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Língua Afiada

O fantástico sentido de humor da vida

Na semana passada lamentava-me que não podia tirar férias por causa do trabalho, que apesar de ter terminado um projeto, não havia muita margem para marcar viagens entre compromissos.

Estou convencida que a minha vida gosta mesmo de brincar comigo pois eis que nos coloca, a mim e a ele um novo projeto, não sabemos ainda em que moldes, o trabalho que dará e é preciso claro que passe da fase de orçamento, mas sendo que o cliente já conhece o nosso trabalho a probabilidade que o projeto se concretize é alta.

Se isto é bom? Claro que sim, é espetacular, é acima de tudo reconhecimento e uma oportunidade de fazermos o que gostamos, mas, há sempre um mas, é preciso aparecer sempre tudo ao mesmo tempo?

Não é que não esteja feliz, estou muito feliz e agradecida, até porque é uma oportunidade que pode abrir caminho para uma oportunidade muito maior, mas precisava de um intervalo e não sei como encaixar esse intervalo na minha agenda.

A minha vida deve pensar isto de mim:

- Queres tempo para descansar?

- Toma lá mais trabalho que é para aprenderes a não te queixares! Há pessoas que nunca têm férias e não morrem, se calhar queixam-se menos que tu!

 - Para a próxima não te queixes!

E é isto!

É claro que facto de eu não dormir uma noite seguida há umas cinco noites seguidas e de no fim-de-semana ter ficado mais cansada do que descansada pode estar a alterar profundamente o meu pensamento, que neste momento só pensa no sofá, mas isso são detalhes.

Efeitos secundários positivos

Uma doença seja qual era for é má, quando nos dizem que a partir de agora teremos de tomar medicação durante toda a vida é assustador. O meu problema não é grave e a medicação funciona como cura, mas também de prevenção, mas como todos os medicamentos tem efeitos secundários e se a adaptação à medicação é penosa, também tem os seus efeitos positivos.

 

O médico avisou-me que as primeiras semanas seriam complicadas e que o processo se repetiria sempre que aumentasse de dose até à dose recomendada, avisou-me para que não desistisse, certificou-me que os efeitos negativos passariam ao fim de alguns dias, a verdade é que passaram, mas foram dois meses muito complicados com náuseas, enjoos, sabor metálico na boca e uma má disposição geral que me deram vontade de desistir, não desisti porque o médico me disse para aguentar, que teria de aguentar e aguentei.

 

O médico disse-me também que provavelmente perderia peso de forma gradual, mostrou algum receio porque não sou visivelmente uma pessoa com peso a mais, mas assegurei-lhe que tinha cerca de 10kg extra, não pareceu acreditar e disse-me que não perderia tanto, 1 ou 2 kg nos primeiros meses e depois perderia mais alguns kg gradualmente.

Não consegui evitar sorrir, porque nunca entendi como comecei a acumular peso, não me parecia natural do meu corpo acumula-lo, quer pelo metabolismo, quer pela minha genética, sempre achei que o aumento progressivo de peso que fui tendo ao longo dos anos não tinha sido normal porque se mudanças fiz no meu estilo de vida foram para uma vida mais saudável.

Comentei com o Moralez - Gostava tanto de perder os 10kg.

Ele logo me respondeu para não ter esperanças tão altas que provavelmente não perderia tanto, não se perdem 10kg facilmente.

 

Praticamente um ano após a primeira consulta perdi 8kg passei de 64 kg para 56kg, já não me recordava de pesar 56kg, faltam apenas 2 kg para ter o meu peso ideal, os 54kg.

É claro que os 2kg que tenho a mais estão alojados nas zonas mais complicadas, barriga, rabo e ancas, nada que algum exercício físico não ajude a queimar.

 

Pensei sinceramente que os efeitos positivos ficassem por aqui, mas eis que ontem reparei em algo inacreditável, algo que julguei nunca mais ver no espelho, fiquei tão estupefacta que pensei que eram os meus olhos que estavam a ver mal, que era da luz, ou algum efeito ótico estranho, corri para ao pé do Moralez a perguntar se ele estava a ver o mesmo que eu.

