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Língua Afiada

Portugueses trabalhadores fiéis e dedicados e adeptos de futebol

A Cristina Ferreira regressou à TVI e o Jorge Jesus regressou ao Benfica, só mesmo a CF para tirar protagonismo ao JJ, não sei se Luís Filipe Vieira terá gostado da falta de protagonismo, mas se pensarmos bem tudo o que ele pretende é que retirem os holofotes dele.

Haverá quem ache que Pinto da Costa financiou a contratação da CF só para chatear Vieira, mas o Pintinho tem mais o que fazer do que se prender com esses detalhes.

O que é muito, mas mesmo muito interessante é que os portugueses continuam a ter uma embirração com o ordenado da apresentadora, é que a mulher não pode ser ambiciosa, já tem tanto, já ganha tanto quer agora ganhar mais e para isso foi espetar uma faca diretamente no coração de Daniel Oliveira? Não podia, a dissimulada, a ambiciosa, a gananciosa, a falsa, não faltam adjetivos para qualificar uma pessoa que rescinde um contrato para fazer um mais vantajoso.

Dou os meus parabéns a todos estes portugueses que são trabalhadores fiéis, dedicados, que vestem a camisola e nem sequer consideram mudar de emprego tal é a sua lealdade aos patrões, pessoalmente considero-me uma funcionária dedicada, mas surgisse uma oportunidade na concorrência para um cargo melhor, mais desafiante e melhor remunerado era ver-me a dizer – amigos, amigos, negócios à parte – ala que se faz tarde que no final do mês a minha conta bancária é que é minha amiga se me pagar as contas.

Curiosamente, não vejo ninguém indignado com o ordenado do JJ, mentira, alguns benfiquistas, os mais sensatos deverei dizer, estão em desacordo com esta contratação altamente dispendiosa quando o clube não tem dinheiro e ainda mais descontentes porque não têm memória curta e lembram-se bem do que JJ disse no passado.

Para além de não indignados com o ordenado do JJ ainda se recusam a admitir que Vieira deve ser o homem mais mafioso de Portugal, não vale a pena virem falar do Pintinho, porque o Pintinho pode ser um senhor em muitas coisas, mas a nível de corrupção ao pé do Vieira é o menino Jesus, está ali ao nível do rapaz que rouba um 1 kg de fruta no supermercado para o Ricardo Salgado, só para terem um nível de comparação.

A mim só me preocupa o ordenado da CF por causa da ajuda do Estado à TVI, mas a ajuda do Estado é uma migalha para os negócios da Media Capital, que as pessoas esquecem que é muito mais do que a TVI e que é um negócio para gerar dinheiro e a CF é só um ativo, olha tal e qual um jogador de futebol, e esta hein?

A CF está para a TV como o CR está para o futebol, o CR (dizem) paga-se em merchandising, a CF paga-se em audiências que se traduzem em publicidade. Será que agora já entendem?

Cristina Ferreira tu sê ambiciosa mulher, coloca-te lá no topo com gritaria ou sem gritaria isso é lá contigo e com a tua audiência, não nutrindo especial simpatia por ti, admiro mulheres fortes e determinadas, precisamos de mais mulheres no poder e por isso acho muito bem que não te tenhas contentado com palavras e que queiras sentar-te na mesa das grandes decisões e ter uma palavra decisiva na empresa em que trabalhas.

O que é triste é que as pessoas se preocupem com o que os outros ganham, tanta inveja, tanta ignorância… enfim é a sociedade que temos.

Mas OH Mulher não te acanhes, continua lá com a tua gritaria e com a tua ascensão que mobilidade social é o que precisamos, para ver se Portugal muda, que este país é um jorro de lamúrias erradas e equivocadas.

CF para sempre! Bates forte cá dentro.

 

 

Vou fingir que herdei um milhão de contos

A ideia é simplória, vou fazer vida como se a minha avó me tivesse deixado um milhão de contos debaixo do colchão e que só agora o descobri, guardei o colchão de relíquia e agora que começava a cheirar a mofo decidi esfrangalha-lo em pedaços para descobrir lá tantas notas, tantas notas, cinco milhões de euros, um milhão de contos, número tão redondinho ali escondido este tempo todo.

Estou milionária e nem sequer ganhei o euromilhões, herdei, herdei uma fortuna choruda, tão boa e ainda por cima não registada, que interessa isso agora, se a minha avó era rica é porque era, herdou ela própria lá uns terrenos de sua madrinha que até era viscondessa, realeza, sangue-azul e portanto muito rica.

Que faço eu agora com esse dinheiro, ora vou viver à grande e à francesa, para já vou já ali ao meu banco, que até conheço o dono, amigo do peito, que me convida para fins-de-semana na sua quinta pedir um empréstimo, como garantia dou a herança, com esse dinheiro compro um apartamento de 10 assoalhadas, um carro desportivo e ainda me sobram uns trocos para criar um negócio, porreiro pá, até tenho meu negócio próprio e tudo.

O negócio começa a rolar e não é que dá dinheiro, lá vou pagando a casa e o carro, o negócio cresce, faço mais uns empréstimos para a internacionalização e aproveito o lanço e compro uma casa de férias, afinal é preciso retribuir os convites para os fins-de-semana ao dono do banco, tudo espetacular, neste momento o meu apartamento de 10 assoalhadas é a garantia do empréstimo do negócio.

E o negócio cresce, perdão floresce como o bolor numa parede húmida, é vê-lo a aumentar, mesmo sem ser regado, peço mais uns empréstimos que isto agora começa a ser sério e é preciso investir para não cair e compro mais uma casa de férias, que ser chique é ter casa de férias na praia e no campo, ter só uma casa de férias é coisa de remediados e não é de herdeiros de viscondessas.

