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Língua Afiada

Vogue – Doença mental não é loucura

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A saúde mental é um tema que tem tido muita projeção e ainda bem é preciso falar, debater e acima de tudo acabar com os mitos, estigmas e receios associados às doenças mentais.

A forma como a capa da Vogue retrata o tema é insensível, ignorante e perigosa, pois perpétua o estigma que a saúde mental deve ser tratada num manicómio como se tudo o que relaciona com a saúde mental coubesse na categoria da loucura e recorrem mesmo a essa palavra para ilustrar a capa.

Romantizar o banho a uma pessoa fragilizada e possivelmente incapaz de tomar conta de si própria é uma piada de mau gosto para todos aqueles que têm problemas de saúde mental e cujo maior receio é terminarem institucionalizados, não é só o internamento que os assusta, mas também o que vem depois, mais uma vez o estigma de que quem é hospitalizado numa ala psiquiátrica é maluco.

Entendo que muitas pessoas não percebam o mal que esta capa pode causar a quem está em sofrimento e no dilema de pedir ou não ajuda, vivemos tempos em que tudo parece causar contestação, mas neste caso a situação requer um cuidado especial e quem o diz são os especialistas e com razão.

Não se trata do politicamente correto, trata-se do editorialmente correto, já que os órgãos de comunicação têm o dever de informar e não desinformar, pode ter parecido interessante causar polémica, mas devemos ter a responsabilidade de verificar se o êxito compensa as consequências, neste caso claramente que não.

A acusação que estamos a julgar o livro pela capa não faz aqui qualquer sentido, já que é precisamente a capa que faz vender a revista, seria mais prudente explicar a capa e admitirem que não viram a questão dos vários ângulos possíveis, faltando ver que a maioria das pessoas não entenderá a metáfora e não lerá a revista, apenas verá a capa.

Este é um tema sério, difícil e de grande responsabilidade, como são todas as questões de saúde, com a agravante que neste caso para quem se encontra com problemas a capa pode funcionar como gatilho para um sem fim de situações problemáticas.

Pede-se mais respeito, mais empatia e mais responsabilidade.

#GeorgeFloydChallenge – A última moda estúpida e repugnante das redes sociais

Jovens nos Estados Unidos decidiram lançar um desafio nas redes sociais no qual se fotografam com o joelho no pescoço de amigos a rirem-se, esta encenação que ridiculariza a detenção e morte de George Floyd tem sido feita maioritariamente por jovens brancos.


Que conclusões podemos retirar desta atitude? Que há um longo caminho para vivermos numa sociedade igualitária e justa e que o combate ao racismo deve estar na ordem do dia em todo o mundo.
Quando temos jovens que perante um crime horrendo reagem com uma tentativa de brincadeira repugnante, algo está a falhar na sua educação e formação, algo básico como respeitar o próximo, como ter empatia e tratar todas as pessoas como iguais.


Sinto-me arrepiada, enojada e revoltada sempre que alguém desvaloriza o racismo e isso acontece demasiadas vezes, infelizmente sinto que podemos estar a regredir em vez de evoluir a julgar pelo crescente apoio a movimentos de extrema-direita que incitam ao racismo e xenofobismo e até machismo pois consideram que todos os males da sociedade são causados pelos estrangeiros, por pessoas de culturas diferentes e até por mulheres que estão a ocupar cargos que consideram serem apenas de homens.


Esta visão simplista da sociedade pode ser muito apelativa quando as pessoas são cada vez mais egoístas, invejosas e carentes de valores, se lhe juntarmos revolta e ignorância temos uma combinação explosiva ideal para fomentar movimentos extremistas baseados em teorias da conspiração, notícias falsas, mitos e mentiras.

Tenho imensa pena que o Covid-19 não seja seletivo no contágio, espero que um dia a Natureza seja capaz de produzir um vírus que ataque apenas aqueles que merecem, é que mesmo com todas as evidências científicas e sob a ameaça de um vírus que não diferencia cor, estatuto social, género ou idade as pessoas têm dificuldade em entender que todos somos iguais, que vivemos sob o mesmo o sol e a única coisa que nos diferencia é a roleta russa do nascimento, será assim tão difícil entender e interiorizar isso?
Ignorância, tanta ignorância se propaga neste mundo.


A polícia já prendeu alguns dos sociopatas que fizeram este desafio, espero que os prendam a todos e que o desafio seja contido o quanto antes.

Não existem raças, apenas pessoas.

A ciência já chegou a esta conclusão, não há caraterísticas diferentes suficientes para se dividir a humanidade em raças, há apenas uma raça, a humana, que se adaptou ao ambiente em que vive, a explicação para a cor da pele é simples e básica, pele escura para suportar sol e temperaturas altas, pele branca para absorver os poucos raios de sol em regiões mais frias e com poucas horas de sol.

As semelhanças genéticas entre pessoas desmitificam e mitigam o racismo com base na cor da pele, sendo que a cor não é sinónimo de partilha genética e ancestralidade em comum.

Não existem raças biológicas, mas as raças estão enraizadas na nossa cultura e servem como argumento para o racismo, que não é nada mais do que a consequência natural do medo do desconhecido, do diferente, do exótico, o que é incrível é que estes medos se tenham propagado até aos dias de hoje onde a informação e a formação já deveriam ter erradicado há muito este preconceito estúpido e infundado.

Muitas vezes já escrevi aqui sobre racismo, porque é um tema que me deixa particularmente incomodada, porque acho estúpido e de uma ignorância tremenda simplesmente não gostar ou desprezar alguém com base na sua cor, origem ou cultura, não há barómetro melhor de inteligência do que o grau de racismo, uma pessoa inteligente, com capacidade de análise e consciente nunca poderá em tempo algum ser racista, sem exceções, sem condicionantes.

Somos todos iguais, nascemos todos no mesmo mundo e como o sol quando nasce, nasce para todos, também nós nascemos debaixo do mesmo sol, com os mesmos direitos e os mesmos deveres, concedidos pelas sociedades onde nascemos.

A lotaria do nascimento é a única coisa que nos permite ser e pertencer a determinada cultura, um acaso e o nosso destino poderia ser outro completamente diferente, a única diferença entre nós é o local onde nascemos, tudo o resto é uma mistura entre genética, educação e personalidade, mas independentemente de onde nascemos e de como fomos educados a escolha de sermos bons ou maus é nossa.

O que se passou com o jogador Marega do Futebol Clube do Porto é inadmissível e extremamente vergonhoso para o futebol, para o desporto e para Portugal, é uma nódoa difícil de retirar e ainda bem, pois é bom que as pessoas não se esqueçam destes cobardes miseráveis que se escondem por detrás de uma calque para exorcizarem os seus demónios e preconceitos, para esconjurarem as suas frustrações e desgostos.

Marega teve a atitude correta, saiu, marcou uma posição, disse basta, não se remetendo ao silêncio, pois isso seria compactuar com os agressores que continuariam a achar que podem proferir as maiores barbaridades sem punição, o racismo é crime e é bom que este crime passe do papel para a ação para que as pessoas metam na cabeça que até podem ser ignorantes e racistas, mas exercer racismo é crime e se o fizerem senão punidas por isso.

Quanto ao oportunista do Chega espero que tenha aprendido a lição, é que mais vale cair em graça do que ser frustradamente engraçado, a sua eleição foi uma vergonha e cada vez que emite uma opinião essa vergonha só aumenta.

Parabéns Marega pela coragem de dizer chega aos Chegas de Portugal.