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Língua Afiada

A desonra (petulância) de António Costa

Nunca gostei de António Costa, não tenho uma boa opinião dele enquanto político e acho-o até um político perigoso porque é astuto, inteligente e acha-se superior aos demais, mas em tempos de pandemia, devo dizer que subiu uns pontos na minha consideração, o que convenhamos não foi difícil dada a impreparação das restantes pessoas que falavam ao país.

Mas a revelação que faz parte da comissão de honra de Luís Filipe Vieira aniquilou qualquer simpatia que podia nutrir pela sua pessoa, não é só pela atitude irresponsável, pelo mau exemplo, mas pela petulância com que faz as coisas, afirmando que faz parte da comissão de honra enquanto cidadão, se não fosse de tão mau gosto, quase que seria uma piada.

Em primeiro lugar Luís Filipe Vieira e honra nunca deveriam aparecer na mesma frase, a não ser para dizer que essa pessoa não tem qualquer honra, ética ou moral, em segundo lugar porque o poder político, não pode, não deve misturar-se com dirigentes desportivos em geral e em particular com um que é acusado de fraude.

Em Portugal perdeu-se completamente a vergonha, é que nem sequer tentam disfarçar, é mesmo à descarada, talvez para que os portugueses percebam de uma vez que nada podem fazer contra os poderosos corruptos que nos assaltam os bolsos com a conivência da justiça e dos governantes.

Não se trata de clubismo, como andam os cegos e paranoicos a acusar quem se indigna com esta situação, não tem nada a ver com o Benfica, tem a ver com a pessoa que preside ao clube e que continuará a presidir porque se vale de todas as artimanhas e mais algumas para ser reeleito presidente.

Espero que Luís Filipe Vieira seja condenado e que arraste com ele os amigos, os conhecidos e todos aqueles que permitiram que este nos roubasse a todos descaradamente e sem qualquer vergonha ou remorso.

Espero que António Costa perca o apoio e se afunde na sua própria vaidade.

Mas acima de tudo, espero, mas espero mesmo que os portugueses comecem a abrir os olhos e se deixem de preocupar com insignificâncias para perceberem que a sua vida só vai realmente melhorar quando exigirem mais e melhor de quem os governa, nem que para isso seja preciso uma nova revolução.

Que abram os olhos antes que os analfabetos em manada, grunhos e cordeiros façam chegar ao poder uma extrema-direita que se alimenta de notícias falsas e tendenciosas e propostas de medidas populistas, completamente ineficazes só para agradar o povinho revoltado que acha que o que leva o país à falência são os beneficiários de RSI e os reclusos!

Mandem trabalhar os beneficiários de RSI e os reclusos, mas protejam os cães grandes que roubam milhões e ainda têm o desplante de se rirem na nossa cara.

António Costa deveria no mínimo retratar-se já que pedir a sua demissão nesta altura não seria prudente, mas Marcelo Rebelo de Sousa podia pela primeira vez tomar uma atitude digna de Presidente, ao menos salvava o mandato, pedir explicações não é suficiente, é manifestamente insuficiente.

Traição – Será que é tendência? Necessidade? Medo?

Ultimamente tenho tido conhecimento de vários casos de traições conjugais, quer por parte de homens, quer por parte de mulheres, se alguns casais optam por terminar a relação e seguir em direções opostas, outros entendem-se, existe um perdão e permanecem juntos.

Não crítico qualquer uma das atitudes, cada um saberá o que é melhor para si e se valerá ou não a pena continuar a lutar e a alimentar a relação.

 

O que não entendo é a quantidade absurda de mulheres que desconfia dos maridos, falo de mulheres porque foi num grupo só de mulheres que percebi essa realidade, estamos a falar de um grupo com mais de 20 mil membros o que é uma amostra considerável, especialmente quando publicações deste teor chegam facilmente aos 400 comentários.

Para mim uma relação onde não existe confiança não é relação, sei que existem mulheres que sabem das traições dos maridos e convivem pacificamente com isso por várias razões, pelos filhos, por questões monetárias, por medo, por comodismo, se eu não seria capaz de o fazer, consigo entender quem o faça.

Entender como vive uma mulher sempre à espera de ser traída, a tentar clonar o telemóvel do marido para ter provas, a engendrar mil um planos de vingança, isso não consigo entender, porque ou a mulher tem um problema de confiança e deve ser tratada ou existem realmente fortes motivos para desconfiança e nesse caso não é preciso provas é enfrentar a situação e resolver.

 

Por outro lado dos homens ouve-se muito o chavão – “Quem não trai, é traído” como se ser um homem decente, respeitador e leal fosse requisito para ser traído.

Isto seria muito fácil de resolver é juntar os traidores com traidores e traídos com traídos e como se diz só se estragava uma casa.

Outra realidade chocante é perceber a quantidade de mulheres que se assumem como amantes, como se isso fosse motivo de orgulho.

 

Ainda mais chocante é criticarem uma amante por querer solidariamente desmascarar o traidor, não por despeito mas porque o esperto estava na verdade a trair a duas e ela descobriu que não estava a ser traída mas a ser usada para trair.

A desculpa é que vai estragar o casamento, a sério? Se a esposa já sabe que ele a trai vai continuar a permitir isso, se não sabia o casamento já estava estragado, ou alguém acha que uma relação onde um dos membros do casal trai compulsivamente sem o outro saber é alguma relação amorosa? Até pode ser uma relação mas não é amorosa de certeza.

