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Língua Afiada

Quem conta um conto # 8 À tua Espera! - Parte II

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Ora a Mula mais fofinha da blogosfera escreveu um conto e eu com a língua afiada que tenho fui lá meter o bedelho e mandar uns bitaites e não é que ela me convidou a dar continuidade à história da Ísis?

(A propósito adorei a escolha do nome)

Podem ler a primeira parte da linda história aqui.

Agora que já voltaram leiam a brilhante (coff coff) continuação.

 

Então como está o rapaz do comboio” Pergunta uma amiga à Ísis.

Nunca mais o vi.” Conta desiludida.

“Era porque não tinha de ser.” Diz a amiga.

“Não deveria ser destino.” Diz com um sorriso forçado.

“ Pergunto-te porque o Filipe tem um amigo que te gostava de apresentar.”

“Sabes que não gosto de encontros arranjados, nunca dão certo.”

“Vá lá, é um bom rapaz, bem-parecido e simpático, sabes que não te falaria nele se não achasse que era um bom partido.”

“Se achas que é assim tão bom rapaz, não custa tentar.” Suspira.

“Domingo encontramo-nos na pastelaria estrela para um lanche às 16:30?”

“Pelo programa já vi que é estás a apostar as fichas todos no… Como é que ele se chama?”

“Ricardo”

“ Estás a apostar as fichas todas no Ricardo, até estou curiosa.”

No Domingo seguinte preparou-se com cuidado mas sem grande ânimo para o encontro, escolheu um vestido clássico e uma maquilhagem cuidada mas natural e lá se dirigiu à hora marcada para a pastelaria.

Foi pontualíssima como era seu hábito, mas era a última a chegar, a amiga fez com que isso acontecesse para que ela pudesse entrar com todas as atenções como deve ser.

Quando encara o Ricardo ficou estupefata, a amiga tinha-lhe dito que era bem-parecido, mas não estava preparada para ver um homem tão bonito, mordeu os lábios e arrependeu-se de não ter dedicado mais tempo a arranjar-se.

Como se ela precisasse já que era naturalmente bonita.

O encontro superou qualquer expetativa, o Ricardo para além de ser bonito e elegante era extremamente simpático, culto, com um sentido de humor educado e inteligente.

Correu tão bem que logo ali combinaram um segundo encontro e no segundo um terceiro e assim sucessivamente, o namoro surgiu naturalmente. Faziam um lindo par, ele alto de cabelos pretos, olhos verdes, pele morena e corpo atlético sempre impecavelmente bem vestido, ela também alta e elegante, cabelos castanhos-claros, olhos azuis, uma boca perfeitamente desenhada e um sorriso contagiante que se abria nuns dentes impecavelmente brancos e alinhados. Ele tinha mais seis anos que ela mas tendo ela 31 e ele 37 a diferença não se notava. Ele compensava a timidez dela com um à vontade natural em todas as situações e ela a suas loucuras com um bom senso acima da média, especialmente para a sua idade.

Tinham vários interesses em comum, gostavam das mesmas coisas e pareciam feitos um para o outro.

“Estás mesmo apaixonada Ísis, eu sabia que vos tinha de apresentar”

“Obrigada Patrícia, ele é realmente um bom partido.” Sorri.

“Não era essa a resposta que estava à espera”

“Oh não faças filmes, sabes que eu sou complicada nestas coisas…”

“Sei que procuras um romance como nos livros e isso não existe, não o deixes escapar, homens destes não se encontram todos os dias.”

“Não é nada disso, acho que as coisas estão a acontecer demasiado depressa, estamos juntos há dois meses e quer-me apresentar a toda a família, assim de uma só vez, no aniversário da avó”.

“E então devias estar a dar pulos de alegria.” Diz a amiga animada.

“Acho cedo demais, gostava de conhecer primeiro a família mais próxima. Sabes que sou tímida, tenho medo que me deixe sozinha e que fique sem saber o que fazer e quem falar.”

“Não faças filmes, tudo correrá bem.”

“Sim, eu sei que sim, só tenho de pensar muito bem no que vestir.”

