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Língua Afiada

Sou a favor da eutanásia

Sou a favor da liberdade, da liberdade de viver como quero e de morrer como quero.

O meu texto poderia terminar aqui porque é à liberdade de cada um que nos estamos a referir, nada me impede de por termo à própria vida para lá da vontade de a viver, se não há vontade de viver para quê continuar a estar vivo?

Comumente associamos eutanásia a sofrimento físico, ao alívio de quem sofre desmedidamente sem remédio e sem alternativa, pouco ou nada se fala do sofrimento psicológico, pouco se fala da razão principal para alguém reclamar o final da sua vida, a falta de propósito.

No nosso egoísmo e no nosso mundo de sonho onde a vida humana é sagrada e inviolável, nem sequer equacionamos essa falta de propósito, lembramo-nos apenas de todos os que sofrem agarrados a uma cama com dores excruciantes que pedem para que seja colocado um fim ao seu sofrimento e na nossa compaixão desejamos que partam em paz, para que o seu sofrimento termine.

Porque queremos desesperadamente manter vivos os que anseiam partir? Por egoísmo? Por medo? Por tabu? Por herança? Por vergonha? Por necessidade de um exemplo de coragem?

Podemos não compreender o desejo de alguém partir mais cedo, mas isso não nos dá o direito de o impedir, a sua vontade, a sua liberdade deve permanecer.

Não se trata de dignidade, de compaixão, de misericórdia, em última instância trata-se do direito de escolher viver ou morrer.

Que se legisle como, quando, em que situações, que se avalie a capacidade de discernimento de quem decide, mas que não se imponha a ninguém uma vida que não deseja.

Obrigar alguém que pede para morrer a viver não é proteger a vida humana, é tortura, é interferir com a sua liberdade.

Ninguém tem o direito de decidir sobre a vida e a morte, como não devemos sentenciar a morte, não devemos sentenciar a vida impedindo alguém que já há muito está morto de morrer, viver é muito mais do que respirar, quando não há sentido, propósito, esperança, não faz qualquer sentido impor os nossos desejos, a nossa consciência aos outros.

2 comentários

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    Psicogata 28.05.2018 14:35

    Olá Fatia,
    Não acho que seja uma questão de dignidade, embora morram demasiadas pessoas em condições indignas, penso que se trata tal como tu de um problema de consciência, mas que deve ser individual, devemos ter direito a optar.
    Se a pessoa pede, quer, deseja e se pode ser provado que está em plena consciência de o fazer não vejo porque o impedir, as pessoas escolhem outros tipos de eutanásia tantas vezes, quando alguém decide não fazer determinado tratamento está no fundo a escolher uma morte mais rápida.
    Fala-se muito dos doentes oncológicos, muitos deles trocam dias de vida com qualidade por meses de vida em tratamento que lhes causam sofrimento, se podemos optar por não receber determinado tipo de tratamento também deveríamos ser capazes de optar pela morte.
    A noção de qualidade de vida é muito pessoal, admiro pessoas que vivem uma vida de sofrimento e que se agarram a ela de todas as suas forças, mas nem todos temos essa capacidade e não devemos ser forçados a viver na dor, seja física ou psicológica, só para que os outros estejam de consciência tranquila.

    Beijinho
    É sempre um prazer ter-te por aqui.
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