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Língua Afiada

Perfil social desde pequenino

Quando nasce um bebé os pais têm de o registar, ainda recém-nascido já tem número de identidade e número de identificação fiscal, os bebés não sabem, mas já nascem devedores de uma boa maquia.

Há alguns que mal nascem já são também sócios do clube de seus pais, quando os pais são os dois do mesmo clube a situação é pacífica, quando são de clubes diferentes pode ser motivo de divórcio, alguns acabam sócios de dois clubes antes de saberem sequer o que é uma bola.

 

“É de pequenino que se torce o pepino.”

 

Este provérbio é bem verdade, é desde pequeninos que os bebés têm de aprender, ser cidadão implica logo uma série de direitos e deveres e contribuinte também, o abono que recebem tem de ser pago por eles mais tarde, porque a verdade é que ninguém dá nada a ninguém.

É também de pequeninos que têm de aprender as regras da sociedade e a sociabilizar e por isso novos tempos exigem novos hábitos e se hoje a sociabilização é virtual, bebé que é bebé tem que estar nas redes sociais para sociabilizar.

 

Os vossos filhos têm 10 anos e ainda não tem perfil de Facebook?

Pais desnaturados, como vai o miúdo sociabilizar? Falar com os colegas? Publicar fotos? Pedir vidas para os jogos?

Ah pensavam que não dava porque o Facebook só permite criar contas a partir dos 16 anos!? Esqueçam isso o Facebook está antiquado, onde já se viu só criar perfis a partir dos 16!

Um ultraje! É de pequenino, de pequenino que se devem desenvolver as competências sociais.

Adulterem a data de nascimento e criem a conta, o Facebook não se preocupa com isso.

 

E depois como o bebé vai publicar?

Não vai, publicam vocês por ele, já fazem tanta coisa por ele, é só mais uns minutos por dia, podem filmar e fotografar as suas peripécias e publicar, é claro que terão de ser vocês a escrever as frases, que eles nem sequer falam e demorarão uns anos, meses vá, a articular uma frase como deve ser.

Também não é nada que já não façam, basta ler a quantidade de dedicatórias que bebés e crianças com menos de 6 anos escreverem nos Facebooks de suas mães ainda ontem para seus pais, uma ternura.

O João de 3 meses escreveu dois parágrafos inteiros com palavras caras e tudo dedicados a seu pai, uma delícia.

É só replicarem a ideia e criarem um Facebook inteiro para a vossa prole, que é bom que não hajam misturas desde o início, o que eles pensam é o que eles pensam, o que vocês pensam é o que vocês pensam.

 

Se já é cidadão, contribuinte e sócio de um clube, porque não pode ter perfil social virtual?

Pode e deve!

Pelo menos é o que alguns pais pensam.

Juro que fiquei uns bons 5 minutos boquiaberta ao ver um perfil de uma criança de dois anos…

Fiquei mais uns 10 minutos estupefacta quando percebi que o perfil existe desde que ele nasceu!

Mas está tudo doido? Ou é que é que de repente fiquei antiquada?

3 comentários

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    Psicogata 20.03.2017 17:41

    Alguns atores e outras personalidades têm gestores para as redes sociais para que não publiquem parvoíces, mas há muitos, cada vez mais, que gerem as suas próprias contas a prova disso é as parvoíces que publicam.

    As pessoas não têm dois dedos de testa, é claro que ninguém minimamente consciente deixa uma criança de 9 ou 10 anos criar e gerir uma página sem supervisão.
    Infelizmente em vez de tomarem o controle que produtoras e agentes exercem sobre as redes sociais de menores pensam ao contrário, pensam que se eles têm os filhos também podem ter.
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    Andy Bloig 20.03.2017 17:47

    As redes sociais agora são uma extensão.
    A maioria dos que gerem as sua redes sociais são os que não estão ligados a contratos publicitários. Sei de várias empresas de media em que a contratação inclui a gestão das redes sociais com vista promocional, mesmo que as pessoas continuem a usá-la a nível pessoal. (Muitos acabam por criar um outro só para os amigos, ficando aquele com a imagem para fins promocionais.)

    É aí que a coisa se complica. Começam de bebé, conforme cresce, dão-lhe a conta, quando dão por isso, já ele/a tem outra conta com 7-8 anos para o resto das coisas, sem que o pais saibam. Assim, educam-se muito mais depressa... e até usam as redes sociais nos telemóveis, ao mesmo tempo que estão na escola a aprender a escrever e fazer contas.
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