Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

Já tinha saudades deste cantinho

Foram muitas as vezes que pensei voltar, foram inúmeros os textos que escrevi mentalmente, incontáveis os temas que me surgiram, incalculáveis os desabafos que desejei fazer e imensuráveis as alegrias que quis partilhar. Momentos houve em que abri a página em branco e escrevi, mas nunca concluí e então fechava a página sem guardar, uma prioridade maior, mais importante, levava-me a direcionar todas as atenções para ela.

A vida, tal como já havia previsto, muda muito depois do nascimento de um filho, não é melhor, nem pior, afinal não sentimos saudades daquilo que não conhecemos, é diferente, mais preenchida, mais rica, mais colorida e com um sentido completamente diferente.

O amor que nos enche o peito a cada dia que passa é de tal forma grandioso que coloca tudo o resto para segundo plano, a maternidade não é uma experiência de vida, é uma experiência para a vida, a experiência da nossa vida.

Agora que as coisas estão mais calmas, que começa a existir uma rotina mais definida, que a minha bebé está um pouco mais independente, já depois do tão amargurado regresso ao trabalho, é tempo de regressar ao que me faz bem, estou de regresso, ainda sem saber como encaixar o blog no meu dia, mas quero aos poucos voltar a escrever e partilhar convosco o turbilhão de emoções que sinto.

Obrigada a todos os que foram perguntando como estavam as coisas, têm um cantinho especial no meu coração.

Ps. Se faltar alguma palavra no texto, não se surpreendam, pois o meu cérebro ainda não voltou ao seu estado normal.

De mãe desnatura a familiar, amiga e blogger desnaturada

Mas uma profissional esmerada…

As coisas parecem ter finalmente acalmado, felizmente, porque não tenho conseguido dormir bem e sinto-me cansada, um cansaço que desconhecia, diferente, é até um cansaço feliz, mas não deixa de ser cansaço.

Entretanto estamos em cima do Natal, estamos a três meses da data prevista do nascimento e não está nada decidido, nada resolvido, nada tratado, sinto-me numa espécie de limbo entre a realidade e ilusão, onde o tempo passa e eu não o consigo reter, aproveitar, usufruir.

Sinto-me em falta comigo, com a família, com os amigos e com praticamente tudo o que me rodeia, falta-me energia, a energia que sempre me caraterizou e moveu.

Quando trocamos datas de consultas, nos esquecemos da placa vitrocerâmica ligada e não conseguimos realizar metade das tarefas propostas para o dia, é altura de colocar em perspetiva as nossas prioridades, o blog foi um dos projetos descurados, simplesmente ficou sem lugar na lista de prioridades.

Gostava muito de alterar este cenário, mas não sei se conseguirei encaixar o blog nesta fase da minha vida, simplesmente tenho demasiado em que pensar.

Na minha vida, na nossa vida, é normal acontecer tudo ao mesmo tempo e este ano foi o maior exemplo disso, aconteceu tudo em simultâneo, junto com o nosso maior projeto pessoal aconteceram também projetos profissionais, muitas oportunidades que tiveram de ser agarradas com ambas as mãos, paixão e dedicação.

As últimas 3 semanas foram caóticas, gratificantes, mas caóticas, peço desculpas a quem não consegui dar a atenção devida, mas trabalhar das 8h às 24h não nos deixa muito tempo para respirar, espero conseguir organizar-me agora para colocar tudo em dia e pelo menos não descurar as pessoas, que são o mais importante da vida.

Infelizmente o tempo por mais que queiramos não chega para tudo e há sempre algo que fica por fazer, mas não queria pelo menos deixar de vos dizer que sinto saudades deste cantinho, de vocês, das vossas palavras, das vossas partilhas, de vos ler, espero em breve ter mais tempo para colocar a leitura e a conversa em dia.

Tempo

Já desejei que o tempo passasse mais devagar, que fosse lento e comprido, que esticasse para me perder nas suas horas, já desejei que o tempo passasse mais depressa para me levar aos lugares que projetava para o futuro, já desejei que o tempo parasse, ficasse suspenso para saborear a felicidade de um momento.

Por estes dias o tempo assumiu uma cadência própria, escasseia, escorre-me por entre as mãos, nunca é suficiente, nunca me basta, termino os dias a pensar no que deveria ter sido feito e no tanto que tenho para fazer no dia seguinte.

Nunca tive uma boa relação com o tempo, sempre me pareceu trapaceiro, demorando-se e arrastando-se quando tenho pressa e fugindo quando preciso de calma, a nossa perceção do tempo depende daquilo que fazemos com ele e é precisamente aí que reside o meu problema, não tenho tempo para fazer tudo aquilo que almejo.

A prova é este blog que nas últimas semanas tem estado quase ao abandono, nem para desabafar e colocar os pensamentos em dia tem havido disponibilidade, todos os espaços temporais são preenchidos pelas inúmeras tarefas, rotinas, decisões, reuniões e trabalho, nem ao adormecer há tempo para alinhavar textos e ordenar palavras.

Não me queixo, uma vida preenchida é bom sinal, gosto de estar ocupada, gosto de novos projetos, gosto desta adrenalina de correr conta o tempo, mas começo a sentir-me cansada, preciso de uma pausa para desligar e reequilibrar corpo e mente.

Teria tanto para escrever, para contar, para opinar, mas por enquanto fica apenas este desabafo com a certeza que o que custa é escrever o primeiro texto, outros se seguirão com a mesma naturalidade de sempre, não fosse este espaço o meu refúgio, o meu local sagrado onde coloco a nu os meus dilemas e frustrações, onde partilho as minhas alegrias e as minhas conquistas, onde reclamo e aplaudo e me sinto completa e feliz.

O tempo, não darei ao tempo, tempo, viverei o tempo que o tempo me dá com o tempo que tenho.