Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

O aviso às Mulheres Russas – Não tenham relações sexuais com homens de outras etnias

A deputada russa Tamara Pletnyova, presidente da Comissão para os Assuntos da Família, Mulheres e Crianças, advertiu as mulheres russas para se absterem de ter relações sexuais com estrangeiros de outras etnias que estejam no país para o Mundial de Futebol.

Segundo a mesma é para que não sejam mães-solteiras de crianças mestiças que sofrerão discriminação, ainda na mesma entrevista refere que as mulheres mesmo que se casem com homens estrangeiros, essas relações geralmente acabam mal e as mulheres são abandonadas. "Uma coisa é se os pais forem da mesma raça, mas outra completamente diferente é se forem de raças diferentes" disse.

 

A deputada, neste momento estou a fazer um esforço para não lhe dar um nome diferente, diz-se preocupada com o aumento das famílias monoparentais e recordou o “problema” dos “Filhos das Olimpíadas” termo usado para descrever, durante a era soviética, as crianças nascidas de relações entre mulheres russas e homens estrangeiros provenientes de África, da América, Latina ou da Ásia após os Jogos Olímpicos de Verão de 1980 em Moscovo.

Sinceramente os seus comentários são tão estúpidos que é difícil adjetiva-los ou analisa-los, para além o cariz altamente racista e xenófobo, ainda são conotados de um machismo atroz.

 

Para começo de conversa esta pessoa deve estar esquecida que estamos em 2018 e não em 1980 e que a Rússia apesar de não ser o país com mais liberdade do mundo está longe dos tempos da era soviética, e que os métodos contracetivos são acessíveis a todos e se as russas não os tiverem creio que os visitantes estarão prevenidos porque nos anos 80 ter um filho no outro lado do mundo provavelmente significava nem sequer saber da sua existência, em 2018 é acompanhar o parto via Skype e atualizações de progresso ao segundo no mural do Facebook.

 

Contracetivos à parte que estes podem ser falíveis, porque é que os retrógrados insistem no argumento da proteção, este argumento da intenção de proteger crianças mestiças no futuro é em si pura discriminação e é o tipo de argumento que me tira do sério, amplamente usado em Portugal pelos que são contra a adoção por casais homossexuais, que argumentam que as crianças serão vítimas de discriminação e de gozo por parte dos colegas.

Isto de se evitar a resposta eliminando a questão não faz qualquer sentido, vejamos, não há dinheiro para alimentar um grupo de pessoas, em vez de partilharmos recursos, eliminamos as pessoas, é um exemplo radical, mas acaba por funcionar.

 

A deputada deveria estar preocupada em criar condições para que todas as crianças, mestiças, azuis ou cor-de-rosa às bolinhas amarelas fossem aceites tal como são e não impedir que nascessem, querem agora regredir e matar ou segregar as crianças diferentes porque podem sofrer com a discriminação?

Não bastava este pensamento completamente absurdo e retrógrada a criatura ainda menospreza as mulheres, porque quando uma relação acaba é claro que é o homem que abandona a mulher e nunca o contrário, a mulher não tem vontade própria e decidir seguir um caminho oposto ao companheiro claramente não é uma opção.

 

É lamentável que ainda existam este tipo de declarações de pessoas com cargos importantes, mas todos sabemos que a Rússia é um caso especial, o que não entendo é como em Portugal tantas pessoas aplaudem estas declarações, chegando ao cúmulo de louvar não só a posição como a coragem de a divulgar.

 

A Natureza, o Divino Espírito Santo, o Karma, a Vida ou seja lá o que for tem um sentido de humor fantástico e vai daí resolveu pregar uma partida aos caucasianos que se acham os maiores e os mais importantes, mais desenvolvidos e inteligentes e por isso superiores na genética, os seus genes são os mais fracos e por isso os descendentes raramente são caucasianos e para tornar ainda a situação mais engraçada os mestiços, os filhos de raças ou etnias diferentes por norma são belos e atraentes, só porque sim.

Numa altura em que já se descobriu que as diferenças genéticas entre as alegadas raças humanas nem sequer justificam a classificação de raça, ainda há quem ache que com ideias xenófobas e conselhos do século passado evitará que a população humana seja uma rica, colorida e diversificada mistura.

