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Língua Afiada

Ser empreendedor

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Agora está na moda ser empreendedor, criar o próprio emprego ou até a própria empresa e não depender de terceiros.

A crise é propícia ao empreendedorismo, as pessoas sem alternativas à vista veem-se forçadas a explorar novos caminhos.

O problema é que nem todos nascemos para ter um negócio, nem todos nascemos para gerir uma empresa e, principalmente, nem todos nascemos para gerir pessoas.

Muito se gabam as pessoas empreendedoras, que são lutadoras, inteligentes, espertas, corajosas, focadas e um sem fim de adjetivos positivos, de todas as características a única que lhes gabo é a coragem e muitas vezes a loucura de se aventurarem no desconhecido.

Para criar um negócio não é preciso conhecimentos, capital, apetências, é preciso coragem para tentar e digo tentar porque a maioria dos empreendedores que conheço não planearam nada, não fizeram um plano de negócios, um estudo de mercado, uma análise da concorrência, acharam que tinham uma boa ideia e colocaram-na em prática como achavam que deviam.

Alguns basearam-se na máxima – Se os outros conseguem eu também consigo.

E não estavam muito errados, a verdade é que são poucos os que não conseguem.

Se têm sucesso, se acrescentam valor, se fazem algo de útil? Muito poucos, alguns limitam-se a trocar bens por dinheiro ganhando o suficiente para se manterem, o suficiente para se gabarem que não dependem de ninguém.

Para mim isso não é ser empreendedor, embora se use para esse fim, para mim o verdadeiro empreendedor tem de ser inovador, diferenciador, tem de mudar algo de forma a acrescentar-lhe valor, de preferência um valor intangível e não necessita de criar o próprio negócio, existem muitos empreendedores que trabalham a inovar os negócios dos outros.

Tive o prazer de conhecer um verdadeiro empreendedor e não se assemelha em nada ao que apregoam por aí, é um especialista em lançamento de novos negócios, uma verdadeira fonte de conhecimento, que não está mais de um ano na mesma empresa, pois são tantos os projetos, tantas as solicitações que mal o negócio esteja encaminhado abraça um novo desafio.

Fazem falta mais destes empreendedores e menos desenrascados.

Já perdi a conta aos negócios que vi serem queimados por terem sido criados por pessoas que não faziam ideia do que estavam a fazer, o melhor exemplo são as centenas de negócios online, criam-nos com o propósito de ganhar uns extras e estragam os negócios de quem tem realmente um projeto com pernas para andar.

São os chamados flops, flops que se destroem uns aos outros e mais do que ocupar queimam espaço e oportunidades.

Pensei que a crise separaria o trigo do joio, que sobreviriam apenas as empresas competitivas e bem geridas, numa economia normal seria isso que aconteceria, mas em Portugal aconteceu precisamente o contrário, para além das empresas mal geridas apareceram um sem fim de pequenos negócios mal geridos.

Ser empreendedor é um conceito bonito, mas sobrevalorizado, abrir o próprio negócio não é sempre a melhor solução.

A verdade é que quem conhece os riscos, quem tem capacidade de análise e planeamento, quem não confia no se os outros conseguem eu também consigo, tem muito mais dificuldade em lançar-se na aventura do empreendedorismo, o conhecimento é inimigo da loucura e da espontaneidade e afinal essas são as caraterísticas comuns a todos os empreendedores.

4 comentários

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    Psicogata 13.04.2016 09:36

    Essa frase resume tudo.
    Micro e pequenas empresas mal geridas, autênticos flops que ocupam espaços e retiram possibilidades a quem tem competência.
    E a crise em vez de melhor esta situação só piorou.
    Mais um uns anos e dizer que alguém é empreendedor é um insulto, tal a frequência que é usada.
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    Fatia Mor 13.04.2016 10:06

    Ainda ontem deparei-me com um artigo, penso que na Sábado, sobre startups de portugueses, muito bem sucedidas.
    É das tais coisas, não digo que a crise não tenha trazido boas oportunidades, especialmente para quem as soube aproveitar. Mas tal como referes, o perfil do empreendedor é algo específico. E não se fazem milhões da noite para o dia sem muito esforço, muita dedicação e muito trabalho.
    Ainda assim, vejo sempre tudo a suspirar e a almejar semelhante sucesso, sem lhes querer conhecer as histórias de sangue, suor e lágrimas que lhes estão por trás.
    Eu jamais daria para empreendedora. Só a ideia de viver na navalha, não saber se iria conseguir fechar os negócios, dava comigo em doida. E espero ter sempre a sabedoria para reconhecer que sou uma óptima (ou até excelente) funcionária, mas por conta de outrem!
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    Psicogata 13.04.2016 10:18

    As pessoas não fazem ideia do quão difícil pode ser ter uma empresa por mais pequena que seja, o grande problema é que as pessoas que têm devido à sua formação, economistas, gestores, contabilistas, marketers, na maioria das vezes como conhecem os riscos não arriscam. Alguns dizem mesmo que não têm perfil, sabem gerir mas não têm espírito para criar novos negócios com base em novas ideias.
    Depois há os que têm o espírito e as ideias mas são demasiado egocêntricos para pedirem apoio na gestão, é raro uma pessoa que combine as duas coisas.
    Em Portugal os donos das empresas têm de se convencer que ter ideias não é a mesma coisa que gerir e vice-versa, assim como quem herda uma empresa não herda obrigatoriamente a competência para a gerir.
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