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Língua Afiada

Os erros ortográficos dos outros

Gosto de pensar que este blog sempre foi uma casa calorosa, onde quem vem por bem é bem-vindo e quem vem por mal é respeitado. Durante meses escrevi para pouquíssimas pessoas, leitores fiéis que achavam piada ao que escrevia, esses leitores foram crescendo e de 2 ou 3 passaram a 20 ou 30 e o blog foi crescendo.

Quando transferi o blog para o Sapo, o blog ganhou outra visibilidade, não só porque a vizinhança é muita atenta, mas porque a própria dinâmica do Sapo Blogs divulga os blogs da casa. Mas, se os Destaques do Sapo Blogs atraem críticas, os destaques na Homepage do Sapo são um chamariz de revoltados, inquisidores e professores, já expos a minha posição sobre quem acha que tem um blog melhor do que os outros aqui, não me vou repetir.

 

Tento ao máximo que os meus textos não tenham erros ortográficos, mas há gralhas que me passam, tenho a agradecer ao meu marido, Moralez, pelas diversas vezes que me chama a atenção.

Não gosto de ler textos com erros ortográficos, especialmente se forem erros de palmatória, mas não me sinto no direito de andar por essa Internet fora a corrigir o português dos outros.

Irrita-me até quem esquece todo o significado de um texto só porque não é uma obra-prima literária, retirando voz, paixão e intenção ao autor.

 

Agora o que me irrita a sério e me espanta é todos os dias deparar-me com notícias com gralhas, tantas que por vezes até alteram o sentido das frases, e não aparecem em sites pouco credíveis, aparecem mesmo em meios noticiosos de referência e não vejo ninguém preocupado com isso.

 

Pergunto-me os inquisidores deixam passar as gralhas dos jornalistas e perseguem os bloggers? A que propósito?

Por acaso pensam que uma pessoa que decidiu criar um blog tem obrigatoriamente de ser exímia a escrever?

E pensam que só quem é brilhante a escrever é que tem direito a opinião?

Não poderá alguém escrever de forma simples um pensamento simples e ter direito de antena?

Não há paciência para tanta perseguição, tanto escrutínio à “qualidade” dos textos, há a qualidade de escrita, da fluência e da organização do texto e há a qualidade do conteúdo, da intenção, do tema, se o autor não é brilhante a expor as suas ideias, pode ser brilhante só porque teve a ideia em si.

 

Tenho para mim que o que chateia muita gente, são as ideias, ter boas ideias não é para todos e claro é muito fácil diminuir as ideias dos outros, cingindo-as aos erros ortográficos e gralhas do texto.

6 comentários

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    Psicogata 14.11.2016 12:33

    Esses são os que dão mais gozo, escrevem um testamento para criticar um erro que está cheio de erros.
    A mim acusaram-me de escrever um texto fraquinho, deve ter sido um crítico literário...
    Eu gostava de saber o que leva alguém a fazer esse tipo de comentários, tanto azedume credo.

    Já me apercebi das traduções, nota-se que as construções frásicas não estão bem feitas e muitas vezes nem fazem sentido.
    Notícias antigas que originam dados errados é aos pontapés.
    Muitos desses erros prendem-se com a pressa que os meios de comunicação têm em libertar conteúdos, antes que o público em geral os divulgue em massa nas redes sociais.
    É comum ver-se nas notícias vídeos que já vimos há um ou até dois dias.
    As notícias cada vez mais são velhas, mas os meios noticiosos deveriam encarar isto como uma oportunidade e não como uma ameaça, sendo que publicar mais tarde, mas com informação adicional e mais precisa faz toda a diferença.

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    Andy Bloig 14.11.2016 12:51

    Quem faz esses comentários são pessoas que se acham muito importantes e que o corrector ortográfico do computador/telemóvel, não os deixa escrever com erros. Por isso, desatam a debitar o seu "conhecimento" armados em personalidades muito importantes. Nas redes sociais existem milhões de milhões deles... nalguns casos até assustam tal é a quantidade. (Quando foi a situação dos fogos, parti-me a rir com um que foi comentar na associação das forças armadas, por causa de um pretenso erro de gramática. Um aluno universitário de uma coisa qualquer de comunicação, que tinha no perfil algo como: "Somos poucos para a alma exventrada da sociedade.")

