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Língua Afiada

Pensar, procrastinar e decidir

Tenho demasiados verbos na minha vida, tornam-na rica e profícua ao mesmo tempo que me complicam algumas situações, gostava muito de pensar e decidir, mas há todo um hiato entre estes dois verbos, um outro verbo de seu nome procrastinar.

Invento desculpas, causas, problemas para o constante adiar de decisões, mas na verdade sei que em muitos casos trata-se apenas de procrastinação, embora sejam decisões determinantes para a minha vida que carecem de resolução.

 

Não gosto de indecisões, de variáveis, de probabilidades, se me adapto com facilidade a mudanças, não lido bem com o incerto, não se trata de uma incoerência, trata-se de necessitar de ter determinadas situações definidas para conseguir lidar com tudo o que não controlamos, o que é basicamente quase tudo na nossa vida.

Neste momento são poucas as situações definidas, pior do que as escassas situações definidas é não ter um plano para as definir.

Existem dois problemas o medo de errar, de escolher a opção errada e a minha constante obsessão com o custo de oportunidade, sempre que optamos por um caminho isso tem consequências, se opto pela opção A, essa escolha custa-me o caminho B, C e D.

 

Sinto sempre que se esperar mais um pouco conseguirei uma opção melhor, isto não só é impeditivo de tomar decisões como causa ansiedade, é um ciclo infindável que piora com o tempo. Se no passado tomava decisões com base no instinto e muitas vezes impulsivamente, com os anos tenho cada vez mais dificuldade em decidir, é próprio da vida, com a maturidade as decisões são cada vez mais sérias e importantes, mas pensar demasiado na vida, nas decisões, nas implicações, nas consequências, nas variações, probabilidades e diversas possibilidades impede-me de decidir em tempo útil.

 

Entre o pensar e o decidir há um grande tempo de ponderação, que não é nada mais, nada menos do que procrastinar, em boa verdade uma decisão é sempre a melhor com base nos dados que possuímos no momento, mais tarde podemos mudar de ideias à luz de novos dados, mas como ainda não conseguimos prever o futuro, as decisões que tomamos no presente são sempre as certas.

O presente é a realidade que conhecemos e qualquer intenção de prever o que poderá mudar no futuro não é nada mais do que adivinhação e especulação, tomar decisões baseadas em especulações é a pior decisão de todas, adiar decisões na esperança de uma conjuntura melhor é só mesmo isso adiar, procrastinar.

 

É legítimo adiarmos decisões na esperança de existirem condições mais favoráveis, que se cumpram determinados requisitos, de termos vontade de decidir, no entanto, é preciso ter noção que estamos de alguma forma a procrastinar.

Não há nada de errado nisso, mas esta consciencialização nem sempre é pacífica quando analisamos a cru as situações e percebemos que o motivo da espera poderá nunca se concretizar, sendo que ao adiarmos uma decisão a única certeza que temos é mesmo essa que escolhemos adiar.

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