de as fotografar e publicar as suas fotos com comentários sexistas. Ou agora não temos direito à privacidade?

Estamos a brincar? Só pode ser brincadeira ou então é pura estupidez, penalizar as vítimas de assédio em vez dos idiotas que as assediaram, a direção do Salvamento Marítimo de Gijon deveria sim proteger as suas colaboradoras condenando a exposição pública e responsabilizando quem tirou as fotos.

Será que agora não podemos vestir o que bem entendemos sob pena de qualquer um nos tirar fotos e as colocar online? Teremos agora de equacionar isso antes de colocarmos os pés na rua ou numa praia?

Estamos em locais públicos, mas a nossa imagem não é pública e não deve, não pode ser usada por estranhos para fazer piadolas nas redes sociais.

 

O que falta?

Legislação, legislação sobre o que se coloca e se escreve nas redes sociais, uma vez que as pessoas não conseguem ter o discernimento de as usar com civismo e educação.

Têm dúvidas sobre o que colocar?

Pensem se diriam o mesmo se estivessem cara à cara com a pessoa.

Pensem que se fosse alguém da vossa esfera pessoal, mãe, filha, irmã, pai, filho, irmão iriam gostar de ver a mesma publicação.

Caso uma das respostas seja negativa não publiquem, tirem mais uma selfie parva e fiquem-se por aí.

3 comentários

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    Psicogata 10.08.2017 14:07

    Eles não barram porque não lhes interessa, porque têm mecanismos para o fazerem, mas eles gostam é que as pessoas interajam umas com as outras a qualquer preço.

    Eu não posso agredir e ameaçar verbalmente na rua, o que se pede é que se transponha isso para o online, mas de forma inequívoca e que se usem as próprias redes sociais para divulgar massivamente que insultos e injúrias realizadas na Internet são punidos.
    Já o são, mas é importante que se fale mais no assunto e que se criem leis específicas sob a privacidade das pessoas.
    A instrumentalização das redes sociais e da comunicação é cada vez mais visível, mas é ao mesmo tempo cada vez mais difícil de identificar e reconhecer, daqui a nada ninguém irá saber distinguir um facto de um boato.
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    Andy Bloig 10.08.2017 14:25

    Há uns meses quiseram criar uma "rede social de amizade"... que durou 3 meses pois o bloquearem quem ía para lá despejar frustrações levou a que perdessem actividade e o rendimento.
    "Falem mal ou falem bem, o que interessa é falarem."

    Há anos que isso está a acontecer. Lançam-se boatos, tanta gente os comenta que são reconhecidos como factos. Assim como os jornalistas que trabalham para ganhar o ordenado e vender uma notícia com uma direcção específica, mesmo que saibam que é falsa, dá dinheiro. As redes sociais deram cabo do que era a confirmação das coisas. Desde que se publique logo após acontecer, não interessa se é ou não aquilo. Então se é algo que sirva para atingir outros, melhor é.
    Basta lembrar que uma certa actriz portuguesa (ou será brasileira?) passou meses a publicar textos produzidos para gerar revolta e protesto para ser reconhecida, agora escreveu um livro com esses textos e as formas como foram comentados.
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