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Língua Afiada

Combater armas com armas, a solução ou o problema?

 Se houvesse ainda alguém que achasse que Trump poderia ter alguma réstia de bom senso, sensibilidade, inteligência e sentido de oportunidade deve ter acabado de perder a esperança, até essa sucumbiu, morreu às mãos do presidente norte-americano.

A solução para combater a violência com armas nas escolas para Trump é simples, foi uma visão clara como a água, armar os professores, parece uma anedota, faz rir como uma anedota, mas tristemente é verdade e quando nos apercebemos disso a gargalhada desfaz-se num sorriso amarelo e depois num cerrar de dentes.

Que personagem é esta? Como é que alguém assim consegue chegar a presidente dos Estados Unidos, especialmente depois de Barack Obama?

Há um ditado português que diz “juntou-se a fome com a vontade de comer” juntou-se um maníaco com fome de poder com a vontade de vender armas e o resultado é desastroso.

Se a solução para acabar com a violência fosse armar as pessoas, bastaria dar uma arma a cada pessoa e todos teríamos medo uns dos outros e andaríamos contentes da vida, só que na vida real as coisas não funcionam assim, na prática o mundo transformar-se-ia num gigante palco de guerra, medo, opressão e violência.

Só um lunático com os bolsos cheios pelas empresas de armamento é capaz de equacionar este tipo de solução e ter a petulância de a proferir perante o mundo.

Talvez um dia ele seja vítima da sua própria política doméstica pro armamento, entretanto espero que não sejamos todos vítimas das suas políticas externas, porque equipar misseis com bombas nucleares pode ser o primeiro passo para que o mundo termine tal como o conhecemos.

Preocupa-me a sustentabilidade do planeta, mas com líderes destes temo que não cheguemos a esse ponto, pois uma guerra poderá terminar com a vida do planeta muito antes.

 

Sustentabilidade

Sustentabilidade a palavra de ordem do século 21, a palavra da moda, ouvimo-la em discursos políticos, em palestras de economia, nas aulas, nas notícias, nos estudos, escrita nas missões das empresas, impregnada nos objetivos empresariais e pessoais, o crescimento sustentado é a solução para todos os problemas, o santo Gral da economia, do capitalismo, do sucesso.

 

Vivemos e respiramos para a sustentabilidade, mas esquecemo-nos da sustentabilidade mais importante, a sustentabilidade da vida.

 

Não me refiro à sustentabilidade da nossa vida, a essa série de eventos que acontece entre o nascimento e a morte de uma pessoa, essa vida nada mais é que uma gota que cai na terra instantaneamente absorvida e esquecia, matéria que se transforma e reintegra, uma infinidade de nada na vastidão do Universo, um mícron no tempo dos Planetas.

Refiro-me à vida na verdadeira ascensão da palavra, a todos os seres vivos, ao ecossistema terrestre, ao Planeta azul o único planeta vivo que conhecemos, a única sustentabilidade que nos deveria preocupar neste momento é a da Terra.

 

O único ser vivo com consciência, o humano, é o mais limitado, somos e fomos capazes de grandes feitos, a evolução da nossa espécie até aqui é mais fácil de explicar através de um milagre do que pela ciência, e no entanto com tanto conhecimento, tanta ciência, tanta tecnologia somos tão limitados e tão ignorantes, estupidamente certos que o importante é o tempo que aqui passamos mesmo que para isso em vez de deixarmos um legado, deixemos um rasto de destruição, tão presos ao nosso bem-estar e egoísmo que escolhemos ignorar o que se passa à nossa volta, contribuindo para o esgotamento, desastre e colapso do mundo.

Tenho vontade de rir quando vejo as pessoas preocupadas com a subida dos juros ou com a possibilidade de uma nova crise económica, ainda mais me rio quando se preocupam em ter dinheiro para o telemóvel mais recente ou quando perdem tempo em comparações de poder económico, cegas pela vaidade e pela ganância, afinal não basta ter dinheiro é preciso que os outros saibam que o têm.

 

Ontem chorei ao ver as imagens do conflito em Ghouta Oriental, senti-me pequenina, insignificante e petulante por estar confortavelmente sentada no sofá, com alguém que amo ao meu lado, depois de um jantar farto após um dia de trabalho produtivo, senti-me encolher perante aquela realidade atroz, o que fazemos? Continuamos as nossas vidas, afinal temos os nossos próprios problemas, os nossos dilemas e não podemos estar sempre a pensar nas desgraças do mundo, é isso que dizemos a nós próprios para conseguirmos fechar os olhos e dormir um sono descansado.

