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Língua Afiada

Paradoxo da Vida – A Morte

Passamos a vida a fazer planos, a organiza-la para alcançar metas e sonhos, delineamos objetivos e traçamos o caminho para lá chegar.

Na esperança de cumprir um sonho ou de garantir o futuro adiamos muitas vezes a vida, porque sabemos que é melhor prevenir agora do que nos vermos remediados ou aflitos no futuro.

Temos imenso medo da morte, a morte pode ser até considerada assunto tabu, é difícil pensar na própria morte e no que isso significa.

 

Eu, penso desde cedo, penso no que aconteceria às pessoas que amo e me rodeiam se eu morresse, penso quem sentiria a minha falta e penso no que eu perderia do tempo com elas, é uma sensação agoniante pensar em tudo o que poderíamos perder.

Não fazemos ideia do que o futuro nos reserva, mas só a noção da falta de um futuro dá-nos um aperto no estômago, não saber, não estar, não viver, não é uma sensação que queiramos sentir.

 

Se sentimos tanto receio da morte, se não sabemos quando ela chegará, porque não aproveitamos nós o presente e pensamos tanto num futuro que não sabemos se existirá?

 

Se hoje alguém vos dissesse irás morrer daqui a um ano, o que fariam?

Continuariam a viver a vida exatamente da mesma forma?

Mudariam completamente a forma de ver o mundo?

Tentariam cumprir algum sonho?

Teriam desculpas a pedir?

Teriam algum perdão a conceder?

Olhariam para a vida com outros olhos?

 

É difícil calçarmos os sapatos de uma pessoa que sabe quando a sua vida terminará, temos a vaga ideia que tentará fazer as pazes com a vida e com o mundo, é o que é esperado, tentará cumprir promessas e sonhos e quem sabe até realizar aquele sonho que parecia impossível.

Se temos noção do que faríamos nessa posição, porque não o fazemos todos os dias?

Afinal não sabemos se amanhã estaremos vivos, quando adormecemos nunca sabemos se acordaremos no dia seguinte, todos os dias são uma dádiva, quantos deles aproveitamos como se fossem o último?

 

Este assunto tem-me assolado a mente diversas vezes nos últimos tempos, talvez porque por razões maiores, a minha vida esteja numa espécie de suspensão.

Acredito que a nossa passagem pela vida e por este mundo, havendo ou não outro, deve deixar uma marca positiva, não precisamos de descobrir a cura para uma doença rara para darmos sentido à vida, basta contribuir para que a vida de quem nos rodeia seja melhor.

 

Com este pensamento positivo e com esta visão otimista da vida, acredito que podemos ser felizes todos dos dias ao proporcionarmos felicidade aos outros, por isso proponho a mim própria começar cada dia como se fosse o último.

Não será preciso cometer nenhuma loucura, cumprir um sonho ou ser inconsequente, basta encarar a vida com otimismo, stressar menos, sorrir mais, cantar mais, conversar mais, partilhar mais, ajudar mais, amar mais, viver mais as coisas boas que a vida nos dá.

 

Todos os dias assistimos a pequenos milagres, só temos de nos deixar maravilhar por eles, como uma criança que vê o mar pela primeira vez, devemos olhar para a vida com espanto, surpresa, admiração, deslumbre e agradecimento.

Acabemos com o paradoxo da vida de temer a morte, mas desperdiçar a vida.

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