“Sim, isso é o mais importante, tens de estar linda, não é que isso seja difícil.”

E sorriram as duas naquela cumplicidade que só as grandes amigas têm.

Chegou o dia do aniversário da avó Rosa e Ísis estava nervosa, apesar de ter feito um sem fim de perguntas sobre a família e ter decorado todos os nomes, graus de parentesco, profissões e hobbies de todos os membros graças à sua excelente memória, continuava apreensiva especialmente em relação à mãe de Ricardo, depreendia da forma como Ricardo falava dela que tinham uma relação próxima e a sua aprovação seria de extrema importância.

Quando Ricardo tocou à campainha do seu apartamento sentiu um calafrio, respirou fundo e abriu a porta.

Ele olha-a demoradamente e diz-lhe.

“Estás linda meu amor!” Beija-a apaixonadamente e surra-lhe:

“Amo-te!”

Ela estremeceu, corou e sorriu, mas não respondeu, era a primeira vez que ele lhe dizia que a amava e ela não estava preparada para responder.

O almoço era na quinta da família que ficava a 1h de distância de Lisboa, no caminho Ísis aproveitou para perguntar mais detalhes sobre a família e pediu mais 14 vezes que ele não a deixasse sozinha.

Ele garantiu-lhe que não tinha nada com que se preocupar, toda a família era bem-disposta e amigável. Ela não disse mas pensou: “Não acredito que entre os 50 convidados não haja ninguém antipático.”

Quando chegaram ela nem queria acreditar, depois de seguirem por uma estrada em terra batita ladeada de sobreiros desaguaram num grande jardim com um palacete ao fundo. Estacionaram e ela ficou aliviada de ninguém estar ali para os receber, tinha assim mais uns momentos para se recompor do choque.

Circundaram a casa e nas traseiras encontraram o local da festa que parecia um cenário de um filme, uma tenda impecavelmente decorada colocada de propósito para o efeito, uma pista de dança improvisada debaixo da pérgula de glicínias e todas as comodidades para que fosse servido um belíssimo jantar naquela linda tarde de Setembro.

Ricardo não mentira toda a família era simpática, Ísis criou a partir do primeiro instante uma grande empatia com Catarina, a irmã de Ricardo, parecia que se conheciam há anos. Catarina fez questão de a apresentar a todas as primas e ela entretida com a conversa nem percebeu que Ricardo a tinha deixado só.

A tarde estava a correr lindamente, Ísis sentia-se num conto de fadas, até que alguém lhe toca no ombro e diz:

“Ísis quero-lhe apresentar o meu outro tesouro, o meu filho mais novo.” Diz a mãe de Ricardo.

Isis volta-se.

“Ísis este é o André o meu filho mais novo.”

De repente o mundo parou de girar, o sorriso esmoreceu, a saliva secou-lhe na boca, as pernas fraquejaram por momentos, estava petrificada. Quanto mais o seu olhar mergulhava na imensidão verde dos olhos de André mais o mundo lhe fugia debaixo dos pés.

Ele ficou boquiaberto, tantas vezes tinha pensado naquele sorriso tímido, tantas vezes se questionou o porquê de não ter terminado aquela relação condenada antes de partir para Paris a tempo de ainda de lhe ter falado.

E agora ali estava ela diante de si, mais bela do que nunca a ser apresentada como a namorada do seu irmão.

Nenhum dos dois sabe exatamente quantos segundos ou minutos se passaram naquele impasse mas antes que alguém percebesse o embaraço de ambos ele quebrou o gelo.

“É um prazer finalmente conhece-la Ísis.” Diz dando-lhe dois beijos mais demorados do que seria de esperar.

Ela responde ligeiramente ruborizada:

“Igualmente André há muito tempo que desejava conhecer-te.”

Aquela conversa que aos olhos de todos era perfeitamente inofensiva continha em si um desejo maior que mundo.

 

Continua...

Mula passo-te a pena

 

2 comentários

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    Psicogata 28.11.2015 16:42

    Obrigada Sofia
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