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Língua Afiada

Orçamento de Estado ou para o Estado? Ou para as eleições?

 

O nome pelo qual foi batizado este Governo foi realmente muito bem escolhido, Geringonça, estamos a ser liderados por um engenhoca mal oleada, que tudo faz para agradar, dissimulando e ludibriando como bem entende, de sorriso nos lábios, ar altivo e superior, num cinismo tão descarado que enoja.

Parecem ser muitas as novidades, mas no essencial fica tudo igual, a carga fiscal altíssima mantem-se e as medidas anunciadas têm na verdade pouco impacto, à exceção dos aumentos das pensões e dos salários na função pública.

Para equilibrar as cedências existe um programa de revisão da despesa que aponta poupanças de 236 milhões de euros em várias áreas, sendo da saúde e da educação que saem a maior parte destas poupanças, por outras palavras as cativações são para manter.

Centeno espera e tenta a todo o custo obter o défice zero, a questão que se coloca é a que custo? O custo é dos portugueses que têm uma carga fiscal altíssima e cada vez pior serviço na Educação e na Saúde.

Todas as contas são baseadas numa conjuntura altamente favorável e é aqui que reside o perigo, pois caso a conjuntura económica se altere Portugal fica em maus lençóis e sem grandes alternativas. Continuamos no mesmo marasmo, sem que sejam realizadas alterações profundas e necessárias, os interesses instalados são intocáveis e continua-se a oferecer jobs for the boys e na verdade ninguém se importa com isso.

O registo continua o mesmo, lançam-se medidas populares, tapa-se o sol com a peneira e os portugueses seguem alegres e contentes enquanto sobem ao poder pessoas incompetentes.

Donas Brancas no Facebook

Em diversos grupos de vendas e trocas da rede social Facebook têm aparecido ofertas de empréstimos de entidades não financeiras e de particulares.

Este tipo de oferta é uma fraude, não é legal, é uma burla, uma forma de enriquecimento ilícito à custa de pessoas que atravessam dificuldades e recorrem a estes créditos quando não os conseguem em entidades financeiras.

 

Em primeiro lugar é de estranhar que se divulgue um negócio ilegal online, mas eles são amplamente disseminados em sites de venda, nas redes sociais e pagam mesmo anúncios para aparecem nos primeiros resultados das pesquisas, com tanta divulgação é lamentável que não exista uma fiscalização e um maior controlo destas situações.

Em segundo lugar é espantosa a quantidade de pessoas que responde às propostas, se em outros locais não é possível verificar se os burlões estão ou não a ter sucesso, no Facebook pela quantidade de comentários é possível ter uma ideia do quão mal informadas e/ou desesperadas estão as pessoas.

 

A lei, e a prudência, avisam que um empréstimo entre particulares deve ser celebrado por meio de um contrato para que ambos os intervenientes vejam salvaguardados os seus interesses, não faltam também notícias e avisos que avisam dos problemas causados por empréstimos sem contrato, mas ainda há quem acredite que é boa ideia aceitar um empréstimo de uma “empresa” ou “pessoa” que anuncia o serviço no Facebook e que ainda específica:

“sem burocracias, liquidez imediata, sem recurso a crédito”

O facilitismo e a rapidez são as supostas vantagens destas ofertas, mas são apenas um ardil para incentivar o endividamento.

 

Agiota até pode parecer uma palavra bonita, lembra uma gaivota, mas nunca se esqueçam que as gaivotas que embelezam os céus das praias são as mesmas que espalham o lixo nas ruas, sujam carros e pessoas, são carnívoras e quando encontram um alvo não o largam, são assim tão bem os agiotas bem vestidos, bem-falantes, cheios de confiança e boas intenções, mas que só querem explorar as vossas fraquezas e quando encontram o vosso ponto fraco nunca mais vos largam.

 

O sucesso deste negócio ilícito só pode ser explicado pela ignorância e pela falta de atenção das pessoas, com tanta informação disponível uma simples pesquisa demoveria quem quer que fosse a recorrer a estas situações.

As pessoas que se sentem tentadas a recorrer a dinheiro fácil para satisfazer um pequeno luxo ou desejo não têm desculpa, estão a ser apenas irresponsáveis, as que se encontram com dificuldades financeiras e perante um aperto antes de se colocarem numa posição ainda mais frágil deveriam procurar ajuda, há empresas especializadas no assunto que ajudam a gerir as finanças, a negociar créditos, é tudo uma questão de procurar informação.

 

Infelizmente as pessoas não conseguem distinguir o que é correto do que não é, tal como não distinguem uma notícia falsa de uma verdadeira, antigamente o que diziam na televisão era lei, hoje, infelizmente, é o que dizem nas redes sociais e é por isso que se disseminam mentiras, calúnias a par de negócios ilegais e diversos esquemas que escapam ao controle das autoridades.

O que se passa nas redes sociais é o espelho da nossa sociedade, se na sociedade existe corrupção, mentira, falta de ética, esquemas financeiros, contrafação, as redes socais só vieram alargar a rede de contactos e potenciais clientes para os corruptos, burlões e ladrões, abrindo um sem fim de possibilidades com a proximidade ilusória de quem está ali sempre contactável, mas que no dia seguinte se esfuma sem deixar rastro.

