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Língua Afiada

Momento profundo

Parabéns a mim.

Festejo 427 meses.

Tão bom!

Estou muitíssimo feliz por este amor que sinto por mim própria.

 

A sério ninguém tem paciência para os festejos mensais que fazem dos bebés e crianças, entendo que seja muito importante para os pais, mas acreditem mais ninguém está a contar os meses, só vocês, nem os pais das outras crianças querem saber dos meses dos vossos filhos, só dos deles.

E não é bonito alguém perguntar - Que idade tem?

E vocês responderem - 38 Meses!

A sério? Qual o problema de dizer que tem três anos?

É para parecer ainda bebé? Não vos adianta de nada, ele já não é propriamente um bebé e não voltará a ser.

Eu sei, eu sei que há roupa de criança que vai até aos 36 meses, até essa data ainda se entende que a vossa mente esteja formatada para pensar em meses, depois disso é só estupidez.

O tempo está estruturado em dias, quando dos dias perfazem uma semana, falamos em semanas, quando as semanas perfazem um mês, falamos em meses, quando os meses perfazem um ano falamos em anos.

É assim tão difícil?

Dia dos namorados com ou sem filhos?

É uma dúvida que me assiste.

Não é que se vá pegar nos filhos e despeja-los nos avós (que também têm direito a festejar) ou contratar uma babysiter para tomar conta deles enquanto se festeja o dia, não é essa a questão.

A questão é se deve-se ou não separar as figuras, de mãe e de pai de namorado e namorada.

 

É claro que na nossa vida não é difícil dissociar-nos dos diversos papéis que desempenhamos, somos pessoas inteiras sem botões de ligar e desligar e todos os papéis que desempenhamos são influenciados uns pelos outros.

É sabido que para bem e o para o mal a relação do casal muda após o nascimento de um filho, se por um lado passa a existir um laço inquebrável e indissolúvel que os unirá para sempre, por outro passará a existir um amor maior, imensurável e inexplicável que ofusca tudo o resto.

Há casais que nas dedicatórias de amor incluem os filhos, trazendo para o dia dos namorados a prole, não dissociando o amor entre os pais do amor dos filhos, confesso que esta associação me faz confusão.

Se hoje é dia dos namorados, é o dia dele e dela, deles, do amor dos dois, ele e ela só são namorados do respetivo, não são namorados dos filhos, para essas manifestações de amor já existem o Dia do Pai e o dia da Mãe.

Hoje celebra-se o amor dos pais, desse amor surgiram os filhos, são uma consequência, mas o amor é anterior e merece, na minha opinião, ser celebrado em separado.

 

Muitas mulheres sonham com a maternidade, fazem desse ato um projeto de vida, eu sempre sonhei com um grande amor.

E a vida pode tirar-me tudo e negar-me tudo, mas esse grande amor já não é possível roubar-me, já foi concretizado e jamais poderá ser apagado, é real, existe e é palpável, independentemente do que possa acontecer no futuro já o vivi, já o senti, já o experienciei.

 

Deixar de ser o centro das atenções, das preocupações, é terrível, dizem que o sentem mais os homens, porque as mães se esquecem deles com a dedicação aos filhos, eu penso que sentirá mais quem valorizar mais a relação, podem sentir os dois ou nenhum, tudo dependerá da atitude e da forma como vivem a relação pós filhos.

Esta mudança na dinâmica nas relações sempre me assustou e intrigou, porque se por um lado existe o receio de passar para segundo plano existe a dúvida de como eu própria reagirei.

Talvez os exemplos que conheça me enviesem a visão e me levem a questionar, mas gosto de pensar que se um dia do meu amor nascer um filho, esse amor continue a existir e a valer só por si.

 

Afinal da família só há uma pessoa que escolhemos, aquela que nos acompanhará para o resto da vida, aquela com quem nos propomos a criar uma nova família, essa escolha é o princípio de tudo, não deveria por isso ser essa pessoa o centro de tudo?

Uma vez alguém me disse, os filhos não são nossos, são da vida, um dia seguem o seu rumo e nós ficamos sozinhos, e quem é que estará sempre ao nosso lado?

O marido. Por isso devemos sempre nutrir a relação, separa-la, dissocia-la da maternidade, antes de sermos mães, somos mulheres e amantes, quando os filhos saírem do ninho continuaremos a ser mulheres e amantes se o amor ainda persistir, se nos esquecermos dele com certeza que ele não estará à nossa espera.

 

Consciente desta visão que me parece ser a certa, vejo, incrédula, que a maioria dos casais não faz essa dissociação numa coisa tão básica como uma dedicatória numa rede social. Se são incapazes de o fazer num ato tão simples, como o poderão fazer diariamente em todas as rotinas da vida?

A relação amorosa é a relação amorosa, diferente, distinta da relação paternal que se tem com os filhos, se não fazem essa distinção no Dia dos Namorados quando é que a fazem?

Espera-se até que os filhos sejam autónomos para a celebrar?

Poderá ser tarde demais para celebrar.

Não sou mãe, não posso ter opinião

Parece que como não tenho filhos não tenho direito a ter opinião sobre crianças e muito menos sobre a sua educação, aliás é quase sacrilégio opinar sobre isto.

Os pais sabem mais do que os especialistas na matéria, sabem mesmo mais do que psicólogos e sociólogos que passam anos e anos a estudar o comportamento humano.

Quem não é pai não tem direito a ter uma opinião sobre como se deve educar porque não tem experiência e não se fala mais nisso.

As clássicas frases feitas de quem não tem mais argumentos.

Basicamente é este o argumento que dão, estranhamente nenhuma dessas pessoas comentou os comentários de pais que deram o testemunho que educaram e educam os seus filhos sem palmadas.

Se este argumento é válido sugiro a estas pessoas que dão tanto valor à experiência que:

Procurem apenas médicos que já tenham tido as vossas doenças, porque o que saberá um médico sobre a vossa doença se nunca a teve?

Deixem de ir a pediatras que não tenham filhos, porque é óbvio que não entendem nada de crianças.

Procurem professores e educadores também eles com filhos, pois como vão ensinar e educar crianças se não têm filhos?

Aliás criem creches, infantários e escolas cujos professores e, especialmente, educadores tenham como pré-requisito obrigatório ser pai, mas de pelo menos de seis, porque lidar com um é muito diferente do que lidar com uma turma inteira.

Apliquem isto a tudo na vossa vida e serão muito felizes a conviver e a falar apenas com pessoas que tenham exatamente as mesmas experiências que vocês.

 

Sacudam o pó à vontade às fraldas, deem palmadas, puxões de orelhas, o que bem entenderem aos vossos filhos, mas tenham esperança de morrerem sem antes ficarem senis, pois não vão os vossos filhos acharem que quando vocês estiverem qual bebés só poderão entender que cuspir as papas é feio se vos derem uma palmada.