Não dormi bem, estava demasiado agitada, nem o filme que vi depois me fez desligar daquelas imagens, do menino que gritava desamparado e inconsolável.

 

Poderíamos preparar um mundo melhor para todos, mas os homens preferem brincar a quem tem mais poder, quem é que assusta mais, mais parecem que estão no wc do infantário a medir os órgãos genitais.

Enquanto a guerra e a fome assolam países inteiros, quando acontece um genocídio em pleno século XXI acobertado por um Nobel da Paz, continuamos impávidos e serenos e se a morte e desgraçado dos outros não nos afeta, a ameaça de morrermos à fome deveria, mas o que nos preocupa realmente é saber se amanhã chove ou faz sol.

 

O Planeta Azul deixou de sustentável, deixou de conseguir providenciar fartura para a nossa fome insaciável de tudo, exploramos desenfreadamente os seus recursos naturais e damos-lhe lixo, uma troca injusta e impossível de sustentar, por mais espetacular e fantástico que seja o nosso ecossistema, há limites e nós há muito que os ultrapassamos.

Hoje, nem que seja só por hoje, não estou preocupada com política, economia, dinheiro, estou preocupada com a sustentabilidade da Terra, pensativa, inquisitiva, será este mundo que queremos deixar para as próximas gerações, merecerão os nossos descendentes herdar esta sociedade consumista e egoísta?

 

Em breve teremos uma crise do bem mais essencial à vida, teremos uma crise de água potável, mas ninguém parece realmente preocupado, ao mesmo tempo culturas estão ameaçadas pelo aumento da temperatura global, os oceanos e consequentemente os peixes estão poluídos, o consumo excessivo de carne de vaca está diretamente ligado à destruição da camada de ozono, temos culturais intensivas de cereais transgénicos, uma desfloração excessiva afeta a qualidade do ar, estamos a matar o pulmão do mundo, mas o que interessa é saber quem é mais perigoso e quem manda mais.

Somos tão pequeninos, tão inconsequentes, crianças mimadas e egoístas, somos os criminosos que nunca serão julgados, cujos crimes só serão reconhecidos quando formos pó, passado e nada.

 

Talvez sejamos ainda julgados, talvez seja ainda neste século que a catástrofe natural e ambiental nos esmague na nossa insignificância, talvez tenhamos de enfrentar os crimes que cometemos, o dia do juízo final não será ministrado por uma entidade celestial, mas uma entidade celeste, o nosso próprio planeta.

Mundo virado do avesso e a insegurança

Duas semanas de férias em que o fluxo noticioso não é constante, quando nos inteiramos de tudo, sentimos que o mundo está virado do avesso.

Por entre desgraças e notícias preocupantes teria um sem fim de assuntos sobre os quais me debruçar.

Na Síria ultrapassaram todos os limites e usaram armas químicas, o precipitado de serviço faz exatamente o que tinha previsto, toma uma atitude irrefletida e impulsiva por conta própria e decide atacar, Donald Trump a ser Donald Trump. Veremos se a Rússia não é tão precipitada.

Mais um atentado na Europa, há uma crescente sensação de insegurança no velho continente e infelizmente parece que os dias de paz e tranquilidade estão perto de extinção.

Confesso que durante a viagem a Barcelona, nos aeroportos e em locais mais movimentados senti algum receio, a ideia de um atentado cruzou-me várias vezes o pensamento, algo que há uns anos seria impensável.

Há muito que existe uma guerra mais ou menos silenciosa entre o extremismo e a liberdade, quando para se combater o extremismo se recorre a ideais extremistas é uma questão de tempo até estalar uma guerra.

Querem que nos sintamos inseguros no nosso continente, no nosso país, não descansarão até que nos sintamos inseguros na nossa própria casa, esse é o plano.

Enquanto nos distraem com suspeitas e ódio aos migrantes, mexem na surdina os cordelinhos para um plano muito maior e audaz, mas o povo anda distraído.

O que desejo é que a situação não piore de tal forma que todo o povo tenha consciência dela, deixem-nos andar sorridentes e despreocupados, que a vida é muito curta para ser vivida em constante sobressalto.

Aos que já estão sobressaltos deixo a minha empatia, é uma sensação estranha sentir um calafrio constante provocado pela insegurança, um medo inconsciente que sentimos e que não sabemos bem como explicar.

É como andar de avião, sabemos que é seguro, mas que às vezes acontecem acidentes e por isso não deixámos de sentir um arrepio sempre que nos lembramos que se o avião se despenhar não há nada nem ninguém que nos possa salvar.