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Língua Afiada

Petição quer proibir uso de perfume nos transportes públicos

Pelos vistos, diz o senhor que submeteu a petição os perfumes contêm substâncias nocivas:

“Fumar tabaco nos transportes públicos e nos locais públicos é proibido”, lê-se na petição, “mas os químicos contidos nos perfumes fazem muito mais mal”, continua, expondo a presença de ingredientes como detergentes ou amoníaco como poluentes para o ar, que tornam “impossível a qualquer um viajar nos transportes públicos ou aguardar nos locais públicos”.

A mim o que me incomoda nos transportes e locais públicos não é o perfume, a menos que seja da loja do chinês, é mesmo o odor corporal que algumas pessoas gostam de usar, gostam tanto que nem tomam banho para o puderem usar durante toda a semana, cada vez mais acentuado, pautado por notas de ranço, oleosidade e fossa.

Se os perfumes contêm essas substâncias nocivas que se investigue e que sejam retirados do mercado, como se retiram tantos outros produtos, como querem retirar agora os incensos, já deveriam ter sido retirados, mas na dúvida usem perfumes para bebés, se estão aprovados para bebés não fazem mal de certeza a adultos, a minha filha ficará sem perfume hoje, não gosto de usar substâncias nocivas, mas gosto de cheirar bem, não é defeito, é feitio, nasci assim dada a fragâncias cheirosas.

Há qualquer coisa muito estranha na perceção que as pessoas têm dos seus direitos e deveres e como imputam as responsabilidades, se existem situações perigosas para a saúde que estão devidamente identificadas e as pessoas escolhem conscientemente optar por elas, como por exemplo, o tabaco, o álcool, o açúcar, os alimentos processados, o solário, cabe ao cidadão tomar a liberdade de escolher ou não consumir e/ou usar esses produtos, se existem produtos com substâncias nocivas não identificadas ou não divulgadas, cabe-nos exigir às autoridades competentes que averiguem e, se for caso disso, retirem os produtos do mercado, a solução não passa por proibir as pessoas de usarem esses produtos, ainda mais quando não é claro se são ou não prejudicais.

Entendo o argumento das alergias e problemas respiratórios, mas se formos por esse caminho, antes de proibirmos perfumes temos de proibir a poluição, que além de incomodar quem tem problemas respiratórios é responsável por os causar a quem não tem.

Há muito a trabalhar na consciencialização e responsabilização das pessoas pelos seus atos, há muito a clarificar no que consumimos e que nos está acessível, será legítimo ser permitido vender tabaco quando sabemos os problemas que causa só porque lhe colocamos um imposto extra? Porque não se faz o mesmo com as drogas?

Devemos ser exigentes, devemos ser vigilantes e devemos procurar e disseminar informação relevante, mas não podemos proibir tudo o que achamos que faz mal, se o fossemos a fazer teríamos de mudar radicalmente o nosso estilo de vida e isso não se altera de um dia para o outro.

Deixem as pessoas usarem perfume à vontade, peçam fiscalização aos produtos de cosmética e perfumaria, exijam empresas com consciência ecológica, mas proibir o uso de perfumes em locais públicos?

Claramente não é solução.

O que eu gostava é que as pessoas se preocupassem em perceber de onde vem o lítio para as baterias dos carros elétricos, para onde vão essas baterias depois de ficarem obsoletas e já agora como vamos produzir energia para carregar tantos carros elétricos, porque se os combustíveis fósseis não servem para alimentar motores de automóveis, também não devem servir para produzir eletricidade para alimentar os motores elétricos. Mas isso fica para outro dia.

 Maré de plástico

Praia de Montesinos, em Santo Domingo na República Dominicana foi invadida por toneladas de lixo, nomeadamente plástico, o cenário dantesco é um espelho do estrago que estamos a causar ao nosso planeta.

Onde se viam palmeiras e areia branca.

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Existe agora uma areal de plástico.

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Já estive na República Dominica, onde tive umas férias fantásticas pautadas por praias paradísicas e uma natureza incrível, a ilha para além das praias de areia branca e mar mais azul que o céu é um santuário de milhares de espécies marinhas e também de diversas aves, é possível admirar os lindíssimos corais e visitar um centro de proteção de tartarugas na famosa Ilha Saona, um dos locais mais belos que visitei.

Os Dominicanos são um povo muito afável e muito alegre, sempre a cantar e a dançar, recebem-nos de braços abertos e sorriso nos lábios, apesar de o país ser pobre, as suas gentes são ricas em afetos.

