Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Língua Afiada

Petição quer proibir uso de perfume nos transportes públicos

Pelos vistos, diz o senhor que submeteu a petição os perfumes contêm substâncias nocivas:

“Fumar tabaco nos transportes públicos e nos locais públicos é proibido”, lê-se na petição, “mas os químicos contidos nos perfumes fazem muito mais mal”, continua, expondo a presença de ingredientes como detergentes ou amoníaco como poluentes para o ar, que tornam “impossível a qualquer um viajar nos transportes públicos ou aguardar nos locais públicos”.

A mim o que me incomoda nos transportes e locais públicos não é o perfume, a menos que seja da loja do chinês, é mesmo o odor corporal que algumas pessoas gostam de usar, gostam tanto que nem tomam banho para o puderem usar durante toda a semana, cada vez mais acentuado, pautado por notas de ranço, oleosidade e fossa.

Se os perfumes contêm essas substâncias nocivas que se investigue e que sejam retirados do mercado, como se retiram tantos outros produtos, como querem retirar agora os incensos, já deveriam ter sido retirados, mas na dúvida usem perfumes para bebés, se estão aprovados para bebés não fazem mal de certeza a adultos, a minha filha ficará sem perfume hoje, não gosto de usar substâncias nocivas, mas gosto de cheirar bem, não é defeito, é feitio, nasci assim dada a fragâncias cheirosas.

Há qualquer coisa muito estranha na perceção que as pessoas têm dos seus direitos e deveres e como imputam as responsabilidades, se existem situações perigosas para a saúde que estão devidamente identificadas e as pessoas escolhem conscientemente optar por elas, como por exemplo, o tabaco, o álcool, o açúcar, os alimentos processados, o solário, cabe ao cidadão tomar a liberdade de escolher ou não consumir e/ou usar esses produtos, se existem produtos com substâncias nocivas não identificadas ou não divulgadas, cabe-nos exigir às autoridades competentes que averiguem e, se for caso disso, retirem os produtos do mercado, a solução não passa por proibir as pessoas de usarem esses produtos, ainda mais quando não é claro se são ou não prejudicais.

Entendo o argumento das alergias e problemas respiratórios, mas se formos por esse caminho, antes de proibirmos perfumes temos de proibir a poluição, que além de incomodar quem tem problemas respiratórios é responsável por os causar a quem não tem.

Há muito a trabalhar na consciencialização e responsabilização das pessoas pelos seus atos, há muito a clarificar no que consumimos e que nos está acessível, será legítimo ser permitido vender tabaco quando sabemos os problemas que causa só porque lhe colocamos um imposto extra? Porque não se faz o mesmo com as drogas?

Devemos ser exigentes, devemos ser vigilantes e devemos procurar e disseminar informação relevante, mas não podemos proibir tudo o que achamos que faz mal, se o fossemos a fazer teríamos de mudar radicalmente o nosso estilo de vida e isso não se altera de um dia para o outro.

Deixem as pessoas usarem perfume à vontade, peçam fiscalização aos produtos de cosmética e perfumaria, exijam empresas com consciência ecológica, mas proibir o uso de perfumes em locais públicos?

Claramente não é solução.

O que eu gostava é que as pessoas se preocupassem em perceber de onde vem o lítio para as baterias dos carros elétricos, para onde vão essas baterias depois de ficarem obsoletas e já agora como vamos produzir energia para carregar tantos carros elétricos, porque se os combustíveis fósseis não servem para alimentar motores de automóveis, também não devem servir para produzir eletricidade para alimentar os motores elétricos. Mas isso fica para outro dia.

6 comentários

Comentar post