Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Língua Afiada

Ser empreendedor

empreendedor.jpg

 

Agora está na moda ser empreendedor, criar o próprio emprego ou até a própria empresa e não depender de terceiros.

A crise é propícia ao empreendedorismo, as pessoas sem alternativas à vista veem-se forçadas a explorar novos caminhos.

O problema é que nem todos nascemos para ter um negócio, nem todos nascemos para gerir uma empresa e, principalmente, nem todos nascemos para gerir pessoas.

Muito se gabam as pessoas empreendedoras, que são lutadoras, inteligentes, espertas, corajosas, focadas e um sem fim de adjetivos positivos, de todas as características a única que lhes gabo é a coragem e muitas vezes a loucura de se aventurarem no desconhecido.

Para criar um negócio não é preciso conhecimentos, capital, apetências, é preciso coragem para tentar e digo tentar porque a maioria dos empreendedores que conheço não planearam nada, não fizeram um plano de negócios, um estudo de mercado, uma análise da concorrência, acharam que tinham uma boa ideia e colocaram-na em prática como achavam que deviam.

Alguns basearam-se na máxima – Se os outros conseguem eu também consigo.

E não estavam muito errados, a verdade é que são poucos os que não conseguem.

Se têm sucesso, se acrescentam valor, se fazem algo de útil? Muito poucos, alguns limitam-se a trocar bens por dinheiro ganhando o suficiente para se manterem, o suficiente para se gabarem que não dependem de ninguém.

Para mim isso não é ser empreendedor, embora se use para esse fim, para mim o verdadeiro empreendedor tem de ser inovador, diferenciador, tem de mudar algo de forma a acrescentar-lhe valor, de preferência um valor intangível e não necessita de criar o próprio negócio, existem muitos empreendedores que trabalham a inovar os negócios dos outros.

Tive o prazer de conhecer um verdadeiro empreendedor e não se assemelha em nada ao que apregoam por aí, é um especialista em lançamento de novos negócios, uma verdadeira fonte de conhecimento, que não está mais de um ano na mesma empresa, pois são tantos os projetos, tantas as solicitações que mal o negócio esteja encaminhado abraça um novo desafio.

Fazem falta mais destes empreendedores e menos desenrascados.

Já perdi a conta aos negócios que vi serem queimados por terem sido criados por pessoas que não faziam ideia do que estavam a fazer, o melhor exemplo são as centenas de negócios online, criam-nos com o propósito de ganhar uns extras e estragam os negócios de quem tem realmente um projeto com pernas para andar.

São os chamados flops, flops que se destroem uns aos outros e mais do que ocupar queimam espaço e oportunidades.

Pensei que a crise separaria o trigo do joio, que sobreviriam apenas as empresas competitivas e bem geridas, numa economia normal seria isso que aconteceria, mas em Portugal aconteceu precisamente o contrário, para além das empresas mal geridas apareceram um sem fim de pequenos negócios mal geridos.

Ser empreendedor é um conceito bonito, mas sobrevalorizado, abrir o próprio negócio não é sempre a melhor solução.

A verdade é que quem conhece os riscos, quem tem capacidade de análise e planeamento, quem não confia no se os outros conseguem eu também consigo, tem muito mais dificuldade em lançar-se na aventura do empreendedorismo, o conhecimento é inimigo da loucura e da espontaneidade e afinal essas são as caraterísticas comuns a todos os empreendedores.

2 comentários

  • Imagem de perfil

    Psicogata 13.04.2016 11:38

    Ahahahahah
    Ao menos reconheces que não tens ideias brilhantes, é meio caminho andado para quando tiveres uma saberes reconhecê-la
  • Comentar:

    CorretorEmoji

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.