Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

Cristiano Ronaldo, presumível inocência vs condenação pública

Para uma grande parte dos portugueses e para muitos amantes do futebol esta acusação a Cristiano Ronaldo só pode ser falsa, a frio a nossa reação mais provável é presumir a sua inocência, tal como a lei, se cruxificamos rapidamente uma personalidade que nos repudia, temos o instinto de defender personalidades que admiramos e acarinhamos.

Embora esta acusação nos pareça estranha, ainda mais por ser tardia, não podemos, no entanto, descartá-la, há uma queixa e é necessário que se deixe a justiça trabalhar e apurar os factos.

Segundo a alegada vítima terá sido o movimento #MeToo que lhe deu a coragem necessária para avançar com a queixa, este movimento que tem como foco a defesa de mulheres em posições desfavoráveis em relação aos seus agressores, temo possa ser usado como arma de arremesso contra homens, qualquer homem acusado de violação, mesmo que ilibado, nunca se livrará do rótulo.

Toda a história tem contornos de filme, mas se o acordo parece revelar culpa de Ronaldo, também parece relevar má-fé da vítima, supostamente existem provas de violação, no entanto, não é conhecido o relatório médico e se as provas serão ou não infalíveis, na verdade só os dois saberão o que se terá realmente passado.

Há apenas um detalhe que fica por explicar, pelo menos nas notícias que li não encontrei essa informação, o que terá acontecido à amiga que acompanhou Kathryn Mayorga ao quarto de hotel? Esta pessoa pode ser a peça chave da investigação.

Se não devemos cruxificar Cristiano Ronaldo apenas porque existe uma acusação, também não devemos cruxificar Kathryn Mayorga pelas circunstâncias nas quais se terá dado crime e pela sua conduta após o mesmo, as consequências de uma violação podem ser devastadoras e é impossível prever qual a reação da vítima.

Não condeno Ronaldo sem provas, mas também não condeno Kathryn Mayorga, é preciso ser-se coerente e manter o distanciamento necessário para analisar o caso das duas perspetivas e deixar nas mãos da polícia a averiguação dos factos antes de qualquer julgamento público.

Afinal quem é José Sócrates?

Depois da reportagem da SIC, é possível que ainda exista alguém a defender José Sócrates?

Parece que sim, não sei se por teimosia em dar o braço a torcer, por cega ideologia, por lealdade e compadrio ou mesmo por simples estupidez.

 

Todo ele é culpa da ponta dos dedos dos pés às pontas de cada fio de cabelo, respira culpa por todos os poros e não há nada, precisamente nada que possa ser passível de revelar inocência.

O escândalo, no entanto, não é ele ser culpado, é o tempo que demora o processo, é escandaloso que o tenham prendido preventivamente e que agora esteja em liberdade.

Sorte nossa que o seu ego desmedido, o seu narcisismo e egocentrismo não o deixam ter discernimento suficiente para fugir, porque lá no fundo o crente acredita que é intocável e que sairá incólume, provavelmente até sonha chegar a Presidente da República.

 

A sua vaidade e necessidade de ostentação foram a sua ruína, não há esquema suficientemente bom para transacionar tanto dinheiro em tão curto espaço de tempo, mas o homem parecia ser alimentado a notas, gastando alegremente dinheiro que nunca poderia justificar, levando uma vida de milionário sem auferir de quaisquer rendimentos.

Munido de um sentido de impunidade alienígena, José Sócrates tem o desplante de dizer que é um simples provinciano sem posses, mas admite que entrou na vida política por vaidade. Vaidade, a palavra que melhor o descreve, vaidoso mas sem brio e sem vergonha, um homem da sua idade admitir sem pudor que vivia às custas da mãe, um vaidoso que rasteja para o buraco, qual rato e finge que não passa de um pobre coitado que vive de migalhas das ratazanas mais abastadas.

O orgulho, a sobranceira, o ar altivo, o todo-poderoso dá lugar ao coitadinho, ao aflito, ao pobrezinho que mendiga fundos para se manter, há criminosos com um certo código, um certo carisma, força e depois há os criminosos como Sócrates que se encolhem e transfiguram para enganar, dissimular, desviar a atenção, mesquinhos, pequeninos, que são capazes de se reduzirem a nada para ver se desaparecem da história.

