Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

#GeorgeFloydChallenge – A última moda estúpida e repugnante das redes sociais

Jovens nos Estados Unidos decidiram lançar um desafio nas redes sociais no qual se fotografam com o joelho no pescoço de amigos a rirem-se, esta encenação que ridiculariza a detenção e morte de George Floyd tem sido feita maioritariamente por jovens brancos.


Que conclusões podemos retirar desta atitude? Que há um longo caminho para vivermos numa sociedade igualitária e justa e que o combate ao racismo deve estar na ordem do dia em todo o mundo.
Quando temos jovens que perante um crime horrendo reagem com uma tentativa de brincadeira repugnante, algo está a falhar na sua educação e formação, algo básico como respeitar o próximo, como ter empatia e tratar todas as pessoas como iguais.


Sinto-me arrepiada, enojada e revoltada sempre que alguém desvaloriza o racismo e isso acontece demasiadas vezes, infelizmente sinto que podemos estar a regredir em vez de evoluir a julgar pelo crescente apoio a movimentos de extrema-direita que incitam ao racismo e xenofobismo e até machismo pois consideram que todos os males da sociedade são causados pelos estrangeiros, por pessoas de culturas diferentes e até por mulheres que estão a ocupar cargos que consideram serem apenas de homens.


Esta visão simplista da sociedade pode ser muito apelativa quando as pessoas são cada vez mais egoístas, invejosas e carentes de valores, se lhe juntarmos revolta e ignorância temos uma combinação explosiva ideal para fomentar movimentos extremistas baseados em teorias da conspiração, notícias falsas, mitos e mentiras.

Tenho imensa pena que o Covid-19 não seja seletivo no contágio, espero que um dia a Natureza seja capaz de produzir um vírus que ataque apenas aqueles que merecem, é que mesmo com todas as evidências científicas e sob a ameaça de um vírus que não diferencia cor, estatuto social, género ou idade as pessoas têm dificuldade em entender que todos somos iguais, que vivemos sob o mesmo o sol e a única coisa que nos diferencia é a roleta russa do nascimento, será assim tão difícil entender e interiorizar isso?
Ignorância, tanta ignorância se propaga neste mundo.


A polícia já prendeu alguns dos sociopatas que fizeram este desafio, espero que os prendam a todos e que o desafio seja contido o quanto antes.

Distanciamento nas creches e amas? Pura Utopia e Ignorância

Impedir bebés e crianças pequenas de se tocarem e brincarem uns com os outros e com os adultos que os supervisionam é impossível.

É impossível, inviável, estúpido, infeliz, desumano, cruel e revela que mais uma vez que em Portugal o superior interesse da criança, chavão tantas vezes utilizado para justificar tantas decisões, não é realmente o mais importante.

Privar uma criança da interação humana é tudo menos no seu interesse, neste caso é no interesse da economia, e se quisermos incluir aqui o interesse das crianças, fazemos um esforço e podemos pensar que lhes estamos a assegurar um futuro melhor, mas a que custo?

Um custo demasiado alto, já que é essencial ao seu desenvolvimento a interação, a partilha, a troca, os afetos, os mimos e até as birras e as brigas.

Não sei se quem definiu as regras não percebe nada de crianças, do seu desenvolvimento e do funcionamento de uma creche ou se preferiram simplesmente ignorar e esperar que as educadoras e auxiliares consigam de alguma forma minimizar as interações, a certeza que tenho é que é impossível implementar as regras de distanciamento.

O distanciamento é impraticável com crianças tão pequenas, não conseguem entender os motivos da distância e se insistirmos muito em afasta-las vão interiorizar que isso é a norma e estaremos a ensina-las a serem frias, distantes, egoístas e egocêntricas.

É claro que devemos tomar as devidas precauções e concordo que exista um reforço da limpeza e desinfeção dos espaços, mas manter as crianças afastadas não me parece razoável ou colocamos o coração de parte e nos mentalizamos que vamos ter as crianças juntas ou ficamos com elas em casa.

Já custa horrores separar-nos delas depois de estarmos tanto tempo com elas em casa, pensar que as vamos deixar num local sem afetos é agonizante.

No meu caso, tive uma conversa franca com a ama e deixei-a à vontade para lhe dar colo e mimos e para a deixar interagir com as outras crianças, não consigo conceber que seja de outra forma.

