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Língua Afiada

Irritações – tudo faz falta até açúcar!

Oh mentes desvairadas, desinformadas, retrógradas, atrasadas e estúpidas* quem é ainda acredita que o açúcar processado e adicionado artificialmente faz falta?!

* Desculpem os insultos mas se estas mães têm tempo para comentar posts de treta nos grupos de mães, também têm tempo para abrir o Google e pesquisarem sobre o que o açúcar faz ao nosso organismo.

A propósito de uma pergunta sobre se aconselham dar ou este composto lácteo da Cerelac:

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Hoje li isto “ Açucar para ter força” – com direito a erro ortográfico e tudo.

Numa alimentação diversificada e em conta, peso e medida não faz mal nenhum, só faz é bem. Necessitamos de tudo para viver. As bebidas gaseificadas, mc donalds, molhos, fritos também fazem mal e no entanto também comemos

Pela lógica desta mãe vamos lá dar tudo e mais alguma coisa às crianças porque o argumento é “também comemos”, só que nós escolhemos o que comemos e um bebé come aquilo que lhe oferecem, não escolhe.

A situação só piora quando percebo que há bebés com 5 meses a beber isto, quando na embalagem diz a partir dos 6 meses, a desculpa? A pediatra disse que não fazia mal. Fico na dúvida se a pediatra sabia qual era o produto ou se disse que sim porque já sabia que a mãe a ia ignorar, uma mãe que lê numa embalagem a partir dos 6 meses e espeta com o produto a um bebé de 5 meses deve dar a mesma importância à pediatra que dá às recomendações do produto.

E depois a quantidade de mães que dizem que os filhos adoram! Pois claro que adoram é extremamente doce, quem é não gosta de um docinho.

Isto mexe-me com os nervos, mexe porque sei que terei imensa dificuldade em controlar o que os outros dão à minha filha, já falei com a ama para não lhe dar nada com açúcar, mas claro que já provou bolacha Maria.

A ama da minha filha teve exatamente a mesma resposta, que precisamos de tudo até de açúcar, revirei os olhos, respirei fundo e expliquei-lhe que não precisamos de açúcar adicionado, mas sim dos açúcares naturalmente presentes nos alimentos. Para já acho que não vai inventar, mas terei de estar vigilante pois tenho a certeza que não terá problemas em dar-lhe alimentos doces quando for mais velha.

Um drama, parece que estamos constantemente a lutar contra a sociedade quando na verdade só queremos o melhor para os nossos filhos, e é efetivamente o melhor, está completamente desaconselhado dar açúcar a um bebé, especialmente até a 1 ano de idade, se conseguirmos prolongar até aos 2 anos, melhor ainda.

Sinceramente não sei o que estas pessoas têm na cabeça, dar bebidas com glúten antes dos seis meses? Substituírem leite materno ou de fórmula por um composto de leite com bolacha Maria?

Não venham com a desculpa de que se não são saudáveis, não deveriam estar à venda, como também li como desculpa, como se as pessoas fossem obrigadas a comprar e não tivessem oportunidade de ler os rótulos, é fácil sermos enganadas, mas podemos estar atentas, também comprei iogurtes naturais com sacarose, mas não volto a comprar.

Nos supermercados encontramos um pouco de tudo e não é por isso que tudo é recomendável, no caso dos alimentos para bebés deveria existir mais controlo, pelo menos nos alimentos dados a partir dos 6 meses.

Há uma marca de iogurtes para dar a partir dos 6 meses que tem sacarose e não deveria ter, devemos ser mais exigentes e recusar essas opções, as marcas, acreditem, vendem o que queremos comprar e não o contrário.

Sejam conscientes e se não se sentem capazes de avaliar os produtos falem com os pediatras, não peçam opiniões em grupos.

 

Grupos de Mães do Facebook, Vacinas e Ignorância

Quando engravidamos há sempre uma amiga ou uma familiar que nos convida para fazer parte dos grupos de mães no Facebook, uma pessoa como lê em todo lado que deve falar com pessoas com filhos da mesma idade, lá aceita e a verdade é que no pós-parto aquelas conversas eram um bálsamo, muito me ri ao ler várias discussões, depois os nossos neurónios começam a trabalhar e rapidamente essas mesmas conversas deixam de ter piada para nos causarem irritação.

