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Língua Afiada

Os planos

Há uma diferença entre o que planeamos e o que realmente se concretiza.

Quanto maior a ambição, maior a discrepância, quanto maior o sonho, maior a desilusão.

Sempre admirei as pessoas que traçam um caminho e se mantêm fiéis a esse rumo, pessoas que planeiam até ao mais ínfimo detalhe de tudo e mesmo quando tudo descarrila, mantêm a calma e com uma disciplina irrepreensível colocam tudo no seu devido lugar.

Sem achaques, sem crises nervosas, sem espetáculos, respiram fundo e resolvem, pragmatismo e sentido prático, qualidades que escasseiam e são essenciais para a sanidade mental das pessoas e para o funcionamento da sociedade.

Evitar-se-iam tantos dissabores se parássemos para pensar antes de abrirmos a boca, se esperássemos um pouco antes de reagirmos a quente.

Acredito que as pessoas com nervos de aço, calmas, serenas e comedidas são as mais felizes, mesmo que ao deitar vertam uma, duas ou muitas lágrimas de descompressão, só os sarilhos e o stress que evitam faz com tudo na sua vida seja mais fácil.

Emoções à flor da pele são bonitas, mas é quando são emoções boas, quando são más, não é assim tão bom sentir tudo intensamente como uma avalanche descontrolada.

Pudéssemos ser temperamentais com a paixão e comedidos com a desilusão, não podemos.

Não há dualidade de critérios nas emoções, por mais que se tente, quem vive as emoções intensamente, vive todas as emoções e não só as felizes.

Podemos sim ser comedidos na exteriorização, aprender a controlar o que sentimos para o bem e para o mal, é esse controle que nos permite calmamente retomar o plano.

Porque mais importante que o plano é termos a calma, muitas vezes a frieza e o discernimento de nos mantermos nele.

Num mundo onde tudo parece descartável, não podemos descartar o nosso plano só porque algo corre mal. Há que fazer reajustes, melhoramentos, alterar o caminho e em último recurso alterar o plano, ter um plano é importante, mesmo que o plano seja não fazer planos.

4 comentários

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    Psicogata 23.01.2017 14:13

    Claro, estão demasiado especializadas e determinadas em apenas uma coisa que mudam-lhe uma variável e é o caos.
    Nos dias de hoje as pessoas não estão habituadas a esbarrar com obstáculos e frustrações.
    Há também muito o Eu, Eu e quem não gostar que se mude, como se fosse possível ser assim, até se pode ser nas relações pessoais, mas ser assim só irá causar enormes dificuldades de adaptação a outros ambientes.
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    Andy Bloig 23.01.2017 16:41

    A estrutura da nossa sociedade está assim para tudo.
    Há uns tempos li um exemplo num sítio qualquer que explica tudo de modo simples:
    Antes de te deitares, vais ao guarda vestidos, tiras o vestido mais bonito que tens, juntas o resto da roupa a condizer e os acessórios. Colocas em cima da cadeira aos pés da cama. Tens uma reunião ás 9 da manhã, acordas ás 7:30, vais passar-te por água, chegas ao quarto e não está a roupa que lá deixaste no dia anterior. Desatas à procura, culpas 1001 pessoas e quando dás por isso está atrasada. Vais ao guarda vestidos e escolhes outra roupa. Passas o dia de mau humor e chateada. Ao final do dia, achas que até correu bem, apesar muita gente se rir para ti. Quando te sentas na cama tiras os sapatos e notas que tens calçadas... uma meia azul com glutões e outra verde com setinhas. Atiras com as meias para o cesto da roupa e vais à varanda para fechares as portadas, onde encontras a cadeira com a tua roupa e lembras-te que antes de te deitares, tinhas posto a cadeira lá para fora para aproveitar o sol da manhã para retirar a humidade das meias para as calçares secas.

    Neste momento isto aplica-se a quase tudo... cada vez mais gente fica perdido quando uma coisa simples não está no sítio previsto.
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    Psicogata 23.01.2017 17:36

    É um excelente exemplo :)
    Tenta-se prever tudo, quando algo muda fica-se atarantado.
    Basicamente estamos a perder capacidade de adaptação, ou seja, inteligência.
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