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Língua Afiada

Inadmissível como trataram os animais vítimas do incêndio

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O que se passou em Santo Tirso é desumano, cruel, vil, de uma insensibilidade e falta de empatia atrozes, como é possível não terem permito resgatar os animais de imediato?

A informação ainda é difusa e nestas situações a indignação leva a que se propague informação errada, mas as declarações e as fotos de quem esteve no local na hora não deixam margem para dúvidas, era possível ter-se feito mais, deveria ter-se feito mais no imediato e mesmo que já não se pudessem salvar alguns animais da morte, não persistiria esta dúvida do e se os tivessem deixado entrar.

Quanto às proprietárias não tenho palavras para as qualificar, as condições em que os animais se encontravam eram deploráveis e a sua atitude ainda mais deplorável a impedirem que fosse prestada ajuda e auxílio aos animais sobreviventes, não é de admirar pois temiam as consequências dos populares e voluntários de várias associações de proteção de animais que se encontravam no local.

Segundo as autoridades já teriam sido resgatados os animais em perigo e por indicação do veterinário os outros deveriam permanecer no local, justificaram o impedimento da entrada por se tratar de propriedade privada e a situação não ser de carácter urgente.

O veterinário responsável é tudo menos responsável pois deixar os animais naquelas condições não é de todo uma decisão que tenha em causa o bem-estar dos animais, e não faltam fotos para comprovar o estado lastimável em que foram deixados.

É inadmissível que retirem animais às pessoas por os deixarem sozinhos numa varanda e depois permitam abrigos ilegais com animais em condições lastimáveis, alguns com chip, um voluntário encontrou inclusive o seu próprio cão perdido, sem qualquer supervisão ou intervenção.

As leis de proteção animal de pouco servem se não forem cumpridas e se as autoridades não as fizerem cumprir, podem legislar muito, mas se as pessoas e as próprias autoridades não estiverem em linha com as leis e com o civismo, de nada nos serve a legislação.

Pessoas que perante uma calamidade destas respondem que se fossem pessoas era bem pior, deixam bem patente a falta de empatia e humanidade que sentem, a vida de um animal não se compara à vida de uma pessoa e a vida de uma pessoa não se compara à vida de um animal, mas todos têm direito à vida e à proteção da sua integridade física e psicológica, a forma como tratamos os animais e a natureza em geral diz muito da nossa natureza, que sem revelado bárbara e pré-histórica.

 

Foto da página https://www.facebook.com/pelosanimaisdesantotirso/

 

 

 

 

 

 

 

Não abandone o seu animal!

 

 

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Férias dos humanos infelizmente são sinal de abandono dos animais de estimação, custa a crer que ainda existam pessoas capazes de abandonar um animal que faz parte da sua vida, mesmo que não considerem o animal um membro da família, ele faz parte da dinâmica familiar e é um ser dependente do dono para sobreviver, abandonar um animal é condená-lo a provações, dor e provavelmente à morte, o que faz dos antigos donos assassinos.

Na zona onde vivo e trabalho já é notório o abandono, junto às zonas industriais já circulam cães abandonados, todos os anos aqui na empresa aparecem dois ou três animais, esta semana apareceu uma cadelinha com coleira, felizmente que há sempre um funcionário que os acolhe, enquanto não se decide o dono vamos alimentando-os até que alguém se enternece e os leva para casa.

Já acolhemos inclusive ninhadas quer de cães, quer de gatos, já colocaram uma ninhada de cães dentro de um saco do lixo que foram resgatados pelo choro quando alguns estavam já prestes a desfalecer sem oxigénio.

A crueldade das pessoas não tem limites, é preciso ter-se um coração de pedra para tratar assim um animal, especialmente quando é “nosso”.

Só esta semana vi um cão atropelado, outro visivelmente perdido e desnorteado e outro a vaguear aqui pela empresa, possivelmente três animais abandonados cujos donos os trocaram por umas férias.