Pessoalmente não consigo conceber uma relação onde existam traições, consentidas ou não, a partir do momento que a pessoa demonstra disponibilidade para se interessar por outras pessoas a relação está condenada, quem ama verdadeiramente não tem disponibilidade emocional ou sexual para outras pessoas, se por algum motivo isso acontece, deve-se fazer um balanço e perceber se a relação tem ou possibilidade para continuar.

 

Na minha opinião muitas pessoas recorrem às traições porque é uma forma fácil de quebrar a rotina, de sentir adrenalina e de se sentirem bem consigo próprias, o que esconde uma enorme frustração pessoal e com a vida, é um subterfúgio para os problemas e para não implementarem reais mudanças nas suas vidas, é por isso que depois do estrago feito, muitas se arrependem pois afinal a única coisa estável e de confiança que tinham era a esposa ou o marido.

Não faltam divorciados arrependidos, embora poucos o admitam sem reservas, mas na verdade, tirando casos de violência psicológica e física, a maioria das pessoas nunca mais amou ninguém como amou a esposa ou o marido que traiu e por algum sentido poético, karma ou castigo a pessoa traída encontra muitas vezes um amor à sua altura.

 

Podem chamar-me de ingénua, romântica, o que quiserem, acredito que um amor pode ser para toda a vida, e o argumento da vida selvagem não é um argumento pois não faltam espécies que escolhem um parceiro para a vida.

O Homem não foi feito para ser monógamo dizem muitos que por medo, receio, incapacidade, inabilidade não conseguem manter uma relação, ter apenas uma relação de cada vez implica dedicação e empenho e isso não é trabalho, não é esforço, é amor, é carinho, é saber que aquela pessoa vale cada cedência e cada agrado porque a sua felicidade nos faz felizes.

 

Amar sem amarras, sem receios, sem medos, sem preconceitos implica uma entrega que não está ao alcance de todos, é preciso coragem, é saltar de um precipício sem ter certezas que a rede não vai rebentar, mas não existe nada no mundo mais gratificante, mais enriquecedor e mais verdadeiro que um amor incondicional.

O único amor que escolhemos verdadeiramente é o do nosso companheiro/companheira, porque é que então é o que é mais desvalorizado, renegado e colocado em segundo plano?

Felizes aqueles que amam incondicionalmente, mesmo que se magoem, têm mais sorte do que aqueles que nunca conheceram esse tipo de amor.

Antes de traírem pensem se é isso que realmente querem fazer, se calhar seria melhor mudar de emprego, de casa, afastarem-se de pessoas tóxicas ou até separem-se, quem trai, trai em primeiro lugar a si próprio ou vive em permanente traição, pois se está com uma pessoa que não ama trai-se todos os dias.

 

Em Portugal não há racismo… claro que há!

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Há assassinos, mas não há racismo, nem machismo, nem xenofobismo, esses “ismos” que tantos teimam em dizer que não estão presentes na nossa sociedade, talvez porque confundam a nossa constituição com o nosso conjunto de valores, a nossa constituição supostamente não discrimina, mas o mesmo não se passa com a nossa sociedade.

Há tanto racismo em Portugal que a notícia de um homem morto à queima-roupa, em plena luz do dia com dezenas de testemunhas foi dada a meio das notícias, sem grande tempo de antena, como se de um crime trivial se tratasse, afinal há homicídios à mão-armada todos os dias em Portugal, até parece que é algo que seja comum ver-se nas notícias.

Há tanto racismo em Portugal que mesmo tratando-se de um ator, embora pouco reconhecido, nem isso foi suficiente para darem a este crime hediondo as manchetes que dão a outros temas, porquê? Simples, a audiência pouco se importa com esta vítima, não se revê nela, não a reconhece como igual, provavelmente até encolhem os ombros e encontram desculpas para o crime, afinal deverá ter feito alguma coisa para que o pobre homem de 80 anos o tenha morto.

Parece irrelevante que a família tenha afirmado de imediato que o assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes e tenha proferido insultos racistas, o típico – “Vai para a tua terra!”

Esta afirmação tão estúpida e ignorante que é proferida vezes sem conta contra negros, mas também contra brasileiros, ucranianos e contra todos aqueles a quem os portugueses acham que lhes podem causar dano.

Incrível como um país que tem uma herança tão grande e pesada de conquista e colonialismo, caracterizado por ter uma enorme percentagem de emigrantes há tanta aversão a estrangeiros, mas só àqueles que considera inferiores a si, porque é ver os portugueses a bajular ingleses, alemães, franceses, holandeses, desde que não sejam hippies, porque aí já passam de bestiais a bestas.

Continuamos a tapar o sol com a peneira escusados nos brandos costumes, enquanto não enfrentarmos de frente o problema do racismo ele não desaparecerá por magia, mesmo sendo crime podemos encontrar afirmações racistas por todo lado, basta ler os comentários nos jornais, as pessoas nem sequer têm vergonha ou medo de serem racistas e não temem uma punição por esse crime, não temem porque ele passa impune na grande maioria dos casos.

Não consigo entender como é que alguém consegue catalogar e marcar outra pessoa só pela sua cor, etnia ou proveniência, tão informados, tão tecnológicos e tão ignorantes, deve ser este o maior paradoxo da atualidade.

À família de Bruno Canté Marques as minhas mais sinceras condolências, deve ser devastador ter um ente querido que sobrevive a um acidente para depois o ver ceifado à vida por um homicídio estúpido motivado pelo racismo. É preciso muita coragem para enfrentar esta dor.