 

Quando a nossa mente não é suficientemente inteligente para perceber que somos todos iguais por baixo da pele, o nosso instinto, o nosso desejo mais primitivo de procriar e de experimentar o que é aparentemente diferente levará a que pouco a pouco a noção de raça seja uma lenda do passado, talvez seja este instinto a salvar a raça humana da extinção, impedindo que nos aniquilemos uns aos outros, afinal no dia em que nos considerarmos todos iguais as guerras deixarão de ter sentido.

A culpa é das mulheres

A propósito do panfleto distribuído em Lisboa que difama uma mulher por ter tido um caso com um homem casado.

Não vou aqui reproduzir a imagem ou sequer escrever a sua mensagem porque é um verdadeiro atentado à privacidade.

 

A mulher traída culpa a outra, a culpa é sempre da outra, às vezes é da esposa e raramente é do homem, esse ser fantástico, espetacular que pobrezinho é coagido a trair, vítima dos seus instintos mais primários sucumbe perante o charme de “Eva” a mulher sedutora e pecadora.

Às vezes penso que as mulheres sofrem do complexo do Paraíso, justificando todos os males do mundo com a sua mordida na maçã, como se tudo fosse culpa desse pecado, a mulher esse ser vil, traiçoeiro que só serve para levar os homens a cair na tentação.

Seria de esperar que nos dias de hoje as mulheres soubessem mais, soubessem que alguém que trai é porque quer, é porque tem vontade e não porque alguém seduz ou alguém negligencia.

Ver a quantidade de mulheres que apoia e aplaude esta atitude ilegal e totalmente despropositada revolve-me o estômago, há ainda uma grande maioria que embora não concorde com o ato de difamação, continua a culpar a outra pela desgraça familiar.

 

A culpa não é da outra, a culpa é das mulheres que se culpam umas às outras e lutam por homens que não merecem sequer que pensem duas vezes neles.

 

Quando há uma traição cabe ao casal decidir se há motivos ou razões para continuar, nestas situações cada um sabe de si e todas as histórias são diferentes e ninguém, ninguém tem direito de julgar seja porque a relação acabou, seja porque a relação continuou.

Independentemente do rumo da relação, a culpada nunca deverá ser a outra ou o outro, quem comete adultério é que é responsável pela sua conduta, pela traição, é essa a pessoa que não é digna de confiança.

Há a questão moral, alguém entrar numa relação sabendo que está a contribuir para um adultério é sempre uma posição dúbia, mas só entra numa relação quem é convidado ou quem encontra espaço para entrar, e se um momento de fraqueza todos podemos ter, repetir esse momento e perpetuá-lo numa relação extraconjugal é inteiramente responsabilidade de quem trai.

 

Reivindicamos a igualdade e depois numa questão tão simples, são as próprias mulheres que se atacam umas às outras, desculpando os homens, juro que não entendo, nunca consegui entender esta atitude e nunca entenderei, passam de feministas a machistas em 2 segundos.

 

Acredito que no meio do choque se possa atirar e disparar raiva para todos os lados, mas sou suficientemente adulta e lógica para saber que o maior culpado é quem trai, esse que trai muitas vezes as duas, que loucas se atacam uma à outra para gáudio do garanhão.

 

Aprendam a valorizar a vossa condição de mulher, a vossa dignidade e integridade, arrastar a vida íntima para a rua não é de todo o mais sensato e mais correto a fazer, esta vingança não atenua a raiva e o ódio, apenas causa mais estragos.

 

Espero que a esposa seja veemente punida por difamação e por violação de privacidade, expor foto, nome, morada, contacto telefónico e ainda fazer um comentário tão maldoso e mesquinho, se queria devassar a vida de alguém que fosse a vida do traidor, sempre servia de aviso a outras, agora cometer um crime por despeito, que estupidez e ignorância tão grandes.

 

A culpa é das mulheres, é das mulheres por se culparem umas às outras em vez de se unirem para dar uma lição ao espertinho que trai.

 

Para as mulheres que acham que correr atrás de um homem ou defender um homem sem escrúpulos é uma causa nobre deixo-vos aqui a opinião interessante de um homem sem problemas em dizer o que os homens pensam sobre as mulheres:

“Pare de idolatrar os homens sua pamonha”

Confusões, complicações e estupidez humana

As pessoas são complicadas, muito, faz parte da condição humana, faz parte do nosso crescimento, evoluir, amadurecer, mudar de opinião, a própria vida, as nossas experiências mudam-nos, moldam-nos, somos seres adaptáveis e ainda bem porque só assim conseguimos sobreviver e prosperar.