 

As pessoas têm direito a férias, mas pensem nisso antes de adotarem ou comprarem um animal, pensem na responsabilidade e na disponibilidade que eles merecem da vossa parte, se não têm possibilidades financeiras para colocar o animal num hotel e se não têm um familiar, amigo ou vizinho que posso tomar conta dele durante as vossas ausências não acolham um animal, porque um ser vivo não é descartável.

É repugnante maltratar um animal, mas abandonar os próprios animais de estimação mais do que nojento, é insano, para além de um crime é uma demonstração de falta de moral, de negligência, de irresponsabilidade, de falta de empatia e de amor.

Adoro animais, sempre tive cães e gatos na casa dos meus pais, na minha casa tenho apenas gatos porque sei que não tenho capacidade para ter um cão, um dos entraves é precisamente não ter quem cuide dele durante as férias, a minha gata entra e sai e basta alguém dar-lhe água e comida na nossa ausência, um cão implicaria outros cuidados.

Pensem bem antes de acolherem um animal se não têm o carácter e a dedicação que são necessárias para cuidar dele, acreditem ele fica melhor sem a vossa companhia.

Animais nos restaurantes e agora?

E agora à boa maneira portuguesa os proprietários e os fregueses que se entendam, pois a lei não é esclarecedora e animais de estimação podem ser cães e gatos, mas também uma série de outros animais desde de que sejam tidos com companhia.

A omissão pode ser explicada por se pensar que se subentende que se está a falar principalmente de cães e gatos, mas o bom senso é algo que não impera no mundo, Portugal não é exceção e pode muito bem gerar-se a confusão.

 

Seria pior se a lei não permitisse que os proprietários decidam ou não se admitem animais e se estes não pudessem limitar o seu número, convenhamos que ter 40 pessoas e 20 cães dentro de um espaço pode não ser recomendado, se lhe juntarmos um ou outro gato reunimos todos os ingredientes para um vídeo viral - a destruição do restaurante do Manel.

 

Apesar das lacunas da lei não vejo que isto seja um grande problema por dois motivos, primeiro porque creio que a maioria dos espaços não permitirá o acesso a animais, porquê? Simples, porque os obrigaria a ter uma série de cuidados de limpeza e higiene adicionais que implicam custos de tempo e dinheiro, segundo porque as próprias pessoas não se fazem acompanhar dos animais de estimação para toda a parte.

Mas há sempre um lado mais negro, porque apesar de estarmos a defender os direitos de nos fazermos acompanhar pelos nossos fieis amigos, há muitos donos que não são fieis aos seus animais e não os tratam como seria de esperar, mau-cheiro, pulgas, carraças, chocas de pelo não convivem bem com comida e bebida e se mais uma vez deveria imperar o bom senso, sabemos que não podemos contar com ele.

 

A lei é omissa, mas não é preciso ridicularizar, extremar posições e ter ataques de pânico porque se tem medo de iguanas e tarântulas, até quem tem medo de cães se encontra protegido já que existem regras a cumprir.

Esperemos que entretanto a lei seja complementada com algumas alíneas ou artigos mais específicos, não obstante por mais ampla que seja a lei nunca cobrirá todas as situações e não educará os donos dos animais, nesse aspeto há ainda um longo caminho a percorrer.

Entretanto podemos levar os nossos animais a passear no parque e depois bebermos um café ou mesmo almoçar num restaurante que nos permita ter o nosso amigo ao nosso lado, já sabemos que se queremos ir jantar a um restaurante da moda é melhor deixarmos o amigo em casa, pois mais certo é que a sua entrada seja vedada.

 

Espero que se aperte a legislação e a fiscalização dos dejetos dos animais, especialmente dos cães, porque isto dos direitos é para ser levado a sério, mas não menos a sério se devem levar os deveres, convenhamos que num parque ou se deixam correr crianças ou se deixam correr animais, ninguém quer que o seu filho conviva animadamente com as fezes do pastor alemão e do pincha, para não falar da praia, é bom que se definam regras e espaços, mas também que se faça respeitar a lei a que permite, mas também a que proíbe.