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Língua Afiada

Paga-se para ter sol, quem o diz é o Governo.

A situação deste país é tão caótica, que mesmo de férias num destino paradisíaco, falávamos com dois outros casais portugueses que a carga de impostos em Portugal é terrível, apesar do assunto sério estávamos de férias e a certa altura o Moralez diz para desanuviar o ar:

- Vamos aproveitar para apanhar sol enquanto é grátis, nunca se sabe quando será taxado.

Todos rimos e anuímos que qualquer dia em Portugal ainda taxavam o sol.

 

Estávamos longe de pensar que duas semanas depois estaríamos a jantar e iriamos ouvir que as regras para o cálculo do pagamento do IMI iriam mudar e que passariam a incorporar a exposição solar nos critérios, quanto maior e melhor exposição solar, mais alta é a taxa, como se não bastasse também vão taxar a vista, que se for privilegiada irá fazer também subir a taxa.

A exposição solar calcula-se com a orientação da casa, suponho que levarão em conta se estará ou não na sombra de outras casas, é que não adianta muito ter uma casa virada a nascente se tiver um prédio a fazer-lhe sombra. As janelas também deveriam ser levadas em conta, é que não adianta muito ter sol se não há janelas para ele entrar, é só uma ideia.

Mas a vista privilegiada é que levanta questão pertinentes, será que vão taxar os apartamentos que os voyeuristas escolhem para espiar os vizinhos do prédio da frente?

É que isto de vistas privilegiadas tem muito que se lhe diga, há muita gente que não gosta de olhar para a floresta ou para o mar, convenhamos que a floresta atrai toda a espécie de bicharada não desejada e viver junto ao mar no Inverno pode ser assustador em dias de trovoada, deveria existir uma espécie de compensação para quem tem de levar com os bichos e com o ruído e os clarões.

Estas novas regras irão fazer a população regressar à cidade, já que pagando-se mais por exposição solar e uma vista desafogada e menos em casas sem sol e sem vista, mais vale regressar à selva de prédios, já que a diferença de IMI que pode chegar aos 20% acrescido das despesas das viagens para o emprego na cidade, contas feitas compensará viver na cidade, é que o IMI é uma coisa que se paga para toda a vida e há que pensar a longo prazo.

Uma coisa é certa não me recordo de nenhum Governo tão criativo no aumento dos impostos, primeiro foi o aumento da taxa nos combustíveis que aproveitou a descida dos preços base, pensaram: “Os portugueses já estão habituados a pagar este valor, aumentamos o imposto e eles nem sentem na carteira.”

A promessa é retirar se o preço aumentar, a questão é que os políticos raramente cumprem promessas.

Como os impostos continuam a não ser suficientes, algum iluminado durante um fim-de-semana enquanto apanha banhos de sol na casa de férias com piscina do amigo daquele amigo que lhe deve uns favores deve ter olhado para o céu e pensou – “E se taxássemos o sol?” Não podiam proibir as pessoas de apanhar sol então taxaram as casas com mais sol, simples.

 

E a história continua a mesma - o povo a pagar pelos erros dos outros, estou cansada da gestão deste país.

Nem o sol nasce para todos.

4 comentários

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    Psicogata 03.08.2016 09:21

    Como sempre ninguém sabe fazer contas. O que é certo é que o IMI já tem em conta o valor do imóvel e os andares superiores são mais caros que os inferiores.
    Quanto à reavaliação acho bem que seja realizada em alguns casos, mas já muitas Câmaras fizeram atualizações algumas através do Google Maps, por exemplo, piscinas não declaradas foram atualizadas dessa forma.
    A verdade é que se incentivou a aquisição de casa própria e agora sobem o IMI frequentemente, em média uma habitação no valor de 100.000,00€ corresponde a um imposto entre os 300€ e os 500€, acho 500€/ano um valor elevado para uma família pagar dada a média de ordenados em Portugal.
    Para não falar que muitos desses coeficientes são contraditórios uma vez que ter uma boa exposição solar permite uma poupança energética e isso deveria ser incentivado.
    Não sei como funcionará nas moradias mas obrigam a colocar painéis solares e depois taxam a exposição solar? Isto não faz sentido nenhum.
    Além disso faz-me imensa confusão que verdadeiramente nunca se possa possuir uma casa ou um terreno, já que temos sempre que pagar um imposto mesmo quando não se tem dinheiro para o fazer. No fundo pagamos por algo que é nosso vezes e vezes sem conta.
    Se o dinheiro fosse bem gerido ainda era um sacrifício para o bem comum, mas como nunca é, acaba por ser revoltante.
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    Andy Bloig 03.08.2016 09:48