E a vida corre bem, de empréstimo em empréstimo já nem me lembro da herança, afinal já não preciso dela.

Até que entro em falência técnica, o caos, o horror, tantos funcionários para o desemprego, património asseguradíssimo já está tudo em nome de fundações e outras empresas onde eu não tenho qualquer cargo, sou apenas uma consultora, mas um grupo empresarial falir assim como é possível? Não é, lembrei-me de falar com aquele amigo que tem um amigo que trabalha no Estado e que até tem algum poder, lá me ajudou a mexer uns cordelinhos porque ele também é amigo do dono do banco e depois de algumas negociações lá me perdoam a dívida, coitados dos trabalhadores agora ficarem sem emprego, não era possível, uma obra de caridade é o que é.

E pronto começo do zero, sem dívidas, património asseguradíssimo e um negócio que até dá lucro se bem gerido, a vida corre-me bem só porque a minha avó querida me deixou um milhão de contos imaginário.

Quer poupar energia? Poupe no conforto!

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Foi esta a sugestão do ministro da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, em resposta ao deputado Jorge Costa do Bloco de Esquerda, sobre "o facto de o Governo ter limitado aos 3,45 kVA [Kilovoltampere] de potência contratada a redução do IVA faz com que dois milhões de consumidores domésticos com potências contratadas e normais que são os 6,9 kVA, utilizados em grande escala no país, fiquem privados do benefício da descida do IVA".

 

O ministro não se fez rogado e disse que "a potência contratada mais baixa é um bom exemplo de eficiência energética e de uso".

Acrescentou ainda:

"Uma família com quatro pessoas pode mesmo viver com essa potência contratada mais baixa e aquilo que é comum é as pessoas contratarem uma potência, por conforto, acima daquilo que é a sua verdadeira necessidade".

 

A solução para o ministro é simples, tão simples que não sei como nunca os portugueses em tempo algum se lembraram de a seguir, querem pagar menos, consumam menos, assim mesmo curto e grosso e a direito para que não restem dúvidas. Acrescento ainda que se os portugueses não quiserem pagar eletricidade têm essa opção, é só deixar de ter contrato de energia elétrica.

O absurdo é ainda maior quando o ministro afirma que uma família de quatro pessoas consegue viver com a potência mínima que é de 3,45 kVA, isto revela um profundo desconhecimento da energia e dos consumos de um lar, aposto que o ministro nem sabe que potência tem contratada em casa.

 

A potência de 3,45 kVA alimenta um frigorífico, uma máquina de lavar, uma televisão e um computador. Se tiver micro-ondas não pode funcionar ao mesmo tempo do ferro de engomar ou do aspirador, nem pensar usar uma placa elétrica ou um forno elétrico e para usar um aquecedor mais vale desligar tudo e aquecer apenas a casa.

Já estou a imaginar o cenário numa casa de quatro pessoas:

O pai - Martim desliga a televisão e diz à tua irmã para desligar o computador que a mãe precisa de passar a sopa.

A mãe- Querido não podes passar a ferro agora a camisa porque tenho o bacalhau com natas no forno.

Gostava muito de perceber de que conforto é o ministro fala, será que se refere ao conforto que os eletrodomésticos e diversos aparelhos eletrónicos nos proporcionam? Podemos sempre regressar ao modo de vida de antigamente e aí nem eletricidade precisamos de contratar, fará ter uma potência de 6,5Kw que é a mais usual.

 

A minha mãe costuma dizer em reposta aos que defendem ainda os tempos “gloriosos” da ditadura que se víssemos como nessa época estaríamos todos ricos, experimentem lá viver sem eletricidade e sem gás, retirem da equação o carro, pensem em como seriam as nossas casas e a nossa alimentação e vejam o que poderíamos poupar, só em detergentes de roupa e louça seria uma fortuna, afinal para lavar roupa no tanque o sabão rosa ou azul servem perfeitamente.

 

Manuela Moura Guedes esteve muito bem ontem no seu espaço de comentário ao ironizar que a solução para todos os males seria optar pela redução, assim querem pagar menos IRS peçam para receber um ordenado mais baixo, querem pagar menos IRC tenham menos lucros, o que ela não sabe é que há muitas pessoas a fazerem exatamente isso.

Empresas que vendem sem fatura, têm menos lucros, pagam menos IRC, como vendem sem fatura pagam no recibo o ordenado mínimo e por fora um complemento generoso aos seus funcionários, que por sua vez como recebem o ordenado mínimo têm direito a isenção no SNS, têm direito ao primeiro escalão de abono, têm direito a subsídio pré-natal, têm uma comparticipação maior no pagamento das creches, têm escalão A nas escolas e ficam aptos para receberem todo o tipo de ajudas sociais que conseguirem, são esses também que não pedem fatura de compra de nada pois não podem justificar os gastos e assim se gera uma economia paralela maravilhosa em todos são felizes, menos aqueles que cumprem.

Tanto escândalo por Pedro Passos Coelho nos mandar emigrar para termos uma vida melhor e agora temos um ministro a mandar-nos poupar no conforto para pagarmos menos eletricidade e ninguém se revolta?!

 

Mas afinal estamos ou não em austeridade? Pensei que estaríamos em tempos de prosperidade. Estou ainda à espera que alguém me explique como é que o país pode estar melhor se tudo está mais caro e se ganhamos menos que há 10 anos atrás, isto para não recuar 15.

Ao ministro sugiro que contrate a potência mínima e abdique do seu conforto, nada como dar o exemplo.