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Língua Afiada

Procrastinar

“Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” porque amanhã podes já não cá estar ou podes ter outras coisas para fazer.

Ditado popular tão sábio, mas que eu teimo em não levar a sério e adio tantos assuntos e tarefas, protelo sem entender, parece que faço de propósito, será receio?

Ultimamente tenho retardado certos assuntos, evitado outros e esquecido alguns, não há nenhuma razão específica para o fazer, a única que encontro é a preguiça que me tem assolado, talvez seja do frio, a chuva definitivamente não ajuda, mas não posso passar o Inverno todo a procrastinar.

Como por exemplo, teria neste momento vários assuntos a resolver, mas sentei-me diante do computador a escrever, bem sei que este post nada é mais do que um exercício para arrumar ideias, ganhar fôlego e depois trata-los a todos de uma empreitada, mas fico sempre com a sensação que perco tempo a racionalizar um problema que não deveria ser problema.

Tenho algo para fazer o remédio é fazer imediatamente e o quanto antes para resolver e ter menos uma preocupação, na teoria é simples, executar tarefas sem motivação é bem mais difícil na prática.

E agora que me mentalizei que não tenho outro remédio se não fazer o que tem que ser feito, vou hibernar por umas horas para resolver pendências várias que fui procrastinando nos últimos dias.

Não procrastinem o que inevitavelmente terão que fazer, parece que não mais só piora tudo, como diz o outro “olha para o que eu digo e não para o que eu faço”.

Pedaços de vida - À velocidade da luz

O meu cérebro anda a trabalhar (queimar) à velocidade da luz, passei os últimos dois dias a deambular entre:

- 3 Línguas

- 3 Estratégias

- 3 Calendários

- 3 Orçamentos

Três projetos que se cruzam, dois estão intimamente ligadas, mas sem estarem, outro completamente distinto dos outros dois.

Pelo meio lá consegui marcar uma semana de férias, mas enquanto a minha mente quer fugir para delinear planos de férias, atividades, visitas, o meu sentido de responsabilidade prende-me aos prazos e aos trabalhos.

 

Ontem enquanto fazia o jantar o Moralez pesquisava e discutia com um casal amigo as melhores opções, avança um dia, recua um dia, aumenta mais uma noite, altera o voo para de manhã, tudo para encontrar a opção ideal.

Pelo meio passa pela cozinha e vê o frango preparado para grelhar.

 

- Frango grelhado novamente? Estou a ficar enjoado desta receita.

- Queres que faça como?

- Assado por exemplo.

- Ok, faço assado então.

 

Onde estava eu com a cabeça, já era tarde, o forno ainda não estava pré-aquecido, já tinha adiantado a calda para o arroz de tomate, que a propósito não conjuga nada bem com frango assado, mas disse que fazia o remédio era fazer.

Entretanto, paro o arroz e o esparregado e coloco o frango no forno.

Pelo meio faço uma pesquisa no portátil, estávamos cada um no seu a pesquisar, enquanto o Moralez fazia a pesquisa combinada eu fazia a pesquisa à parte para comparar preços e verificar opções de voos.

Estava tudo mais ou menos decidido, vou à cozinha viro o frango e vou tomar banho.

 

Tomo um banho rápido, visto-me, enrolo uma toalha no cabelo, chego à cozinha o frango estava pronto, até demasiado pronto, desligo o forno, mas não retiro para não arrefecer.

Termino o arroz e o esparregado. Quando retiro o frango o molho estava torrado, o frango escapava, mas longe de estar um frango como gostamos.

O arroz também não ficou lá grande coisa porque fazer arroz malandro aos poucos e com pouca atenção nunca deu e nunca dará bom resultado, há toda uma ciência exata para a quantidade de líquido e a altura de parar a cozedura.

Jantamos a contragosto, lá em casa aprecia-se boa comida e bem confecionada, somos uns críticos gastronómicos exigentes.

 

Marcamos as férias, menos uma preocupação, mesmo a tempo de vermos o episódio de The Walking Dead, pensava que iria relaxar, mas o raio da série não desenvolve e está sempre a prometer e nunca cumpre.

Deitei-me preocupada, primeiro pensei no trabalho, mas rapidamente o meu pensamento fluiu para o meu tio que infelizmente se encontra hospitalizado, dei por mim a rezar, não sei explicar porquê, perdi esse hábito há tantos anos.

 

Tive dificuldade em adormecer.

Toca o despertador, sinto-me igualmente exausta, a noite também deve ter passado à velocidade da luz porque acordei como se não tivesse dormido.

O Moralez abraça-me, quem me dera acordar assim bem-disposta, recolho-me no conforto do seu colo, mais cinco minutos, toca novamente o despertador, só me apetece atira-lo contra a parede, mas em vez disso sorrio é impossível não sorrir para o meu marido de manhã.

Preparo-me para mais um dia longo e preenchido.

 

Olho agora para este pedaço da minha vida como se fosse uma estranha, é um pedaço da minha vida, mas poderia ser o pedaço de tantas outras vidas, com pequenos e grandes problemas, azáfama, preocupações, obrigações, família, mas acima de tudo uma vida com amor.

O amor, o amor esse elemento que dá todo um outro significado ou mesmo o próprio significado em si à vida.

O dia 4/366 está a ser chato e longo.

Acordar às 6:50h da matina para fazer análises.

Apanhar chuva e vento forte, um breu profundo e a iluminação pública vai-se lá saber porquê desligada.

Seguir a 40km/hora com medo de atropelar alguém ou ficar apeada num lago repentino.

Chegar 20m antes da abertura das portas e verificar que já tinha umas 30 pessoas à minha frente.

Fico aliviada quando tiro a senha e verifico que afinal a maioria não é para análises clínicas, mas não sem antes explicar a um Sr. que cheguei primeiro que ele e que ele até podia passar à minha frente porque eu ia para um serviço diferente do dele, acabamos por ficar os melhores amigos com ele a queixar-se que estão sempre a tentar passar à frente.

Não me adiantou de nada tirar a senha número 6, tinha mesmo de tirar uma das primeiras 3 porque entretanto chegou toda a gente com prioridade e vi passarem-me à frente sem exagero 20 pessoas.

Saio a correr, mais uma viagem com um tempo infernal mas já de dia, ao menos que era na AE e pelo menos não existem lençóis de água só de vento.

Estava eu a mal dizer a minha vida quando perto da saída da AE vi um carro com os 4 piscas parado e pensei isto é que é azar.

Mais à frente, já perto da saída, vi 3 raparigas a correr em plena autoestrada e pensei não lhes podia ter avariado o carro em pior dia, aquilo é que era realmente um azar. Chovia a potes, um vento fortíssimo, tive mesmo pena delas.

Ainda pensei em parar mas tenho um carro de dois lugares e só iria atrasa-las.

Chego à empresa e recordo-me que tenho de trabalhar na sala de reuniões porque o meu gabinete está a ser pintado.

A sala de reuniões tem vantagens acesso rápido a café e água, mas por outro lado, tem acesso rápido a interrupções e logo hoje que toda a gente tem algo para contar das festividades.

Neste momento está a decorrer a reunião comercial que já dura há 3h, eu estou ansiosa que alguém olhe para as horas e perceba que são quase 18h.

Estou a morrer de fome mas se a reunião terminar depois das 18h nem quero saber já só como em casa.