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Língua Afiada

Portugueses indignados, mas só com o Covid

Os portugueses são realmente um povo que carece de estudo, porque é realmente difícil de entender como é que um povo consegue se indignar, recusar e ridicularizar o uso de uma máscara, mas encolhe os ombros à corrupção que os deixa mais pobres todos os dias.

A última moda do Covid é colocar providências cautelares às escolas de forma a impedir que os alunos cumpram as normas de distanciamento social.

Não tenho nada contra os pais usarem todos os meios ao seu dispor para garantir o bem-estar dos seus filhos, estranhamente não tenho conhecimento de ver este mecanismo utilizado para resolver questões de bullying, mas devia, talvez assim as escolas e o Governo definissem de uma vez leis e regras para essas situações que afetam a vida de milhares de crianças.

É comumente sabido que o distanciamento social nos afeta psicologicamente, afeta adultos e crianças, mas afeta as crianças de outra forma porque estas não entendem e não processam as regras da mesma forma que os adultos.

Estamos perante uma situação impossível, as crianças são um dos principais agentes de contágio e as crianças não estão programadas para se isolarem, aliás impedi-las de brincar e partilhar pode deixar consequências graves no seu desenvolvimento que terão repercussões no futuro.

Resumindo, qualquer medida gerará contestação, porque não há uma solução mágica, não há uma forma de resolver esta situação sem dolo para alguém.

O que sei é que não seria necessário ter tantas regras com as crianças se os adultos fossem mais responsáveis e cumpridores das recomendações da DGS, mas como está mais que provado que os adultos têm reagido como crianças mimadas a quem lhes é tirado um brinquedo, que protestam e fazem birra porque custa muito andar de máscara e desinfetar as mãos é preciso criar regras para as crianças para que estas não propaguem o vírus por todo lado.

Se todos os pais cumprissem as recomendações, creio que as restrições nas escolas poderiam ser aliviadas, mas quando se vê um parque infantil cheio de crianças e respetivos pais, sem máscara e sem distanciamento, fica claro que todas as precauções nas escolas não serão suficientes para travar a propagação.

Há um surto na zona do Vale do Sousa atípico e ninguém parece querer entender o que está na base dessa propagação descontrolada, as culpas são atribuídas a convívios familiares e de amigos e sim eles existem, mas também acontecem noutras zonas do país, em quê que essa zona é diferente?

Na remuneração, uma grande parte da população dessa zona declara um ordenado e na verdade ganha outro bem superior, não raras as vezes superior ao dobro do declarado, o que é que isso tem a ver com a propagação do Covid? Tudo!

Porque as pessoas nem sequer vão ao médico ou ligam para a Saúde 24 para não ficarem em casa, porque a quebra de rendimentos é insustentável. Então temos pessoas a irem trabalhar com sintomas sem qualquer referenciação, acompanhamento ou teste, porque não querem arriscar ficar em quarentena.

E voltamos à fraude, à corrupção e a um esquema sem fim que prejudica todos, recebem menos, pagam menos e têm mais regalias quando na verdade deveriam pagar mais impostos e ter muito menos regalias.

Mas o que importa é reclamar do afastamento social, do uso de máscara e das restrições aos convívios, e claro da falta de público nos jogos de futebol, tudo o resto em Portugal está mal, mas isso não interessa nada.

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