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Língua Afiada

Coincidências ou condicionamentos?

Tinha planeado na hora de almoço fazer um convite de aniversário para a festa da filha de uma amiga, o convite tem como tema a Minnie, a cor predominante é o rosa e não faltam as famosas bolinhas tão caraterísticas das roupas da namorada do Mickey.

Há pouco quando descia uma escadaria olho para baixo e não contive o riso, imaginem o que trago vestido? Uns sapatos cor-de-rosa, umas calças pretas e uma blusa preta com bolinhas cor-de-rosa, inconscientemente vim praticamente vestida de Minnie.

Não, não é coincidência ontem enquanto planeava o que vestir tudo me levava para o rosa, bem sei que a cor até está na moda, mas o nosso cérebro é maravilhoso a condicionarmo-nos.

 

P. S. Não pensem que os sapatos rosa e bolinhas é algo muito chamativo, o conjunto é muito sóbrio e até discreto já que a base é o preto e o rosa muito clarinho, só para que não pensem que ando vestida de Barbie.

Sem paciência

O meu nível de paciência tem andado no menos vinte, ou seja, ainda ninguém disse ou fez nada e eu já estou irritada e não há quem se sinta pior com isso do que eu própria, porque isto de estar constantemente prestes a explodir não é uma sensação boa.

Se na esfera privada a situação se compõe com umas respostas mais ríspidas e pedidos de desculpas, já no trabalho é mais complicado, se tivessem uma câmara a filmar as minhas expressões tínhamos matéria para rir durante horas.

 

Ao telefone vale tudo desde suspiros enfadados, revirar olhos, bater com o lápis no caderno, riscar furiosamente as folhas, enrolar o fio do telefone, tudo para não demonstrar a quem está do outro lado que estou prestes a ter um colapso nervoso, ontem estive 17m e 23s ao telefone com um fornecedor, uma chamada que se resolveria em 2m, o meu nível de paciência passou do menos 20 para o menos 50.

A minha reação aos e-mails não é muito melhor, já é hábito receber as coisas mais estapafúrdias por essa via e normalmente geram gargalhadas e abanões de cabeça, nestas alturas geram uma espécie de indignação pela estupidez humana e comentários sarcásticos.

A única coisa positiva é que lá vou arrancando umas belas gargalhadas, tenho de me rir de mim própria, o humor é a única coisa capaz de me dar sanidade mental e gargalhar descomprime.

 

Tenho-me mantida afastada do blog porque o meu nível de fúria anda nos picos e até a escrever se nota. Não estou doida, como costumam dizer só tenho mesmo de deixar os comprimidos, mas infelizmente não o posso fazer, só me resta respirar fundo e tentar ao máximo não me deixar levar pelo stress.

O que mais me afeta é não ter um sono de qualidade o que seria essencial para me sentir melhor, acordo com o corpo dorido e cansado, como se não tivesse dormido e após alguns dias o cansaço acumula-se.

Espero por dias mais calmos, para me voltar a reconhecer na leveza que sempre tive, tenho saudades de mim, porque esta não sou eu.

Pensar, procrastinar e decidir

Tenho demasiados verbos na minha vida, tornam-na rica e profícua ao mesmo tempo que me complicam algumas situações, gostava muito de pensar e decidir, mas há todo um hiato entre estes dois verbos, um outro verbo de seu nome procrastinar.

Invento desculpas, causas, problemas para o constante adiar de decisões, mas na verdade sei que em muitos casos trata-se apenas de procrastinação, embora sejam decisões determinantes para a minha vida que carecem de resolução.

 

Não gosto de indecisões, de variáveis, de probabilidades, se me adapto com facilidade a mudanças, não lido bem com o incerto, não se trata de uma incoerência, trata-se de necessitar de ter determinadas situações definidas para conseguir lidar com tudo o que não controlamos, o que é basicamente quase tudo na nossa vida.

Neste momento são poucas as situações definidas, pior do que as escassas situações definidas é não ter um plano para as definir.

Existem dois problemas o medo de errar, de escolher a opção errada e a minha constante obsessão com o custo de oportunidade, sempre que optamos por um caminho isso tem consequências, se opto pela opção A, essa escolha custa-me o caminho B, C e D.

 

Sinto sempre que se esperar mais um pouco conseguirei uma opção melhor, isto não só é impeditivo de tomar decisões como causa ansiedade, é um ciclo infindável que piora com o tempo. Se no passado tomava decisões com base no instinto e muitas vezes impulsivamente, com os anos tenho cada vez mais dificuldade em decidir, é próprio da vida, com a maturidade as decisões são cada vez mais sérias e importantes, mas pensar demasiado na vida, nas decisões, nas implicações, nas consequências, nas variações, probabilidades e diversas possibilidades impede-me de decidir em tempo útil.

 

Entre o pensar e o decidir há um grande tempo de ponderação, que não é nada mais, nada menos do que procrastinar, em boa verdade uma decisão é sempre a melhor com base nos dados que possuímos no momento, mais tarde podemos mudar de ideias à luz de novos dados, mas como ainda não conseguimos prever o futuro, as decisões que tomamos no presente são sempre as certas.

O presente é a realidade que conhecemos e qualquer intenção de prever o que poderá mudar no futuro não é nada mais do que adivinhação e especulação, tomar decisões baseadas em especulações é a pior decisão de todas, adiar decisões na esperança de uma conjuntura melhor é só mesmo isso adiar, procrastinar.

 

É legítimo adiarmos decisões na esperança de existirem condições mais favoráveis, que se cumpram determinados requisitos, de termos vontade de decidir, no entanto, é preciso ter noção que estamos de alguma forma a procrastinar.

Não há nada de errado nisso, mas esta consciencialização nem sempre é pacífica quando analisamos a cru as situações e percebemos que o motivo da espera poderá nunca se concretizar, sendo que ao adiarmos uma decisão a única certeza que temos é mesmo essa que escolhemos adiar.