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Língua Afiada

Alterações climáticas – Greta Thunberg

A preocupação com o aquecimento global e as alterações climáticas começou há 50 anos, há 50 anos, pessoalmente recordo-me de sempre conviver com este receio, lembro-me da preocupação com camada de ozono na década de 80, recordo-me bem de não me deixarem estar ao sol nas horas de maior calor e de ter de usar protetor solar quando a maioria das pessoas usava óleo Johnson ou creme de cenoura para bronzear mais rápido.

Recordo-me da preocupação com os aerossóis e com o gás dos frigoríficos, recordo-me também do alarme dos E’s, aditivos alimentares, a minha tia tinha uma lista impressa para verificar as etiquetas dos produtos.

Na década de 90 começaram as preocupações com o “pulmão do mundo”, o tema esteve bastante presente nas aulas de ciências e biologia, mas entretanto a floresta amazónica perdeu milhões de quilómetros de território.

Há anos que cientistas e ativistas alertam para a necessidade de se tomarem medidas urgentes para travar o aquecimento global, o degelo, mas nem a crescente torrente de catástrofes naturais é suficiente para despertar consciências.

Porquê?

O motivo é simples porque as alterações climáticas ainda não influenciam os mercados, ainda não são suficientemente graves para afetarem a vida das pessoas que realmente podem fazer algo para mudar este panorama catastrófico que se avizinha.

Os desastres climáticos foram a principal causa da deslocação de pessoas em todo o mundo na última década, forçaram mais de 20 milhões por ano a abandonarem as suas casas, isto deveria ser motivo para mudanças drásticas, só que há um detalhe, os mais vulneráveis são os cidadãos de países pobres, que, apesar de serem os que menos contribuíram para a poluição, são os que têm maior risco de serem diretamente afetados nos próximos anos.

Esconder a cabeça na areia ao refutar dados científicos com a falha de previsões dos cientistas, não é opção, é impossível prever com exatidão quando ocorrerá o ponto de viragem do qual não poderemos recuar, chegará o dia, o dia zero em que nada voltará a ser como antes, mas essa realidade já chegou, não podemos restituir o gelo aos calotes, não podemos ressuscitar espécies, não podemos parar a transformação brutal que o planeta Terra está a sofrer, estamos a mudar a composição da atmosfera e isso acarreta consequências gravíssimas para o planeta.

Lamentavelmente, não vejo este panorama mudar tão cedo, os interesses capitalistas, as grandes corporações e as grandes indústrias não estão interessadas em resolver a questão e consequentemente os Governos, financiados por estas, também não.

A solução passa pela mobilização da população no geral, pela reivindicação de medidas que tenham real impacto, por isso em vez de criticarem, gozarem e achincalharem Greta Thunberg, agradeçam-lhe por não ter medo de colocar o dedo na ferida.

Curiosamente a maioria da população portuguesa está preocupada com as alterações climáticas, só que não tem a real perceção das implicações dessas alterações e isso acontece porque as consequências não se fazem sentir no seu mundo, no seu dia-a-dia, ou pelo menos não se fazem sentir de forma prejudicial, afinal ter um verão antecipado em Fevereiro foi muito interessante.

Greta Thunberg está em Portugal e espero que a sua visita sirva para mudar algumas mentalidades e para abrir algumas mentes, não basta estar preocupados com as alterações climáticas, é preciso fazer algo para mudar este cenário que se adivinha catastrófico.

São Pedro dá cá um tempo para descanso

O São Pedro claramente é bipolar, um dia está eufórico e resolve brindar-nos com um calor dos infernos, uns dias depois deprime e dá-nos nuvens cinzentas para ficarmos todos em sintonia.

O problema é que o meu organismo não gosta de temperaturas bipolares, este tempo inconstante dá-me dores no corpo, dores de cabeça e sensação de mal-estar e não sou a única, muitas pessoas se queixam do mesmo.

Para não falar do problema óbvio da logística, ter à mão roupa de Inverno e roupa de Verão dá trabalho, quando digo roupa de Inverno não estou a exagerar, na sexta passada por volta das 23h estavam 12 graus, 12 graus fresquinhos com direito a orvalho, que não se remediavam com um casaquinho de malha pelos ombros.

Imagino a dificuldade de quem tem de fazer uma mala para férias, em vez de uma mala de 20kg, tem de levar uma de 40kg para fazer face às eventuais alterações climáticas bruscas, sempre achei complicado fazer malas para passar em férias em Portugal, se achava isso antes, depois da última Primavera e pela amostra deste Verão acho que é mesmo impossível levar só roupa quente.

Isto de culpar o São Pedro é giro, tem a sua piada, mas o problema não é o São Pedro, é bem mais grave do que isso, o clima está a alterar-se e dizermos em tom de brincadeira que estamos a ficar um país tropical, não tem realmente graça, porque é efetivamente um problema.

Este pensamento não ajuda em nada no meu ânimo que se sente afetado pelas nuvens cinzentas que vislumbro pela janela, desanimo mais um pouco, este mundo está em rota de colisão, mas continua a girar como tudo estivesse perfeito.