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Língua Afiada

Super Nany e a reação dos portugueses

Estreou no passado domingo o programa Super Nany na SIC, o programa relata a ajuda de uma profissional a uma família que tenha problemas em lidar com os filhos, o formato é muitíssimo conhecido, pessoalmente conhecia a versão espanhola, onde a terapeuta/psicóloga é bem mais rígida e fria.

Teresa Paula Marques parece saber o que faz, na minha opinião os conselhos e estratégias que usou são corretos, não aconselhou a palmada, ainda bem porque uma palmada não educa e ajudou a mãe Margarida a lidar com as birras da filha e a dizer não e a não ser vencida pelo cansaço da insistência da filha. A sua interação com a câmara não é a melhor, perfeitamente natural, vê-se que não é uma comunicadora para as massas, mas creio que com o avançar dos programas ganhará confiança e à vontade para falar para a câmara da mesma forma que fala para as famílias.

 

O programa tem tudo para ser um sucesso e na minha opinião poderá também ser uma ajuda preciosa para pais que não consigam impor a sua autoridade, uma vez que ensina a lidar com birras e a estimular os bons comportamentos com pequenas recompensas ao mesmo tempo que pune as más ações e convida à reflexão.

O que é mesmo incrível é a reação dos portugueses ao programa, isso sim é que deveria ser objeto de estudo, não é nada que não estivesse à espera, porque em Portugal tudo o que mexe com crianças e filhos é polémico, seja para bem ou para mal e livre-se de alguém querer dizer ou ensinar como devemos educar os nossos filhos, ninguém melhor do que os pais saberá o que é melhor para os seus filhos e como os educar.

Há realmente uma grande confusão entre desejar o melhor para os filhos e saber como lá chegar, entre conhecê-los melhor do que ninguém e educá-los da melhor forma, entre amá-los profundamente e saber demonstras-lhe que amar não deixá-los fazer tudo o que querem.

 

É muito usual ouvirmos as pessoas queixarem-se da falta de educação das crianças, da falta de respeito que têm pelos pais, das birras que fazem em público, mas depois de um programa que ensina a reestabelecer a autoridade dos pais as críticas não se fazem rogadas para os dois lados.

De um lado insurgem-se contra o programa, contra a exposição, contra os conselhos dados e terapias e técnicas implementadas, do outro insurgem-se contra a família por exporem a criança, por não saberem lidar com ela, por não ser (neste caso) uma mãe como eles acham que deve ser.

A forma como todos apontam o dedo em riste do alto da sua sabedoria pedagógica é algo inacreditável, de repente somos todos experts na matéria, gosto especialmente dos que são entendidos na matéria porque “educaram” muitos filhos, como se a experiência fosse sinónimo de certezas e invalidasse erros.

 

Pessoalmente dou os parabéns às famílias que escolheram participar no programa, não por se exporem porque daqui a uns meses já ninguém se recorda deles, dou-lhes os parabéns por assumirem que não estão a conseguir lidar com os filhos e por não terem medo ou receio de pedir ajuda e ter de acatar ordens e indicações de uma estranha, mesmo que isso signifique lidar com todo o tipo de comentários maldosos.

Não há fórmulas mágicas de educação, as crianças são todas diferentes, mas todas elas gostam de testar os nossos limites e sabem exatamente como dar a volta às questões a seu favor, não tenham medo de as classificar com adjetivos fortes, eufemismos não resolvem o problema, a pequena seria uma tirana, qual o problema de usar essa palavra?

 

Gostava mesmo de ver qual seria a reação do público se a terapeuta fosse como a colega espanhola, num episódio recordo-me de a ver explicar aos pais que as crianças são como os animais, precisam de regras e de autoridade para saberem qual o seu local na família.

Os povo português é realmente um caso de estudo, gosta de opinar sobre tudo, passam a vida a dar palpites sobre a vida dos outros sejam seus conhecidos ou não, mas livrai-nos nosso senhor de alguém dar palpites à educação dos seus filhos, eles até podem comentar nas costas que aquela e outra mãe não sabe educar as crianças, mas dizer isto frontalmente e diretamente é caso para uma zanga para a vida.