Atenção há grupos e grupos e alguns prestam informação relevante e têm moderadoras informadas que dão bons conselhos e que colocam ordem nas publicações, já noutros a confusão instala-se rapidamente e a ignorância multiplica-se à velocidade da luz.

 

A ignorância em relação às vacinas é recorrente, nem é preciso ir às extremistas que dizem que não se deve vacinar, há mesmo falta de informação entre quem procura vacinar e o que mais me espanta é que uma pessoa coloque uma pergunta num grupo, mas seja incapaz de colocar essa mesma pergunta no motor de busca Google, seria muito melhor que lessem as informações disponibilizadas pelas várias unidades de saúde privadas e pelas farmácias, nem é preciso ser um especialista para detetar a informação credível.

 

Há tempos era a confusão entre as vacinas da meningite, com o aparecimento de casos de Neisseria meningitidis dos sorogrupos A, C, W-135, prevenidos pela vacina Nimenrix, vacina que nos últimos anos deixou de ser recomenda devido à ausência de casos, sendo recomendada a Bexsero que previne a infeção pela bactéria Neisseria meningitidis do grupo B, o caos, a confusão entre as duas e a indignação por não existir uma vacina que protegia de todos os tipos?

Li tanta barbaridade, mas o mais grave não é a ignorância das pessoas, ninguém nasce ensinado, o mais grave é a autoridade supra superior com que algumas pessoas afirmam essas mesmas barbaridades, é normal não saber, agora não saber e deitarem-se a adivinhar, jurarem falso a pés juntos e desvalorizarem a opinião e a preocupação dos outros é inadmissível.

A estupidez é tanta que esgrimem farpas (nem lhes posso chamar argumentos) com profissionais de saúde, que se identificam e explicam ponto por ponto, mas nem assim as iluminadas conseguem ver a luz ao fundo do túnel.

 

Nova confusão agora com a vacina da gastroenterite, tanta desinformação, mas adoro acima de tudo as que gritam que não deram e que os filhos nunca tiveram, que bom para elas, isso não significa que os outros não possam ter, mesmo quando lhes dão exemplos de pessoas que não deram e tiveram crianças de seis meses internadas as iluminadas não conseguem perceber o que está em causa, porque a experiência delas, que se resume aos seus filhos, vale mais do que estudos científicos, é ciência no seu estado mais puro, é o que dá tanta vezes se repetir – “A mãe é que sabe!”

É verdade que alguns pediatras não recomendam esta vacina se as crianças não frequentarem a creche antes dos dois anos, porque isso reduz imenso o fator de risco, mas atenção que podem ser contaminadas em casa ou numa saída por alguém que se cruze com elas e um bebé pequeno com uma gastroenterite provocada pelo Rotavírus pode ser problemático, sim é apenas um tipo de vírus, mas é aquele que atira as pessoas, mesmo adultos, para a cama, agora imaginem o que faz a um bebé de meses.

 

É extremamente desanimador perceber que há uma grande fatia da população que é completamente ignorante em relação aos mais diversos assuntos, que não queiram discutir política, que não queiram discutir os problemas do país, os problemas da sociedade, até posso entender, se estivermos constantemente a pensar no que esta mal, nem conseguirmos sorrir, mas este desleixo, esta desinformação, esta ignorância com a saúde deles e acima de tudo com a saúde dos filhos deixa-me profundamente angustiada.

 

Não posso deixar de pensar quantos problemas poderiam ser evitados se as pessoas estivessem mais informadas sobre saúde, não admira que se continue a distribuir açúcar puro em formato de gomas às criancinhas nas festas de aniversário, a maioria das pessoas sabe que faz mal, mas não consegue entender, não tem capacidade para isso, a extensão do dano.

Há um longo caminho a percorrer na informação e na prevenção, não são apenas milhões de euros que podem ser poupados e canalizados para outro tipo de cuidados, são milhares de pessoas e crianças que podem ser poupadas a complicações de saúde e sofrimento.