Não conseguimos estar totalmente a salvo e não conseguimos controlar tudo, no que ao Covid-19 diz respeito às vezes mais parece uma questão de sorte ou azar, é que não fazemos sequer ideia se já tivemos o vírus, é tentar viver com esta normalidade estranha e ter os cuidados necessários e esperar não termos azar de nos infetar-nos num descuido nosso ou dos outros.

Às crianças, deixem-nas ser crianças, só assim crescerão saudáveis e felizes para serem adultos saudáveis e felizes.

Covid-19 e a irresponsabilidade e ignorância dos portugueses

Seremos sempre um país de terceiro mundo no que toca ao civismo e responsabilidade social, somos uma sociedade egoísta e oportunista e pior uma sociedade ignorante que escolhe ser ignorante.

O primeiro grande irresponsável foi o Estado e respetivos organismos que mantendo-se fiéis a si próprios não tomaram quaisquer medidas preventivas e a mensagem que passaram foi que as pessoas podiam regressar a Portugal de zonas infetadas e fazer suas vidas normais, sem quaisquer restrições e o que é que aconteceu? Um infetado disseminou o vírus, basta uma, uma pessoa para causar um efeito em cadeia catastrófico.

Os casos têm aumentado todos os dias e têm aparecido novos focos, uma pessoa fechou uma fábrica e colocou em estado de alerta umas quantas outras que privaram com ela durante um fim-de-semana em que se desdobrou em atividades sociais, tendo até sido DJ numa festa.

A grande questão é porque é que se permitiu que isto acontecesse? Não teria sido mais fácil ter prevenido do que agora estar a querer estancar o mal a todo o custo? Acreditem o custo será alto.

A legislação não é clara perante a quarentena e no concelho de Felgueiras as pessoas que estão de quarentena passeiam-se alegremente pelas ruas, há relatos de pessoas que terão ido de férias para o Algarve, típico português, não tenho sintomas, isto mata menos que gripe vou aproveitar que está bom tempo e ter umas férias pagas pelo Estado, ou seja, por todos nós.

Os relatos de comportamentos irresponsáveis estão por todo lado, é ridícula a quantidade de pessoas que não está a levar a sério este assunto, que fazem comparações parvas com a gripe comum ou a fome no mundo, atiram as maiores pérolas de ignorância e ainda as publicam e republicam para que outros tal como eles encolham os ombros e continuem a cumprimentar toda a gente com dois beijinhos, de preferência repenicados.

Não há paciência para tanta ignorância, leiam as notícias, vejam o que está a acontecer em Itália, protejam-se e percebam de uma vez por todas que isto não é uma gripe normal.

O Covid- 19 causa complicações que implicam a entubação e ventilação dos pacientes, não é preciso ser um entendido na matéria para saber que este tipo de equipamento não está disponível em larga escala em nenhum local do mundo, simplesmente nenhum sistema de saúde, por mais evoluído que seja, está preparado para um número elevado de casos ao mesmo tempo, se adoecermos todos ao mesmo tempo, as pessoas não morrerão do vírus, mas da falta de assistência médica porque não existirá forma de tratar todas as pessoa.

Esse cenário dantesco está a acontecer em Itália, pessoas morrem porque não existe capacidade para as tratar, não é por acaso que as mortes são maioritariamente de pessoas idosas, é que o critério passa pela análise de hipótese de sobrevivência e os mais idosos e mais frágeis são os que são colocados à mercê da sorte ou do azar.

O que iremos fazer se o número de casos aumentar exponencialmente? Decidir com base na possibilidade de recuperação, num país envelhecido como o nosso em que não se respeitam as regras, nem quero imaginar a tragédia.

A contenção da propagação é a solução, só contento o vírus é que teremos capacidade de resposta para tratar os infetados, o gráfico abaixo demonstra a disparidade da capacidade de resposta dos hospitais perante uma disseminação da doença sem contenção e com contenção.

Covid-19.jpg

Deviam fazer uma ampla campanha de divulgação e consciencialização da população sobre a importância de conter o vírus antes que seja demasiado tarde e fiquemos todos em quarentena.

Não há motivos para alarme, há motivos para tomar precauções e encarar o tema com a seriedade que merece, ser irresponsável e ignorante é que pode resultar num problema de saúde pública gravíssimo.

Cada um de nós pode ser um elemento ativo na consciencialização das pessoas, informem as pessoas mais próximas, não cumprimentem as pessoas, evitem o contacto físico e expliquem a quem não respeita estas indicações as complicações que esse comportamento pode causar.

Se todos fizermos o nosso papel será fácil conter o vírus, se ignorarmos o perigo acabaremos por nos colocar a todos em perigo.