 

Tenho para mim que na maioria dos casos não há preocupação nenhuma com o superior interesse da criança, há sim receio de verem em horário nobre que afinal não sabem tudo e que se calhar até há formas de lidar com as birras das crianças, que dizerem sempre que sim não é o caminho e que a dinâmica castigo/recompensa afinal resulta.

Estarão os portugueses com medo de perceber que afinal não percebem nada de educação!?

5 comentários

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    Psicogata 16.01.2018 15:41

    Não podemos concordar sempre.

    É uma exposição, mas se formos por aí é tudo exposição, teríamos de retirar do ar todos os programas com crianças, a diferença deste é que mostra um lado menos bom, mas quando as crianças são mal-educadas isso também se vê nos outros formatos.

    O problema é que em Portugal estas situações assumem proporções gigantescas, especialmente porque o programa foca um tema tabu, a educação das crianças, sempre que se fala disto há discussão, polémica, se não fizessem todo este filme a fama não seria tão grande.
    Eu própria refiro que não há formulas mágicas, mas estas técnicas são fáceis de implementar e pelo que sei dão bons resultados, quando falo pelo que sei, falo da experiência das crianças que me rodeiam.

    Eu não gosto do cenário educativo deste país e não sou a única, por isso tudo o que contribua para responsabilizar os pais e chamar à atenção para o problema é bem-vindo.
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    Quarentona 16.01.2018 16:03

    Claro que é exposição, claro que existem outro tipo de exposições de crianças às quais tanta gente bate palminhas e acham imensa piada como quando vão ao circo e veem um elefante a andar sobre as duas patas traseiras em cima de uma bola, é um espetáculo. Eu sou contra qualquer tipo de exposição infantil, por isso, o facto de existirem outro tipo de exposição não pode validar a existência de este tipo, é como justificar um erro com outro erro. Está errado. Se a educação é um problema? É. Se as pessoas não gostam de admitir que erram na forma como educam? Não gostam. Se esse problema se reflete mais em contexto escolar e incomoda terceiros? Sim, é um facto. A solução passa por um espetáculo televisivo? Não! Definitivamente, não! Se são tão criativos ao ponto de lembrarem-se de que seria um sucesso a todos os níveis, mostrar ao mundo as fragilidades de determinadas famílias, então tenham a criatividade de fazer programas onde não se exponha gratuitamente essas fragilidades. E peçam ajuda, caso seja necessário.
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    Psicogata 16.01.2018 16:26

    Entendo o teu ponto de vista, porque os pais não são donos das crianças e não têm o direito de decidir a vida deles, mas não sei se será caso para tanta polémica, na minha opinião e posso estar errada a criança não é prejudicada de tal forma a que o programa tenha de ser retirado do ar.
    Eu não concordo com imensa coisa que passa nos canais televisivos, mas daí a achar que os canais devem ser obrigados a retira-los do ar vai uma grande distância.
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    Quarentona 16.01.2018 16:58

    Pois eu acho que é. Não sei se te lembras de há uns anos ter sido retirado do ar um programa onde se interagia com golfinhos, onde é que o superior interesse do golfinho é superior ao daquela(s) criança(s)? Mais, o Herman José também viu suspenso o seu programa porque “gozou” com a Rainha Santa Isabel e a última ceia, onde é que o superior interesse de um religião é superior ao daquela(s) criança(s)?
    Ou por serem crianças, e como tal não têm voto na matéria, os adultos podem fazer o que quiserem com elas, inclusive humilha-las perante, em primeiro a Super Heroína da educação e a sua comitiva de filmagem e depois perante uma nação inteira, só porque é importante que outros pais aprendam como se faz? Naaahhh... parece-me que há aqui valores completamente invertidos, mas isto sou eu...
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