Somos a espécie mais inteligente, a única com consciência, é essa mesma consciência que nos leva a questionar de onde viemos e para onde vamos, que nos faz divagar sobre os dilemas do universo, que nos confere ideias, pensamento próprios, livre arbítrio e capacidade de decisão lógica e analítica que se sobrepõe ao instinto, essa caraterística inata que parece em vias de extinção em tantas situações.

 

A grande questão da humanidade, no entanto, não é uma questão complicada, é tão simples, tão risória, que chega a ser uma anedota, com tanta inteligência e superioridade intelectual como é que os humanos são a espécie mais estúpida?

Não falo das grandes questões, como termos sociedades altamente desenvolvidas e permitirmos que existam pessoas, semelhantes a nós, exploradas, escravizadas, mutiladas, privadas dos direitos básicos como acesso a água e comida, há muito que perdi a fé no altruísmo, os humanos são egoístas e só se preocupam com outros depois de verem supridas as suas necessidades, curiosamente neste campo o instinto continua a ser mais forte que a razão e a lógica.

 

Refiro-me a pequenas coisas, simples atos que as pessoas têm, completamente ilógicos e irrefletidos que prejudicam a sua vida e a dos outros, aquela decisão parva que faz com que se desencadeie uma série de eventos desagradáveis completamente evitáveis.

 

A decisão de atender o telemóvel enquanto se conduz, infringindo a lei e a lógica, conduz-se apenas com uma mão, com a cabeça de lado, até se tem opção de alta voz, mas os hábitos são tramados e encostamos o aparelho ao ouvido e lá vamos a colocar a nossa vida e a dos outros em risco, mais à frente há alguém que para com os quatro piscas, desviamos um pouco curso e quando nos preparamos para ultrapassar arrancamos a porta do carro que parou e quase que atropelamos o condutor que saiu do carro como se lá dentro estivesse um enxame de abelhas a ataca-lo.

A porta voa disparada e estilhaça a montra da padaria, derruba o pequeno-almoço dos fregueses matinais e há um que é atingido em cheio, ficando ferido. Dá-se uma zaragata total, apontam-se culpados, mas quem sofre é o pobre cliente da padaria que estava a tomar o pequeno-almoço descansado.

Nesse dia a padaria não trabalhou, encerrada por motivos de segurança, o condutor que falava ao telemóvel perdeu uma importante entrevista de emprego, o condutor do carro parado com os quatro piscas perdeu uma reunião decisiva para a conclusão de um negócio, a sua filha perdeu o teste de português e o ferido ficou com uma mazela para toda a vida.

 

Ao mesmo tempo há alguém que mesmo sabendo que está atrasado, que é importante entregar o relatório a horas, resolve procrastinar mais uma hora, percorre com os olhos apressados os jornais do dia, buscando inspiração para terminar com uma brilhante conclusão, o tempo passa e a conclusão não chega.

Entrega o relatório 3h mais tarde que o previsto, já da parte da tarde, o seu chefe faz uma revisão apressada e submete o relatório ao cliente. Uns dias depois o cliente recusa o pagamento porque o relatório levou-o a cometer um erro que lhe custou algumas centenas de euros, que o obrigou a despedir dois funcionários que não detetaram o erro atempadamente, enquanto isso na empresa consultora é despedido o estagiário por falta de verbas.

 

Todas as ações têm consequências, desencadeiam um processo, podem não ter consequências tão drásticas ou tão visíveis, mas têm consequências, por isso porque é que a espécie humana, a mais inteligente, a mais preparada, continua todos os dias a tomar decisões estúpidas?

 

Porque nós nascemos do caos e só estamos bem no seu meio, a complicar o que é simples, a criar confusões onde elas não existem.

 

Não vou tentar arrancar isto com os dentes, ainda parto um dente, 10 segundos depois está a tentar arrancar a rolha com os dentes e meia hora mais tarde no consultório do dentista.

 

Felizmente que apenas 0,00001% das decisões parvas que tomamos, algumas com total consciência que são erradas, acabam por correr muito mal, podemos agradecer às probabilidades, ao universo, ao cosmos, a qualquer ordem superior, caso contrário há muito que estaríamos extintos pela nossa estupidez.