Uma pena que as pessoas não usem as ferramentas que têm ao seu dispor para informar, mas para disseminar desinformação.

Donas Brancas no Facebook

Em diversos grupos de vendas e trocas da rede social Facebook têm aparecido ofertas de empréstimos de entidades não financeiras e de particulares.

Este tipo de oferta é uma fraude, não é legal, é uma burla, uma forma de enriquecimento ilícito à custa de pessoas que atravessam dificuldades e recorrem a estes créditos quando não os conseguem em entidades financeiras.

 

Em primeiro lugar é de estranhar que se divulgue um negócio ilegal online, mas eles são amplamente disseminados em sites de venda, nas redes sociais e pagam mesmo anúncios para aparecem nos primeiros resultados das pesquisas, com tanta divulgação é lamentável que não exista uma fiscalização e um maior controlo destas situações.

Em segundo lugar é espantosa a quantidade de pessoas que responde às propostas, se em outros locais não é possível verificar se os burlões estão ou não a ter sucesso, no Facebook pela quantidade de comentários é possível ter uma ideia do quão mal informadas e/ou desesperadas estão as pessoas.

 

A lei, e a prudência, avisam que um empréstimo entre particulares deve ser celebrado por meio de um contrato para que ambos os intervenientes vejam salvaguardados os seus interesses, não faltam também notícias e avisos que avisam dos problemas causados por empréstimos sem contrato, mas ainda há quem acredite que é boa ideia aceitar um empréstimo de uma “empresa” ou “pessoa” que anuncia o serviço no Facebook e que ainda específica:

“sem burocracias, liquidez imediata, sem recurso a crédito”

O facilitismo e a rapidez são as supostas vantagens destas ofertas, mas são apenas um ardil para incentivar o endividamento.

 

Agiota até pode parecer uma palavra bonita, lembra uma gaivota, mas nunca se esqueçam que as gaivotas que embelezam os céus das praias são as mesmas que espalham o lixo nas ruas, sujam carros e pessoas, são carnívoras e quando encontram um alvo não o largam, são assim tão bem os agiotas bem vestidos, bem-falantes, cheios de confiança e boas intenções, mas que só querem explorar as vossas fraquezas e quando encontram o vosso ponto fraco nunca mais vos largam.

 

O sucesso deste negócio ilícito só pode ser explicado pela ignorância e pela falta de atenção das pessoas, com tanta informação disponível uma simples pesquisa demoveria quem quer que fosse a recorrer a estas situações.

As pessoas que se sentem tentadas a recorrer a dinheiro fácil para satisfazer um pequeno luxo ou desejo não têm desculpa, estão a ser apenas irresponsáveis, as que se encontram com dificuldades financeiras e perante um aperto antes de se colocarem numa posição ainda mais frágil deveriam procurar ajuda, há empresas especializadas no assunto que ajudam a gerir as finanças, a negociar créditos, é tudo uma questão de procurar informação.

 

Infelizmente as pessoas não conseguem distinguir o que é correto do que não é, tal como não distinguem uma notícia falsa de uma verdadeira, antigamente o que diziam na televisão era lei, hoje, infelizmente, é o que dizem nas redes sociais e é por isso que se disseminam mentiras, calúnias a par de negócios ilegais e diversos esquemas que escapam ao controle das autoridades.

O que se passa nas redes sociais é o espelho da nossa sociedade, se na sociedade existe corrupção, mentira, falta de ética, esquemas financeiros, contrafação, as redes socais só vieram alargar a rede de contactos e potenciais clientes para os corruptos, burlões e ladrões, abrindo um sem fim de possibilidades com a proximidade ilusória de quem está ali sempre contactável, mas que no dia seguinte se esfuma sem deixar rastro.

 

É urgente que as autoridades fiscalizem páginas de negócios ilícitos e que se infiltrem nestes grupos, que são na maioria fechados, para que os autores dos crimes sejam punidos e impedidos de ludibriar as pessoas, é uma forma também de combater a economia paralela que como todos sabemos é um problema gravíssimo para a saúde financeira do país.