    É por causa dessa pressa que devemos ter muito cuidado ao acreditar em tudo o que se lê. As redes sociais tem 40 notícias falsas por cada verdadeira. E em alturas específicas, existem pessoas contratadas para espalharem notícias falsas como sendo verdadeiras. Acabam por se tornar "virais" e vão parar aos sites dos jornais. Aconteceu com o IMI, aconteceu com o IRS, aconteceu com a isenção do IUC dos deficientes, aconteceu com o combate aos fogos... e as mesmas pessoas continuam a acreditar que aquilo foram meros acasos. Depois de lançarem o pânico, as notícias são corrigidas para as coisas certas, já tendo lançado o pânico. Pelo meio disso, nem notam que certas frases tem erros que dão a perceber que aquilo foi copiado de algum lado, sem terem olhado para o conteúdo. É algo que os jornalistas mais antigos nunca fariam. Primeiro viam a informação, analisavam e notavam a maioria dos erros ortográficos e de gramática, se confirmassem os dados, a notícia chegava ao público.
    Nas televisões, em directos, surge com cada erro nas barras de informação, que não é por troca de teclas. Ou a parte mais gira que é os jornalistas fazerem as perguntas com gramática brasileira a um português... para ser mais fashion e dá estilo de mais respeito.
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    Psicogata 14.11.2016 14:07

    Eu adoro quando corrigem alguém e afinal o que a pessoa escreveu é que estava certo, quando isso acontece, e é frequente, dou gargalhadas.

    As redes sociais têm imenso poder e há quem o saiba usar, é muito fácil lançar rumores, notícias falsas com o intuito de desviar a atenção das coisas importantes.
    Como se dão más notícias nos dias de jogos de futebol importantes, também se lançam notícias virais para desviar a atenção de outras mais pertinentes.
    Mas como a maioria do povo não entende isso ou se entende nem quer saber, está tudo bem.
    Infelizmente o jornalismo já não é o que era, muito por culpa também das direcções que desprestigiam cada vez mais a classe ao preferirem recorrer a estagiários e a contratos precários, freelancer em vez de privilegiarem o trabalho de investigação e carreiras sólidas.
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    Andy Bloig 14.11.2016 15:11

    É a "ditadura do dinheiro". As redacções de jornais/televisões tem tanta pressa em cobrir os acontecimentos que não há possibilidade de irem revendo as informações ou falarem com alguém ligado ao tema que vão publicar. Era esse o percurso que as coisas passavam e onde os erros e as expressões eram corrigidas. Daí chegarem a público com muito poucos erros. Agora, não há tempo para isso. Quanto mais depressa se avançar com a notícia melhor... é mal dada? Está carregada de erros? Não há problema. Está dada e quando se arranjar informação melhor, logo se corrige.
    Há por aqui muita gente que acha que a publicidade funciona com base na mesma coisa... vão-te corrigir, usando palavras caras, para mostrar que são conhecedores do tema e cortam o resto para evitar enterrarem-se com "O seu post é muito didáctico e está muito bem construído. Adorei ler mas, podia ter notado que tem a palavra xxxx mal escrita. Com os melhores cumprimentos."
    Já se perdeu o que é a noção de comunidade... a igualdade está a ficar dentro da definição usada pelas feministas, acabando por aniquilar as poucas coisas que sobram e que juntam as pessoas em volta de algo.
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    Psicogata 14.11.2016 15:17

    Esse truque deixa-me passada, primeiro dão uma certa graxa ao dizerem bem, mas depois dão a machadada final a dizer que o texto tem um erro.
    Esta necessidade de encontrar erros naquilo que os outros fazem irrita-me, porque acontece em tudo, estamos sempre sob o escrutínio de alguém só porque há sempre alguém que tem algo a dizer sobre tudo.
    Esta necessidade de exprimir opiniões só porque lhes apetece e só para se sentirem superiores só demonstra a sua mesquinhez.
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