 

É com enorme tristeza, com o coração apertado que vi este vídeo, é impressionante que mesmo perante sinais atrozes da falência do nosso ecossistema, não sejam tomadas medidas concretas, rígidas e marcantes para que os nossos oceanos não passem a ter plástico em vez de peixes e as nossas praias em vez de areia tenham lixo.

Militares, ambientalistas e locais trabalham em conjunto para recolher o lixo, já foram retiradas mais de 50 toneladas de plástico, a ONG Parley Oceans está a transformar o plástico recolhido em produtos de consumo, uma forma de alertar para a poluição nos oceanos e para a necessidade de eliminar o desperdício de plástico.

Entretanto, nunca é demais divulgar o vídeo da organização, para que as pessoas se consciencializem que o plástico é um problema real e concreto que é preciso resolver hoje, agora e não deixar este planeta ser uma enorme lixeira de plástico para as gerações futuras.

 

E os balões dos casamentos?

O Governo proibiu o lançamento de balões de São João, o período crítico de incêndios vigora de 22 de Junho a 30 de Setembro, período em que é proibido lançar balões e foguetes.

Apesar de sentir pena de não ver o céu iluminar-se com centenas de balões, compreendo e aceito a decisão, acima de tudo temos de proteger o que é nosso e lançar centenas de possíveis ignições de incêndios não é a melhor forma de o fazer, embora que se a noite de hoje estiver igual à de ontem o perigo seria diminuto dada a quantidade de orvalho, as típicas orvalhadas de São João demoraram, mas chegaram.

Espero que devido a esta situação não se inventem novos balões de São João que substituam a chama tradicional por uma artificial.

 

Há muito tempo que me questiono porque é que ainda ninguém levantou a questão dos balões dos casamentos, se levantaram ainda não tomei conhecimento.

Os balões brancos com luzinha levam no seu interior uma pilha ou bateria, quando largamos aquele balão carregado de simbolismo, largamos literalmente uma bomba ecológica.

Uma pilha pode ficar 100 anos no meio ambiente a poluir, a libertar por exemplo mercúrio.

 

O mercúrio é um metal pesado com efeitos perversos à saúde, especialmente no desenvolvimento dos fetos e em crianças. Independentemente de onde é lançado, este metal percorre longas distâncias através dos oceanos e da atmosfera, chega a ser transportado de um continente para o outro. Quando inalado na forma de vapor, danifica os sistemas imunológico e nervoso central, tiroide, rins, pulmões e olhos. Os sintomas incluem tremores, insônia, perda de memória, dores de cabeça, disfunção motora, distúrbios neurológicos e comportamentais.

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Esta imagem pode ser muito bonita, mas em termos ecológicos é um crime, lançar por si só balões é lançar lixo para o céu, quando no seu interior levam uma pilha é literalmente lançar veneno que é impossível de controlar, pois dependendo do vento, estes balões podem percorrer grandes distâncias.

Como é habitual deixamos de pensar nas coisas quando elas desaparecem do nosso campo de visão, mas isso não significa que elas se evaporaram, os balões desaparecem da nossa vista, mas não desaparecem do ambiente, ficarão por lá muito tempo, seja nas florestas, seja nos oceanos, a poluir.

 

Todos os dias cometemos pequenos crimes ambientais, seja por desperdiçarmos água potável, por não separarmos todo o lixo, por usarmos um aerossol, por nos esquecermos de uma luz acesa, a nossa pegada ecológica é enorme e tem tendência a aumentar, a evolução tecnológica anda de mãos-dadas com o lixo eletrónico, difícil de tratar e reciclar, poluímos cada vez mais, consumimos cada vez mais recursos, se é difícil mudar pequenos hábitos, não podemos fechar os olhos a estes grandes crimes que passam despercebidos.

 

Não tenho números dos balões lançados todos os anos, mas tento em conta que é prática corrente em muitos casamentos e que é lançado um balão por cada convidado, tendo por base os dados do INE, em 2016 existiram 32.399 casamentos, supondo que em metade se lançaram balões, podemos arredondar para 15.000 e que cada casamento teve em média 100 convidados, foram lançados 1.500.000 balões.

Este número é uma extrapolação, mas mesmo que tenham sido metade, será que nunca ninguém pensou para onde irão tantos balões e que consequências podem ter para o ambiente?

 

Deixo-vos uma sugestão bonita e ecológica, no próximo casamento libertem pombas, simbolizam paz e não prejudicam o meio-ambiente.

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