 

É urgente que as autoridades fiscalizem páginas de negócios ilícitos e que se infiltrem nestes grupos, que são na maioria fechados, para que os autores dos crimes sejam punidos e impedidos de ludibriar as pessoas, é uma forma também de combater a economia paralela que como todos sabemos é um problema gravíssimo para a saúde financeira do país.

 

 

 

Crédito mal parado, bolha imobiliária, matemática, uma lição

A partir de 1 de Julho de 2018 entram em vigor três novas medidas propostas pelo Banco de Portugal para combater o crédito mal parado.

Serão impostos 3 limites ao crédito:

 

1 - Ao rácio entre o montante do empréstimo e o valor do imóvel dado em garantia (LTV – loan-to-value):

- De 90% para créditos para habitação própria e permanente;

- De 80% para créditos com outras finalidades que não habitação própria e permanente;

- De 100% para créditos para aquisição de imóveis detidos pelas instituições e para contratos de locação financeira imobiliária.

 

2 – De 50%, ao rácio entre o montante da prestação mensal calculada com todos os empréstimos do mutuário e o seu rendimento (DSTI – debt service-to-income), com as seguintes exceções:

- Até 20% do montante total de créditos concedidos por cada instituição abrangidos pela presente medida, em cada ano, pode ser concedido a mutuários com DSTI até 60%;

- Até 5% do montante total de créditos concedidos por cada instituição abrangidos pela presente medida, em cada ano, pode ultrapassar os limites previstos ao DSTI.

 

3 – À maturidade original dos empréstimos:

- De 40 anos nos novos contratos de crédito à habitação e crédito com garantia hipotecária ou equivalente, e convergência gradual para uma maturidade média de 30 anos até final de 2022;

- De 10 anos à maturidade nos novos contratos de crédito ao consumo.

 

Estas medidas aparecem em boa hora certa, depois da preocupação crescente com o aumento dos créditos e com o aumento dos preços dos imóveis, aumento esse que já despertou a atenção do FMI que alertou para o perigo de se estar a criar uma nova bolha imobiliária, sendo necessário colocar alguns limites ao endividamento das famílias.

Há dois pontos sobre os quais não deveria ser necessário legislar, qualquer instituição financeira saberá fazer contas e não precisa de regras para uma boa gestão, não é prudente emprestar um valor igual ou superior ao imóvel, em caso de incumprimento o que acontece ao banco? Fica com um imóvel que vale menos do que o montante em dívida.

 

O mesmo se passa com o rendimento disponível fixo, se uma família tem rendimentos de 1000€ não faz sentido que tenha um empréstimo de 600€/mês, mesmo que existam rendimentos não declarados (infelizmente ainda acontece) ou rendimentos suplementares como prémios e remunerações por horas extra, rendimentos não garantidos e que podem desaparecer, foram os primeiros a ser cortados com a última crise.

 

O crédito mal parado não é apenas culpa dos portugueses quererem viver acima das suas possibilidades, é também dos bancos que incentivaram durante anos e anos o consumo desenfreado, aliás têm estes mais responsabilidade, pois se uma entidade financeira nos diz que conseguimos pagar, se nos apresenta tantas facilidades é normal que o cliente se deixe levar pelas contas desta, supostamente ninguém quer perder dinheiro, só que os bancos não fizeram contas e esqueceram-se de avisar.

Este aumento de consumo, em especial o aumento de compra de casa própria preocupa-me, sei que é uma questão de tempo até que a bolha rebente nas nossas vidas, as pessoas ver-se-ão confrontadas com imóveis de valor inferior ao da dívida, os bancos com mais imóveis que dinheiro e o ciclo da crise repetir-se-á.

 

A solução parece-me fácil, repetir até à exaustação que as pessoas precisam de fazer ou aprender a fazer contas, é tudo uma questão de matemática, se ganho 100 não posso gastar 110, da mesma forma que precisam de aprender que na vida nada é garantido e não é sustentável adiantar todo um futuro na esperança que tudo corra bem e que se vá ganhar muito dinheiro.

 

O Joãozinho tem 4 maças no cesto, na macieira estão mais 4 maçãs por colher, a mãe pergunta-lhe:

- Quantas maçãs tens Joãozinho?

- Tenho 8 mamã.

- Tens 4, só vejo 4 maçãs no cesto.

- Tenho 4 que já colhi, mais 4 que irei colher.

- Então ainda não tens 8.

 

Entretanto o Joãozinho decide subir a macieira para colher as outras 4 maçãs, mas a meio percebe que não chega ao topo, o tronco é demasiado frágil para suportar o seu peso e os braços demasiado pequenos para alcançar as maçãs.

Desce cabisbaixo e diz:

- Afinal só tenho 4 maçãs mamã.

- Sim filho, só tens 4 maçãs. Que te sirva de lição, na vida só podemos fazer contas ao que temos e nunca ao que esperamos ou sonhamos ter.