 

Só uma pessoa com um desvio de personalidade é capaz de tais atitudes, na minha opinião José Sócrates é um sociopata com um egocentrismo exacerbado, sem qualquer consideração pelos os sentimentos e opiniões dos outros. Sem qualquer respeito pelos valores morais, sem ética, simula sentimentos para conseguir manipular as pessoas.

José Sócrates teve os seus tempos áureos, como todos os sociopatas é aparentemente carismático e encantador, armas que usa habilmente para conquistar a confiança e a simpatia dos outros e conquistou não só as intenções de voto mas a simpatia e a empatia do povo, mas também como os sociopatas demonstra incapacidade de controlar as emoções negativas, é possível vê-lo a perder o controlo em diversas situações, até o seu rosto se transforma ao mostrar o seu verdadeiro eu.

 

Narcisista, admira exageradamente a sua própria imagem e nutre uma paixão excessiva por si mesmo, é possível que não tenha até a noção real dos crimes e da confusão em que se meteu, está preso na sua própria ratoeira mas o seu ego impede-o de ver a situação tal como ela é.

A teia de mentiras e manipulações está a desfiar-se fio por fio e a verdadeira face de José Sócrates vai sendo exposta à medida que a máscara cai.

José Sócrates é um criminoso sem escrúpulos, arrependimento, empatia, ética, noção da realidade, José Sócrates na verdade é um sociopata que ainda acredita que pode ser ilibado dos seus crimes.

Combater violência sexual contra mulheres com exclusão dos homens

É o que irá acontecer no próximo ano na Suécia, um festival exclusivo para mulheres.

A ação, vista por alguns como discriminação, é um protesto após acusações de 23 abusos e quatro violações que terão acontecido no recinto do maior festival de verão da Suécia o Bråvalla, que foi mesmo cancelado para 2018.

 

A ideia terá surgido depois da humorista e animadora de rádio sueca Emma Knychare ter lançado a pergunta no Twitter:

“O que acham de se organizar um festival de música muito cool onde só os homens não são bem-vindos, que aconteça até que TODOS os homens tenham aprendido a comportar-se?".

 

A resposta do público foi positiva e o festival irá mesmo acontecer, substituindo o Bråvalla.

A iniciativa é inédita, pois embora outros festivais já tivessem disponibilizado espaços específicos só para mulheres, é a primeira vez que um festival proíbe a entrada de homens em todo o recinto.

 

É discriminação?

Não, é seleção, na medida em que há espaços direcionados apenas para homens ou mulheres, não vejo por que razão um evento não poderá ser pensado apenas para um dos grupos.

 

Faz sentido que hoje existam estes espaços que definem a clientela com base no género?

Não, não faz sentido nenhum, especialmente quando o género já não é sequer obrigatório em alguns países.

 

E fará sentido em 2017, num país europeu, supostamente evoluído, as agressões sexuais a mulheres serem encaradas com normalidade?

Na Suécia o alto nível de incidência de crimes de agressão sexual levou mesmo a que o Governo tomasse a decisão de apertar leis para dissuadir este tipo de crimes.

Não acredito em discriminação positiva, não acho que se devam barrar os homens para proteger as mulheres, a solução passará sempre por educar os homens e punir severamente quem infringir a lei, existe também a necessidade de criar condições de segurança para que as mulheres se possam sentir seguras neste tipo de ambientes e em qualquer outro.

 

Acredito que este festival enquanto forma de protesto terá esse papel, consciencializar os homens que as suas ações têm consequências, embora claramente aqui estaremos a responsabilizar todos pelas ações de alguns, mas é um protesto, está a ser notícia e no fundo a cumprir o seu papel, chamar à atenção e promover o debate sobre o assunto.

Não obstante, espero que esta iniciativa não seja encarada como solução e comece a ser regra. Não vamos regredir ao tempo em que separávamos meninas e meninos nas escolas, em que existiam espaços reservados a homens e espaços reservados a mulheres, a segregação não resolve o problema, apenas o agrava.

Ao isolarmos as mulheres não as estamos a proteger, estamos a fragiliza-las, a passar a mensagem que apenas estão seguras sem homens, dando força à normalidade das agressões em ambientes mistos.

Estas questões têm de ser tratadas com o máximo cuidado, queremos passar a mensagem certa, mas é muito fácil essa mensagem ser deturpada dado o carácter sensível do tema.

 

Concordo com o protesto, com o exemplo que dá, mas não se pode cair na tentação de elevar o protesto a regra.