    Neste momento, para um mesmo edifício, com casas com as mesmas dimensões, só existe 1 diferença de 0,25% entre os valores patrimoniais do rés do chão e dos andares acima: a existência de elevador. É o único campo que a partir do 1 andar é aplicado a todos. Este campo da vista e exposição é aplicado por igual a todos os andares tenham janelas para onde tiverem. (Dependendo se a pessoa que compra a casa é conhecido do chefe de finanças e de advogados/consultores imobiliários... ai chegam a existir 8 andares que valem menos que o rés-do-chão, graças a simpatias.)
    Com esta portaria, vai-se fazer uma diferença entre os andares mais baixos e os superiores... algo que já existe no mercado da habitação. Pois os andares superiores chegam a ser vendidos por mais 50% do que os inferiores.
    A nível de moradias, provavelmente, foste mais afectada pela portaria de 2015 do que serás por esta. A do ano passado é que aumentou a importância de certos campos, como a existência de uma auto-estrada a menos de 5km de distância que triplicou de valor, do que serás por este. A não ser que tenhas uma vivenda de 4 andares acima do solo... onde o que doí mais são os 603 euros por metro quadrado.
    O IMI tem muitos valores que tem sido duplicados e pagos em várias vezes. Tens esgotos, pagas taxas sobre a utilização. Tens carro, pagas imposto de circulação. Tens rede de gás canalizado, pagas taxas sobre isso. Tens acesso a redes de comunicação, pagas taxas sobre isso. Tens electricidade, pagas 15 taxas na factura mensal. E o valor patrimonial da casa valoriza isso tudo... do qual pagas o IMI. Nestes últimos 15 anos, muitas das coisas usadas para calcular o valor patrimonial das casas, deviam deixar de fazer parte, pois, cada vez mais, pagas taxas sobre o aceder a isso. Se fores ver a tua factura da electricidade, cerca de 35% do que pagas, são taxas de acesso ao serviço. No gás canalizado, em 2013 foram criadas taxas de sub-solo. Nos cabos dos meios de comunicação, também foram criadas taxas de passagem. No caso do esgotos e do lixo, a factura da água subiu para mais do dobro, graças a mais de 20 taxas que são possíveis de aplicar.
    Nisto sim, deveriam retirar esses campos da valorização do património.

    A nível dos painéis solares, a obrigação legal é que toda a iluminação exterior seja alimentada de uma forma renovável e que não dependa da rede energética. Uma das razões é a segurança. Caso exista um assalto, o cortarem o cabo da electricidade não afecta a iluminação externa. Ter 5-6 lâmpadas acesas toda a noite, fica caro na conta da electricidade. Os painéis são caros e demoram mais de 10 anos a permitir a recuperação do investimento...
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    Psicogata 03.08.2016 10:37

    Voltamos à dupla tributação que Portugal faz tão bem apesar de ser ilegal aos olhos da UE!
    São taxas e mais taxas para empresas com lucros astronómicos geridas por membros dos partidos ou pelos seus amigos.
    Este país é uma vergonha.

    Voltando aos apartamentos se já pago mais por comprar um andar mais elevado porque terei de pagar ainda um coeficiente de IMI maior devido à exposição solar? A sério? Daqui a pouco não teremos prédios com mais de dois andares para não se pagar pelo sol, o que até é bom para a paisagem, mas encarece os custos da habitação.
    O deveriam fiscalizar o valor que se paga pelos imóveis e o valor que é declarado às finanças mas isso ninguém faz, porque não lhes interessa.
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