Ele confirmou e eu continuava sem conseguir acreditar, a minha celulite tinha diminuído significativamente, muito significativamente, assim ao estilo milagre, um dia estava lá, no outro não estava.

 

Não me perguntem como não reparei na evolução, não reparei, é claro que deve ter sido um processo gradual, mas não me tinha apercebido até ontem ficar incrédula sem acreditar no que os meus olhos estavam a ver no espelho, aperta aqui, aperta acolá e realmente ela particamente desapareceu.

Como disse o Moralez – Nem tudo é mau!

 

Têm sido dias, meses, anos complicados, isto é insignificante no que toca à saúde, mas não deixei de durante os 10 minutos seguintes ficar imensamente feliz.

Do mal, o menos alguns efeitos secundários são positivos.

Vá podem roer-se de inveja.

 

Nota: Não mencionei o nome do medicamento, nem mencionarei porque não quero que alguém caia em tentação de o comprar para emagrecer, pois não é essa a sua finalidade.

Onde andas sono?

Todas as pessoas têm dias cheios, complexos, atarefados, faz parte da vida, mas depois existem aquelas ocasiões em que esses dias sucedem-se uns aos outros, passando a ser uma semana cheia, complexa, atarefada, esta é uma dessas semanas, acontece mesmo essas semanas sucederem-se umas às outras, mas o fim-de-semana dá sempre para quebrar o ciclo, mesmo que seja igualmente ocupado e difícil, as complicações são de outro tipo.

 

Esta complicação começou mais ou menos ao mesmo tempo que a minha constipação, a cereja no topo do bolo deste relato, porque é sempre quando precisamos de estar mais expeditos que adoecemos, típico pelo menos comigo é assim em 99,9% das vezes.

Não durmo mais de duas horas seguidas desde a noite de sábado, mas o meu organismo deve estar completamente avariado porque não sinto sono e não tenho tomado café, sinto-me um pouco cansada, mas nem sequer posso dizer que estou mais cansada do que é habitual sentir-me a uma quinta-feira de uma semana intensa.

É mesmo estranho porque contrariamente ao normal numa semana assim, nem sequer tenho estado em casa à noite e que tenho-me deitado bem mais tarde que o normal.

Contra todas as expetativas estou desperta e até uma pouco frenética em ideias, sem tempo para as colocar em prática, mas com o cérebro a mil.

 

Não tenho dormido bem, não tenho descansado, tenho comido menos do que o habitual e tenho trabalhado mais do é normal e após 4 dias de trabalho não me sinto a colapsar, o que se passa comigo?

Será que o meu organismo está a abusar da sorte e encontra-se prestes a colapsar, juro que não entendo porque não tenho sono e como não me sinto a morrer de cansaço.

Desconfio que ter-me obrigado a trabalhar doente possa ter ativado algum modo de funcionamento que até agora desconhecia porque parece que o meu organismo esta a usar alguma fonte de energia de reserva.

O stress já me fez ficar assim, mas não estou stressada, realmente estamos sempre a surpreender-nos a nós próprios, nunca conhecemos os nossos limites até os testarmos, não, isto não é texto motivacional, é mesmo um desabafo de alguém que se surpreendeu com uma semana intensa.

26 pacotes de lenços, 1 frasco de água do mar (caríssima), várias doses de paracetamol e outras cenas para constipação, 1 spray fitonasal, 32 chávenas de chá com mel, 40 rebuçados peitorais, 1 tubo de letibalm depois continuo constipada, com o nariz vermelho e a esfolar, mas surpreendentemente não estou cansada.

Enquanto escrevi este texto tive 5 ataques de tosse!

Mas não tenho sono, alguém me pode dar sono? É que gostava mesmo de dormir 8h seguidas esta noite.