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Língua Afiada

Combater violência sexual contra mulheres com exclusão dos homens

É o que irá acontecer no próximo ano na Suécia, um festival exclusivo para mulheres.

A ação, vista por alguns como discriminação, é um protesto após acusações de 23 abusos e quatro violações que terão acontecido no recinto do maior festival de verão da Suécia o Bråvalla, que foi mesmo cancelado para 2018.

 

A ideia terá surgido depois da humorista e animadora de rádio sueca Emma Knychare ter lançado a pergunta no Twitter:

“O que acham de se organizar um festival de música muito cool onde só os homens não são bem-vindos, que aconteça até que TODOS os homens tenham aprendido a comportar-se?".

 

A resposta do público foi positiva e o festival irá mesmo acontecer, substituindo o Bråvalla.

A iniciativa é inédita, pois embora outros festivais já tivessem disponibilizado espaços específicos só para mulheres, é a primeira vez que um festival proíbe a entrada de homens em todo o recinto.

 

É discriminação?

Não, é seleção, na medida em que há espaços direcionados apenas para homens ou mulheres, não vejo por que razão um evento não poderá ser pensado apenas para um dos grupos.

 

Faz sentido que hoje existam estes espaços que definem a clientela com base no género?

Não, não faz sentido nenhum, especialmente quando o género já não é sequer obrigatório em alguns países.

 

E fará sentido em 2017, num país europeu, supostamente evoluído, as agressões sexuais a mulheres serem encaradas com normalidade?

Na Suécia o alto nível de incidência de crimes de agressão sexual levou mesmo a que o Governo tomasse a decisão de apertar leis para dissuadir este tipo de crimes.

Não acredito em discriminação positiva, não acho que se devam barrar os homens para proteger as mulheres, a solução passará sempre por educar os homens e punir severamente quem infringir a lei, existe também a necessidade de criar condições de segurança para que as mulheres se possam sentir seguras neste tipo de ambientes e em qualquer outro.

 

Acredito que este festival enquanto forma de protesto terá esse papel, consciencializar os homens que as suas ações têm consequências, embora claramente aqui estaremos a responsabilizar todos pelas ações de alguns, mas é um protesto, está a ser notícia e no fundo a cumprir o seu papel, chamar à atenção e promover o debate sobre o assunto.

Não obstante, espero que esta iniciativa não seja encarada como solução e comece a ser regra. Não vamos regredir ao tempo em que separávamos meninas e meninos nas escolas, em que existiam espaços reservados a homens e espaços reservados a mulheres, a segregação não resolve o problema, apenas o agrava.

Ao isolarmos as mulheres não as estamos a proteger, estamos a fragiliza-las, a passar a mensagem que apenas estão seguras sem homens, dando força à normalidade das agressões em ambientes mistos.

Estas questões têm de ser tratadas com o máximo cuidado, queremos passar a mensagem certa, mas é muito fácil essa mensagem ser deturpada dado o carácter sensível do tema.

 

Concordo com o protesto, com o exemplo que dá, mas não se pode cair na tentação de elevar o protesto a regra.

Mundo virado do avesso e a insegurança

Duas semanas de férias em que o fluxo noticioso não é constante, quando nos inteiramos de tudo, sentimos que o mundo está virado do avesso.

Por entre desgraças e notícias preocupantes teria um sem fim de assuntos sobre os quais me debruçar.

Na Síria ultrapassaram todos os limites e usaram armas químicas, o precipitado de serviço faz exatamente o que tinha previsto, toma uma atitude irrefletida e impulsiva por conta própria e decide atacar, Donald Trump a ser Donald Trump. Veremos se a Rússia não é tão precipitada.

Mais um atentado na Europa, há uma crescente sensação de insegurança no velho continente e infelizmente parece que os dias de paz e tranquilidade estão perto de extinção.

Confesso que durante a viagem a Barcelona, nos aeroportos e em locais mais movimentados senti algum receio, a ideia de um atentado cruzou-me várias vezes o pensamento, algo que há uns anos seria impensável.

Há muito que existe uma guerra mais ou menos silenciosa entre o extremismo e a liberdade, quando para se combater o extremismo se recorre a ideais extremistas é uma questão de tempo até estalar uma guerra.

Querem que nos sintamos inseguros no nosso continente, no nosso país, não descansarão até que nos sintamos inseguros na nossa própria casa, esse é o plano.

Enquanto nos distraem com suspeitas e ódio aos migrantes, mexem na surdina os cordelinhos para um plano muito maior e audaz, mas o povo anda distraído.

O que desejo é que a situação não piore de tal forma que todo o povo tenha consciência dela, deixem-nos andar sorridentes e despreocupados, que a vida é muito curta para ser vivida em constante sobressalto.

Aos que já estão sobressaltos deixo a minha empatia, é uma sensação estranha sentir um calafrio constante provocado pela insegurança, um medo inconsciente que sentimos e que não sabemos bem como explicar.

É como andar de avião, sabemos que é seguro, mas que às vezes acontecem acidentes e por isso não deixámos de sentir um arrepio sempre que nos lembramos que se o avião se despenhar não há nada nem ninguém que nos possa salvar.