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Língua Afiada

Nunca comi uma bola de Berlim na praia

Eu sei que só por isso devo perder a nacionalidade portuguesa e perder o direito a colocar os pés na areia para todo o sempre, mas na praia não em apetece comer bolas de Berlim, sou mais dada a gelados, a torrões e a batatas-fritas.

Gelados, não há nada que combine melhor com praia e Verão do que gelados, quer dizer limonada e sangria andam ali próximas, a cerveja e o fino para os apreciadores também, mas para saborear na praia o bom mesmo é o gelado – quem não se lembra do Sr. dos Gelados – Olha o bom gelado!

 

Bola de Berlim é para se comer na esplanada, com calma, sem areia, e bola de Berlim que é bola de Berlim é com creme de pasteleiro e não com estas invenções modernas, bola de Berlim com nutella, haverá combinação mais calórica e enjoativa?!

A única alteração boa que fizeram à bola de Berlim foi acrescentarem-lhe canela no exterior, se não concordam é porque nunca comeram as bolas de Berlim do Natário, ide lá provar e depois falamos.

 

Não sei bem de onde surgiu esta moda, mas os vendedores ambulantes agradecem e bem que merecem ter lucro, que andar o dia inteiro a caminhar carregados por esses areais fora não é pera doce, mas ao menos poupam na conta do ginásio.

Quem come as bolas de Berlim é que pode começar a poupar para a mensalidade do ginásio e a preparar-se para a dieta, não tenho nada a ver com isso, mas não entendo como andam 3 meses a alface para caberem no bikini e depois comem bolas de Berlim como se a sua vida dependesse disso, vai-se lá entender.

 

Vou continuar a comer gelados, fresquinhos e de preferência com poucas calorias, as bolas de Berlim ficam para outras alturas quando se exige um nível calórico mais alto.

Agora confessem lá quantas bolas de Berlim é que já comeram este Verão? São tradicionais ou vale tudo desde o chocolate aos sabores mais exóticos?

Alguém da equipa gelados? Não me digam que sou a única pessoa em Portugal e quiçá no mundo que não come bolas de Berlim na praia.

Como assim não há dinheiro?

Não há dinheiro, provavelmente esta frase deve ter sido uma das poucas vezes em que António Costa foi completamente honesto e sincero, sem malabarismos, eufemismos, desculpas esfarrapas, limitou-se a dizer a verdade não há dinheiro.

Os mais atentos, independentemente da cor política, há muito que sabem que não há dinheiro, mas na sociedade em geral há a crença genuína que a austeridade acabou e que Portugal prospera, há uma diferença importante entre crescer e prosperar, mas são cálculos e fórmulas muito complicadas e ao povo interessa apenas saber se a economia cresce e se a austeridade acabou, no fundo só precisam saber que a situação económica do país está melhor, não importam os detalhes.

 

É precisamente nos detalhes que está o diabo, o diabo das contas públicas assume muitas formas, pode ser uma agência de rating, o Banco Central Europeu, o próprio Banco de Portugal ou até o Instituto Nacional de Estatística, mas estes diabos não têm a mesma capacidade de envangelização que o novo Messias, essa personagem simpática e bem-falante que é António Costa que anuncia um admirável mundo novo, que só podemos acreditar existir se o mesmo operar um milagre.

Nesse mundo utópico em que a austeridade terminou magicamente e que o dinheiro não nasce de plantações, mas de cativações, as pessoas vivem alegres e despreocupas, crentes que Portugal prospera e que realmente as suas vidas melhoraram.

Pessoalmente continuo sem perceber como é que isso aconteceu, sou muito descrente, mas o que sei é que o custo de vida tem aumentado consideravelmente, sinto-o sempre que vou ao supermercado, e os ordenados têm-se mantido praticamente iguais, se o ordenado mínimo aumentou as restantes categorias não lhe seguiram o exemplo, como é possível então que se gaste mais? Simples, andamos novamente a gastar o que não temos porque perdemos o receio, o medo desse fantasma do passado chamado austeridade.

Mas está tudo bem, a economia cresce, recupera, o défice (não a dívida pública) diminuiu, não há receios, a vida é tranquila e segura.

 

Mas António Costa disse que não havia dinheiro!

Como assim não há dinheiro? Não dinheiro para os professores, mas é só para os professores e logo para esses que não fazem quase nada, que têm 3 meses de férias e o privilégio de conviver com essas criaturas magníficas, crianças e jovens tão bem educados, inteligentes e encantadores, para esses não há dinheiro e é bem feito.

Não podem é dizer que não há dinheiro para os velhinhos, se tiram dinheiro aos velhinhos arruínam a imagem, não importa nada que não haja dinheiro para contratar médicos e enfermeiros para cuidar deles, não importa nada que se apinhem em corredores de hospitais porque não existem camas suficientes, o que importa é que não se diga em voz alta que não há dinheiro para as suas parcas reformas.

 

Não há dinheiro?

Esqueçam lá isso, claro que há dinheiro, então a economia não está a crescer.

É claro que há dinheiro.

Coincidências ou condicionamentos?

Tinha planeado na hora de almoço fazer um convite de aniversário para a festa da filha de uma amiga, o convite tem como tema a Minnie, a cor predominante é o rosa e não faltam as famosas bolinhas tão caraterísticas das roupas da namorada do Mickey.

Há pouco quando descia uma escadaria olho para baixo e não contive o riso, imaginem o que trago vestido? Uns sapatos cor-de-rosa, umas calças pretas e uma blusa preta com bolinhas cor-de-rosa, inconscientemente vim praticamente vestida de Minnie.

Não, não é coincidência ontem enquanto planeava o que vestir tudo me levava para o rosa, bem sei que a cor até está na moda, mas o nosso cérebro é maravilhoso a condicionarmo-nos.

 

P. S. Não pensem que os sapatos rosa e bolinhas é algo muito chamativo, o conjunto é muito sóbrio e até discreto já que a base é o preto e o rosa muito clarinho, só para que não pensem que ando vestida de Barbie.